Montagem/RepórterMT

Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica.
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica após as investigações apontarem complicações em cirurgias plásticas realizadas por ele em quatro pacientes em Barra do Garças (a 511 km de Cuiabá), Mato Grosso. O inquérito foi concluído pela 1ª Delegacia de Polícia do município e encaminhado ao Poder Judiciário.
Conforme apurado pelo
, Lucas é formado desde 2017 pela Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH), localizada no município de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ele possui especialidade em cirurgia geral e cirurgia plástica.
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As investigações começaram depois que mulheres procuraram a polícia para denunciar complicações e resultados insatisfatórios após procedimentos estéticos, realizados principalmente em 2023. Entre as cirurgias investigadas estão redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.
Durante a apuração, quatro pacientes foram ouvidas. A Polícia Civil reuniu prontuários médicos, documentos hospitalares, fotografias, exames e laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), além de ouvir profissionais envolvidos nos atendimentos e nos cuidados durante a internação e o pós-operatório.
Segundo os relatos, as pacientes apresentaram problemas como dores persistentes, cicatrizes, assimetrias e deformidades nas mamas. Uma das mulheres relatou necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após duas intervenções cirúrgicas, realizadas em 2023 e 2024.
Os exames periciais identificaram sequelas permanentes em dois dos casos analisados. Em um deles, o laudo apontou deformidades e cicatrizes com comprometimento da função estética. No outro, foram constatadas alterações permanentes nas mamas e nos mamilos. Nos dois casos restantes, os laudos não confirmaram lesões corporais pelos critérios técnicos adotados pelos peritos.
Falsidade ideológica
Além das complicações físicas, a Polícia Civil apurou indícios de falsidade ideológica relacionados ao prontuário médico de uma das pacientes. Conforme o relatório policial, durante a retirada de uma prótese mamária, o implante se rompeu, mas o episódio não teria sido registrado no relatório cirúrgico correspondente.
Para investigar o caso, a polícia considerou as declarações da paciente, a prótese apresentada para exame e a documentação médica. A perícia não estabeleceu relação causal direta entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher. Mesmo assim, a autoridade policial apontou indícios de omissão de uma informação considerada relevante no documento médico.
Em interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que as intercorrências decorreram de fatores relacionados aos procedimentos, às particularidades de cada organismo e ao processo de cicatrização. Também declarou que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores, quando necessários.
Com a conclusão do inquérito, o médico foi formalmente indiciado por lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis e para que o Ministério Público avalie o oferecimento de denúncia.
O
entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e foi informado que, logo mais, a unidade irá se posiconar sobre os fatos. O espaço segue aberto.


















