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Gaeco apura a existência de uma organização criminosa na Câmara, com extorsão, corrupção passiva, concussão e outros delitos.
ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Cathedra Venalis, revela detalhes estarrecedores sobre um plano para cassar o mandato da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), antes mesmo de sua posse.
De acordo com os autos baseados em delações e relatórios de inteligência, a articulação política e o financiamento de um suposto esquema de "mensalinho" e controle da Câmara Municipal envolviam o aporte financeiro de empresários e o respaldo de empresas que mantinha contratos com o município.
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O documento aponta que, para tentar derrubar a prefeita, o grupo tentou usou artifícios como a exploração de vídeos de campanha feitos por inteligência artificial (considerados fakes) e a abertura da chamada CPI dos Uniformes Escolares, que consistia em apurar se a estampa do slogan “Transparência, Trabalho e Progresso” nas camisetas dos alunos configurou crime de improbidade administrativa e afronta ao princípio da impessoalidade. O processo foi arquivado.
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O plano original previa que o vice-prefeito "Tião da Zaeli" (PL) assumisse o comando do Executivo municipal após a cassação de Moretti. Contudo, diante como o processo foi arquivado ele acabou renunciando ao cargo e o foco da sucessão acabou migrando para o presidente da Câmara Municipal, o vereador Wanderley Cerqueira (MDB).
Leia a nota de Tião da Zaeli na íntegra:
Em razão das notícias veiculadas nesta quarta-feira (21), o ex-vice-prefeito de Várzea Grande, Sebastião dos Reis Gonçalves, Tião da Zaeli, nega categoricamente as acusações a ele atribuídas, afirmando que são infundadas e não correspondem à realidade dos fatos.
Tião da Zaeli ressalta que sua renúncia ao cargo de vice-prefeito, em 31 de março deste ano, foi uma decisão voluntária, motivada por sua discordância em relação ao cenário político instalado no município e aos rumos da administração municipal.
O ex-vice-prefeito reafirma seu respeito ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao trabalho da imprensa. Confia na apuração rigorosa e imparcial dos fatos e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, reiterando a importância de que as informações sejam tratadas com responsabilidade e respeito ao devido processo legal.
Reuniões secretas
Segundo o relato prestado ao Gaeco, ainda em 2024, o vereador Kleberton Feitoza (PSB) organizou uma reunião em seu apartamento (localizado em um condomínio na Avenida Castelo Branco) onde os participantes eram revistados por um segurança e obrigados a entregar os celulares para evitar gravações.
Na ocasião, o vereador teria afirmado que Tião da Zaeli financiava a eleição da Mesa Diretora em troca de apoio de Wanderley Cerqueira para beneficiar três empresas de Várzea Grande, a WR Cerqueira Construtora Ltda. (do filho do vereador Wanderley Cerqueira); a União Transporte e Turismo Ltda e a Construtora Nhambiquaras Ltda. Essas duas últimas são de Rômulo Cesar Botelho, irmão do deputado estadual Eduardo Botelho( União).
LEIA MAIS: Gaeco expõe conluio entre vereadores e contrato da União Transportes em VG
O outro lado
A União Transportes esclareceu que não foi alvo de qualquer medida judicial na operação policial que apura uma suposta compra de votos na Câmara Municipal de Várzea Grande e afirmou que não está sendo investigada no caso.
Em nota, a empresa declarou que as alegações de um suposto financiamento por parte da empresa se baseiam em relatos indiretos de terceiros, que teriam mencionado o nome da União Transportes “por ouvir dizer”, sem elementos de comprovação.
A empresa negou a prática de qualquer ato ilícito e informou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, caso seja necessário.
A manifestação ocorre após a menção ao nome da União Transportes no contexto das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), relacionadas à suspeita de compra de votos no Legislativo de Várzea Grande.
A empresa reforçou que não foi alvo de medidas judiciais no âmbito da operação e contestou as alegações relacionadas a um possível financiamento.
Para blindar o grupo e garantir a fidelidade dos votos, os parlamentares teriam passado a virada de ano de 2024 para 2025 confinados em uma chácara pertencente ao vereador Dr. Miguel (Cidadania), localizada no Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.
A reunião contou com apoio financeiro de Rômulo Botelho, de Tião da Zaeli e de William Cerqueira (filho de Wanderley). No encontro, segundo a denúncia, os vereadores foram obrigados a assinar cartas de renúncia ao mandato em branco, usadas como garantia de votos na eleição da Mesa Diretora.
Esquema sem fim
O inquérito também aponta que o grupo buscou influenciar pastas estratégicas, como a Secretaria Municipal de Educação, onde a nomeação do titular Igor da Cunha Gomes da Silva serviria para favorecer empresas ligadas a aliados, a exemplo de supostos esquemas em reformas de telhados de creches em que serviços integrais eram pagos, mas apenas trocas parciais de telhas eram executadas.
As apurações destacam ainda a guinada financeira de alguns investigados. O relatório cita que o vereador Cilço da Cruz Filho (Cilcinho - PV), que enfrentava grave crise financeira a ponto de vender um veículo Fiat Toro, apareceu dias antes da eleição da Mesa Diretora conduzindo um veículo Toyota Corolla Cross zero quilômetro sem placas, gerando suspeitas sobre a origem dos recursos que abasteceriam a engrenagem do grupo na Câmara Municipal.
Próximos passos
O material do Gaeco serve como base de inteligência financeira e continuará a ser cruzado com depoimentos, quebras de sigilo telemático e demais diligências do Procedimento Investigatório Criminal.
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Vereadores alvos de busca e apreensão
Relação dos parlamentares e alvos investigados:
Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara
Gisa Barros (Podemos)
Rogerinho Dakar (PSDB) – Ex-presidente do DAE-VG / Suplente
Cilço da Cruz (PV)
Braz Jaciro (PSDB)
Alecsand / Alessandro Moreira (MDB)
Wender Madureira (Republicanos)
Sargento Galibert (PSB)
Dr. Miguel (Cidadania)
Lucélia Oliveira (Agir)
Kleberton Feitoza (PSB)
Raul Curvo (Republicanos)
Enfermeiro Emerson (PP)
Vereadores de Cuiabá alvos da operação:
Alex Rodrigues (Podemos)
Ilde Taques (Podemos)
Servidores de Várzea Grande:
Lorineide – diretora financeira da Câmara
Samir Katumata (PL) – secretário legislativo e suplente



















Uelton Santana Ferreira 22/10/2026
Essa máfia tem que ir presos
1 comentários