EDUARDA FERNANDES
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A faccionada Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, ficará isolada das demais detentas, terá visitas e banho de sol restritos e será submetida a vigilância reforçada na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. As medidas fazem parte do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), determinado pela Justiça pelo prazo inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação.
As restrições foram detalhadas nesta quarta-feira (21) pelo delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, durante coletiva de imprensa sobre o retorno da criminosa a Mato Grosso, após ser capturada na Bolívia.
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“Para ficar mais explicado, é um isolamento. Então, ela tem direitos de prisioneira cerceados, dentro do que determina a Lei de Execuções Penais. Ela tem um período menor de visitas, fica isolada, sem contato com outras presas, e o banho de sol, os períodos em que ela possa sair da cela, são menores. Também vai ter uma vigilância maior”, explicou o delegado.
A medida foi solicitada pela Polícia Civil e autorizada pela 5ª Vara Criminal de Sinop, em razão da alta periculosidade atribuída à detenta, apontada como uma das principais lideranças de uma organização criminosa no extremo norte de Mato Grosso.
“Isso se deu em razão de ela ser uma prisioneira de altíssima periculosidade, com 260 anos de condenação, fora os outros inquéritos e processos de ações penais em andamento, e por ser uma das líderes de organização criminosa”, destacou Victor Hugo.
Angeliquinha foi transferida para Cuiabá nessa terça-feira (20), após permanecer custodiada no presídio feminino de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Ela foi encaminhada justamente à penitenciária de onde fugiu em 17 de agosto de 2025.
A criminosa foi capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma operação conjunta das autoridades brasileiras e bolivianas. Dois dias depois, foi entregue à Polícia Federal, na fronteira com o Brasil.
Segundo o delegado, a transferência exigiu planejamento especial de segurança, tanto pelo histórico da presa quanto pelo risco de ataques envolvendo integrantes de facções criminosas.
“É uma presa de altíssima periculosidade, com chances de ter algum tipo de reprimenda por membros de facção. Então, tem que haver uma supremacia de forças do Estado, para que haja uma ação coordenada e planejada para que ela seja trazida para cá”, afirmou.
Liderança criminosa
Durante a coletiva, Victor Hugo também detalhou o histórico criminal de Angeliquinha, que acumula condenações por crimes como homicídio, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com o delegado, ela possui registros policiais desde os 16 anos e ganhou espaço na organização criminosa por meio da participação e do comando de ações violentas. “A Angélica é mandante de diversos homicídios, é uma criminosa contumaz e cruel, pelo que a gente vê nos relatos e sentenças em relação aos homicídios”, declarou.
As investigações da Operação Showdown também apontaram que a organização criminosa movimentava grandes quantias de dinheiro provenientes do tráfico de drogas e de atividades ilegais na região de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, incluindo áreas de garimpo.
A Polícia Civil identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, além de suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e negócios vinculados ao núcleo familiar da criminosa.
Segundo Victor Hugo, as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e aprofundar a apuração sobre a atuação de Angeliquinha, inclusive durante o período em que permaneceu foragida na Bolívia.



















