Fiemt

Na avaliação da Fiemt, parte dos custos adicionais pode ser repassada aos consumidores, pressionando os preços de produtos e serviços.
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) se posicionou demonstrando preocupação com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal. Segundo a entidade, a mudança pode gerar um custo adicional de até R$ 1,2 bilhão por ano para a indústria mato-grossense, com reflexos sobre a competitividade das empresas e os preços pagos pelos consumidores.
Em posicionamento divulgado após a aprovação da proposta pelo Senado Federal, ocorrida na noite dessa quarta-feira (14), a Federação reconheceu a importância da melhoria das condições de trabalho, mas defendeu que alterações dessa dimensão sejam precedidas de estudos e avaliações sobre os impactos econômicos e sociais.
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De acordo com levantamento do Observatório de Mato Grosso do Sistema Fiemt, elaborado com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, 167.579 vínculos de trabalho na indústria do estado podem ser afetados, o equivalente a 84,7% do emprego industrial.
O estudo estima que a mudança pode elevar os custos anuais entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão, com aumento de 9,9% a 14,8% na folha de pagamento do setor.
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A federação argumenta que a redução da jornada sem diminuição dos salários tende a elevar o custo da hora trabalhada. Para manter a operação, empresas podem precisar pagar horas extras ou contratar novos profissionais, aumentando as despesas com pessoal.
A entidade também chama a atenção para o mercado de trabalho em Mato Grosso. Segundo a manifestação, o estado tem taxa de desemprego de 2,4%, uma das menores do país, o que pode dificultar novas contratações e ampliar a pressão sobre os custos operacionais.
Na avaliação da Fiemt, parte dos custos adicionais pode ser repassada aos consumidores, pressionando os preços de produtos e serviços. A entidade também alerta que o aumento das despesas pode comprometer a competitividade da indústria e reduzir a capacidade de investimento das empresas.
A federação ainda criticou a aprovação da proposta durante o período eleitoral, sem aprofundamento suficiente, segundo ela, sobre todas as consequências econômicas e sociais da mudança. Para a entidade, a realidade produtiva de Mato Grosso exige atenção às particularidades de cada atividade industrial, já que as condições operacionais variam entre os setores.
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A Fiemt defende que a regulamentação da nova jornada considere essas diferenças e ofereça previsibilidade e segurança jurídica às empresas. A federação informou que acompanhará a implementação das novas regras e dará suporte aos sindicatos industriais durante o período de transição.
Apesar das ressalvas, a entidade reconhece a importância do debate sobre as condições de trabalho, mas sustenta que a mudança precisa conciliar a qualidade de vida dos trabalhadores com a preservação dos empregos, a sustentabilidade das empresas e a capacidade de investimento da indústria.












