RepórterMT

Sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) em Cuiabá, alvo de intervenções e mudanças administrativas.
ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Waldir Júlio Teis, assinou uma série de atos publicados hoje (3) no Diário Oficial de Contas determinando a exoneração de 16 servidores com cargos em comissão na instituição afastados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal.
Foram exonerados:
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia (Consultor Jurídico Geral)
Gustavo Fernandes da Silva (Assistente Jurídico)
Felipe José Glinke (Assessor Jurídico da Presidência)
Adriangelo Barros Antunes (Secretário Executivo de Comissão Permanente)
Roseli Loss (Chefe de Gabinete de Conselheiro - Gabinete de Sérgio Ricardo de Almeida)
Adjair Roque de Arruda (Secretário Executivo de Planejamento)
Carlos Alexandre Pereira (Secretário do Sistema de Controle Interno)
Carlos Felipe Oliveira Almeida (Assessor Técnico Financeiro)
Carlos Romeu Rodrigues Medeiros (Consultor Técnico-Jurídico I)
Edson Luiz Ribeiro de Oliveira (Coordenador do Núcleo de Execução Orçamentária e Contábil)
Eneias Viegas da Silva (Secretário Executivo de Gestão de Pessoas)
Jocimauro Bento do Carmo (Consultor Técnico Jurídico de Comissão Permanente)
Maurício Marques Júnior (Secretário Executivo de Orçamento, Finanças e Contabilidade)
Márcio Antônio Silvério (Assessor Técnico Jurídico do Gabinete do Procurador de Contas)
Olavo Lage Filho (Secretário Executivo de Comissão Permanente)
Vitor Turri Romano (Chefe de Gabinete de Comissão Permanente)
Entenda a denúncia
Segundo a denúncia acolhida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o esquema no TCE-MT funcionava em duas frentes principais de desvio de recursos públicos. A primeira engrenagem utilizava portarias para simular uma crise orçamentária e suspender contratos da Corte de Contas. Contudo, a alegada falta de verbas é desmentida pelos dados financeiros oficiais.
O orçamento do TCE-MT cresceu de R$ 763,8 milhões em 2023 para R$ 786,7 milhões em 2024 e R$ 826,3 milhões em 2025, os pagamentos mensais do órgão subiram de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões durante o período de suposta restrição.
Polícia Federal em Mato Grosso
Na prática, a suspensão servia para pressionar empresas, de modo que fornecedores seletos tiveram aumentos expressivos nos recebimentos após o ato, mediante a exigência de "devolução" de parte dos valores ao grupo da Presidência.
A segunda frente operava por meio de uma "rachadinha", abastecida diretamente pelos duodécimos do Tribunal (que somaram R$ 736 milhões repassados pelo Tesouro em 52 ordens bancárias) através de canais destinados a fornecedores e ordens avulsas. Enquanto o Portal da Transparência divulgava um acumulado de apenas R$ 2,22 milhões em remunerações para os sete conselheiros envolvidos, os extratos bancários reais revelaram R$ 48,46 milhões creditados a eles.
O próprio presidente Sérgio Ricardo recebeu R$ 15,44 milhões em menos de dez meses, conflitando com o valor de R$ 288,5 mil informados oficialmente, ao mesmo tempo em que o consultor Grhegory Maia embolsou R$ 32,31 milhões, o assistente Gustavo Fernandes obteve R$ 15,89 milhões, o conselheiro Guilherme Maluf recebeu R$ 10,64 milhões e o assessor Felipe Glinke acumulou R$ 9,93 milhões.
Polícia Federal em Mato Grosso
Para ocultar a origem ilícita dos valores, a cúpula realizava saques massivos em dinheiro vivo no posto do Sicoob situado dentro da própria sede do TCE-MT. Apenas Sérgio Ricardo registrou 150 saques em espécie totalizando R$ 15,64 milhões (sendo R$ 15,47 milhões efetuados direto na boca do caixa), com apoio da chefe de gabinete Roseli Loss, que operou R$ 3,52 milhões em retiradas e repassou parte em mochilas a Adriangelo Antunes (que movimentou R$ 2,28 milhões).
No total, a Polícia Federal identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas em um intervalo de apenas 294 dias em 2025, motivo pelo qual a Justiça autorizou um sequestro patrimonial que alcança R$ 145 milhões sobre os bens dos alvos.
A Polícia Federal apreendeu hoje grandes quantidades de dinheiro em espécie, vários relógios, incluindo modelos de luxo, uma frota de carros de alto padrão e uma expressiva carga de vinhos.
As imagens divulgadas pela PF mostram pilhas de cédulas de R$ 100 e R$ 50, além de notas de dólares e euros, que estavam organizadas em grandes maços.
Entenda o caso
Em 29 de outubro a Polícia Federal deflagou a Operação Tomada de Contas. As investigações apontam supostas irregularidades na condução de contratos administrativos e pagamentos do órgão. O inquérito apura indícios de retenção de contratos para pressionar empresas fornecedoras, favorecimentos em liberações orçamentárias, saques frequentes em dinheiro e movimentações financeiras fora do padrão.
Quem caiu na operação
Sérgio Ricardo de Almeida (Presidente): Teve a prisão preventiva decretada e foi afastado do comando da instituição.
Guilherme Antônio Maluf (Corregedor-Geral): Alvo de medidas cautelares, com passaporte retido, proibição de pisar no TCE-MT e afastamento das funções.
José Carlos Novelli (Conselheiro): Afastado do cargo, proibido de acessar o tribunal e com restrições severas de bens.
Alisson Carvalho de Alencar (Conselheiro): Também alvo de afastamento e bloqueios patrimoniais determinados pelo STJ.
Valter Albano da Silva (Conselheiro aposentado): Incluído no rol de investigados alvos de medidas cautelares severas.












