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21 de Outubro de 2026

21 de Outubro de 2026, 11h:24 - A | A

POLÍTICA / BOMBA EM VÁRZEA GRANDE

Gaeco aponta que Wanderley Cerqueira filmava vereadores com câmera espiã e chantageava forçando cartas de renúncia

As cartas de renúncia ao mandato assinadas por vereadores serviam como garantia dos votos acordados para a eleição da Mesa Diretora.

Reprodução

Presidente da Câmara de Várzea Grande é alvo do Gaeco

Presidente da Câmara de Várzea Grande é alvo do Gaeco

MÁRCIA MATOS
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT



O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), teria utilizado uma câmera escondida em seu escritório para filmar vereadores recebendo dinheiro e, posteriormente, pressioná-los a apoiar sua reeleição ao comando do Legislativo. O relato consta de documentos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) que embasaram a operação contra parlamentares do município.

Segundo uma testemunha que pediu a preservação da identidade, o mecanismo de pressão também envolveria cartas de renúncia ao mandato assinadas por vereadores como garantia dos votos acordados para a eleição da Mesa Diretora.

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Conforme o relato registrado pelos investigadores, as assinaturas teriam sido colhidas durante uma reunião na chácara do vereador Miguel Júnior, no Distrito da Guia, na virada de 2024 para 2025. Na ocasião, os participantes teriam discutido o apoio à eleição de Wanderley para a presidência.

Já nas articulações para a reeleição, em maio de 2026, o presidente teria apresentado propostas financeiras em seu escritório, em um ambiente preparado para registrar clandestinamente quem aceitasse receber os valores.

“As gravações e as cartas de renúncia anteriormente assinadas teriam sido posteriormente utilizadas como instrumentos de constrangimento e pressão política”, afirma o Gaeco no pedido de buscas, ao resumir o depoimento.

Leia mais: "Vou vender o DAE e repartir do dinheiro": Investigação do Gaeco expõe plano de Wanderley para cassar prefeita e comprar votos

De acordo com a investigação, a finalidade apontada pela testemunha seria assegurar os votos necessários à recondução de Wanderley e manter os parlamentares alinhados ao grupo.

O relato também cita o vereador Kleberton Feitoza, que teria mencionado a existência de um acervo de vídeos e utilizado gravações para pressionar colegas. Ao consultar o sistema de ocorrências, o Gaeco localizou um boletim registrado pela vereadora Rosi Prado, no qual ela relatou ter sido chantageada por Feitoza com a ameaça de divulgação de vídeos e informações supostamente comprometedoras.

A testemunha indicou, ainda, que parte do material poderia estar armazenada em um equipamento de Lorineide Aparecida Trindade Inhan, conhecida como Lori, descrita nos autos como pessoa de confiança de Wanderley.

As informações integram a apuração sobre suspeitas de compra de apoio político, ameaças e outras irregularidades na Câmara. O Gaeco pediu as buscas para localizar documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que ajudem a esclarecer os relatos e a participação dos investigados.

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