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As investigações do Ministério Público prosseguem com base nos relatórios técnicos, mídias e documentos que foram apreeendidos na operação.
ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A Câmara Municipal de Várzea Grande sob o comando do presidente Wanderley Cerqueira (MDB) é alvo de uma representação de natureza externa protocolada no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). O documento, assinado pelo vereador Charles Fabiano Araujo Quadro (Charles da Educação), consta na Petição Criminal formulada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ao qual o RepórterMT teve acesso.
O documento, com 779 páginas, integra um volumoso e complexo inquérito que deu origem à Operação Cathedra Venalis, que tramita sob sigilo, reunindo relatórios técnicos, interceptações, quebras de sigilo e depoimentos que desvendam uma ampla gama de crimes na Casa de Leis, incluindo esquemas de propina, extorção, ameças de morte e o uso da máquina pública para proteger interesses corporativos e políticos.
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Segundo os autos do processo, a estrutura da Casa de Leis era supostamente instrumentalizada para concentrar poder, calar a oposição e gerir recursos públicos sem transparência. A representação que vamos abordar neste texto foi levada ao Tribunal de Contas porque os fatos relatados envolvem diretamente gestão de dinheiro público, desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, desvio de finalidade na administração de cargos comissionados e omissão em prestações de contas.
O alvo central da denúncia é o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, acusado de usar a máquina legislativa para perseguições políticas, centralização autoritária de cargos e execução de obras sem amparo legal ou financeiro.
"Além desses fatos, na data de 23 de março de 2026, foram protocolados dois novos ofícios solicitando informações específicas acerca das obras realizadas na Câmara Municipal e dos gastos com serviços de publicidade e comunicação.No que se refere às obras realizadas no âmbito da Câmara Municipal, o vereador denunciante foi informado de que os gastos não teriam sido realizados com recursos da própria Câmara, bem como que não existiriam documentos formais relativos à execução da obra, sendo ainda relatado que os reparos estariam sendo realizados sem qualquer registro de despesa no âmbito do Poder Legislativo. Tal informação causou profundo estranhamento, uma vez que a execução de obras públicas exige a formalização de procedimento administrativo, com identificação da origem dos recursos, previsão orçamentária e registro contábil das despesas".
O documento não detalha quais obras estão sob suspeita, no entanto, a nova sede da Câmara foi inaugurada em agosto de 2025 e está localizada no antigo Fórum do Município, ao lado da prefeitura. Foram gastos oficialmente cerca de R$ 2,5 milhões nas reformas de gabinetes, ampliações de corredores, adequações ao auditório, sala para imprensa e troca de telhados.
Cabide de emprego
A representação no TCE também aborda fatos ocorridos em fevereiro de 2026, quando Wanderley Cerqueira promoveu a exoneração sumária, sem motivação ou aviso prévio, de dois servidores do gabinete de Charles da Educação, que ocupavam o cargo de Assessor Técnico Parlamentar I. Os profissionais eram responsáveis pela elaboração técnica de proposições legislativas e assessoramento direto ao mandato.
No mesmo período, foram nomeados para preencher as vagas duas servidoras ligadas a Wanderley, com histórico de atuação em áreas completamente distintas no âmbito do Poder Executivo Municipal e com fortes indícios de vinculação política direta com a cúpula da Mesa Diretora.
A manobra de enfraquecimento dos gabinetes da oposição ocorreu por alterações normativas promovidas na Casa, como as Leis Municipais nº 5.318/2024 e nº 5.373/2025, que retiraram a autonomia dos parlamentares sobre seus assessores e transferiram o controle absoluto dos cargos de assessoramento para a Presidência.
Entenda o caso
Em maio, uma denúncia anônima protocolada junto ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) detalhou a criação de um suposto "quartel-general" da corrupção para garantir o resultado da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
Segundo o documento apurado pelo
na época, a articulação era liderada pelo presidente da Casa, Wanderley Cerqueira. O plano consistia em manter 12 vereadores em regime de confinamento e sob escolta de policiais à paisana em uma chácara localizada no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.
Drone do Gaeco flagrou reunião de vereadores em chácara antes de eleição da Câmara de VG
A propriedade pertence ao vereador Dr. Miguel (Cidadania) e o isolamento servia para aguardar a data da sessão que definiria o comando do Legislativo. A denúncia repassada ao Ministério Público também alertou para a circulação de um grande volume de dinheiro em espécie no local, supostamente destinado à compra de votos.
Além da disputa pela presidência da Câmara, o documento apontava que o objetivo da organização ia além: o plano do grupo envolvia forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) para assumir o controle total do município, com foco estratégico em um pré-acordo de propinas e acertos voltado para a bilionária privatização do DAE (Departamento de Água e Esgoto).
Relação dos parlamentares e alvos investigados:
Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara
Gisa Barros (Podemos)
Rogerinho Dakar (PSDB) – Ex-presidente do DAE-VG / Suplente
Cilço da Cruz (PV)
Braz Jaciro (PSDB)
Alecsand / Alessandro Moreira (MDB)
Wender Madureira (Republicanos)
Sargento Galibert (PSB)
Dr. Miguel (Cidadania)
Lucélia Oliveira (Agir)
Kleberton Feitoza (PSB)
Raul Curvo (Republicanos)
Enfermeiro Emerson (PP)
Vereadores de Cuiabá alvos da operação:
Alex Rodrigues (Podemos)
Ilde Taques (Podemos)
Servidores de Várzea Grande:
Lorineide – diretora financeira da Câmara
Samir Katumata (PL) – secretário legislativo e suplente


















