Montagem Repórter-MT

Jackson Pinto é acusado de matar a esposa, Nilza Moura, e está sendo julgado pelo Tribunal do Júri.
VINÍCIUS ANTÔNIO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
Estefania Cristina da Liz Souza Amaral, sobrinha de Nilza Moura, afirmou que Jackson Pinto, acusado de matar a esposa, era possessivo e não permitia que a vítima conversasse com outras pessoas sem a presença dele. A declaração foi feita hoje (20), durante o julgamento do acusado pelo Tribunal do Júri.
Segundo Estefania, a família já percebia o comportamento controlador de Jackson durante o relacionamento. Ela contou que o casal se casou em 2015, chegou a se separar e, posteriormente, reatou a relação. O casamento, conforme a testemunha, foi uma surpresa para os familiares.
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A sobrinha relatou que passou a frequentar menos a casa de Nilza após o casamento, principalmente porque não se sentia confortável na presença de Jackson.
Durante o depoimento, Estefania também afirmou que Nilza era a principal responsável pelo sustento do casal, enquanto Jackson administrava os bens da esposa e, ocasionalmente, trabalhava como motorista de aplicativo.
A vítima possuía nove apartamentos, alguns já quitados, e patrimônio superior a R$ 1 milhão. Segundo a sobrinha, Nilza pretendia criar uma holding familiar e havia procurado sua ajuda, já que Estefania é contadora. Jackson não faria parte da estrutura planejada.
A testemunha afirmou acreditar que o acusado mantinha o relacionamento por interesse financeiro e que esse teria sido o motivo do assassinato. Ela também contestou a alegação de que Nilza impedia Jackson de manter contato com o filho.
Desaparecimento
Estefania contou que Jackson enviou uma mensagem de áudio perguntando se ela tinha o telefone de Poliana, amiga de Nilza, ou de Mário, irmão da vítima. O contato ocorreu um dia depois do assassinato, quando a família ainda não sabia da morte.
Na ocasião, outra tia de Estefania chegou à casa dela informando que Nilza havia saído para a academia e estava desaparecida.
Os familiares começaram a procurar imagens de câmeras de segurança de imóveis vizinhos, mas não encontraram registros da vítima deixando a residência. As gravações mostravam apenas Jackson entrando e saindo com o carro da esposa.
Segundo a testemunha, o acusado acompanhava a família durante as buscas, inclusive nas idas à delegacia e na análise das imagens. Estefania afirmou que observava as reações dele, principalmente quando os parentes começaram a questionar as contradições em sua versão.
Jackson teria apresentado informações diferentes sobre as roupas usadas por Nilza no dia do desaparecimento. Inicialmente, disse que ela vestia um short azul e uma camisa de pesca. Depois, afirmou que o short era preto e, posteriormente, declarou que não havia visto com que roupa a esposa saiu.
A sobrinha também relatou que chegou a ligar para o WhatsApp de Nilza e foi atendida por um homem que afirmava estar com a vítima e exigia dinheiro para libertá-la. Estefania pediu para falar com a tia, mas o homem não permitiu. Em uma segunda ligação, recebeu a mesma resposta.
Os familiares chegaram a solicitar uma prova de vida e receberam uma fotografia de visualização única. O resgate, inicialmente estipulado em R$ 30 mil, foi sendo reduzido até chegar a R$ 500, valor transferido pela família para a conta de uma mulher.
Interesse nos bens
Estefania afirmou que, mesmo enquanto a família procurava Nilza, Jackson demonstrava preocupação com o patrimônio da esposa.
Segundo a testemunha, ele chegou a sugerir que poderia penhorar a caminhonete da vítima para pagar o suposto resgate. Também mencionou a divisão dos bens e defendeu que deveria continuar responsável pela administração dos apartamentos.
Ela contou ainda que Jackson realizou uma transferência de R$ 18 mil utilizando recursos da esposa. Na ocasião, ele teria alegado que precisava pagar uma dívida relacionada à caminhonete antes do retorno de Nilza, para evitar que ela ficasse irritada.
Durante o depoimento, Estefania chorou ao recordar o momento em que percebeu que provavelmente não encontraria a tia com vida.
A testemunha também relatou que, ao procurar os documentos de Nilza para providenciar a certidão de óbito, encontrou o guarda-roupa e outros pertences revirados. Segundo ela, não havia roupas de Jackson no armário, apenas algumas peças infantis.
Estefania foi uma das pessoas responsáveis pelo reconhecimento do corpo. Conforme seu relato, Nilza estava de lingerie e roupão, com uma abraçadeira plástica, conhecida como enforca-gato, no pescoço, além de marcas nos braços e nas pernas.


















