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03 de Novembro de 2026

03 de Novembro de 2026, 17h:00 - A | A

POLÍTICA / COMANDO DA CORTE

Cerimônia oficializa Waldir Teis na Presidência do Tribunal de Contas

Conforme o tribunal, a prioridade é garantir o andamento dos processos, a fiscalização dos recursos públicos e o cumprimento das atribuições constitucionais do Tribunal

TCE-MT

Cerimônia de posse realizada hoje conduz Waldir Teis à presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso

Cerimônia de posse realizada hoje conduz Waldir Teis à presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso

DO REPÓRTERMT



O conselheiro Waldir Júlio Teis tomou posse como presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) hoje (3), assumindo a condução da instituição após a prisão do presidente Sérgio Ricardo. Teis afirmou que tem o compromisso de assegurar a continuidade e a normalidade das atividades, especialmente das ações de controle externo.

A prioridade é garantir o andamento dos processos, a fiscalização dos recursos públicos e o cumprimento das atribuições constitucionais do Tribunal, sem prejuízos à sociedade e aos fiscalizados.

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A cerimônia de posse contou com a presença dos conselheiros Antonio Joaquim e Campos Neto, do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William Brito Júnior, e dos três auditores substitutos de conselheiro Luiz Henrique Lima, Luiz Carlos Pereira e Isaías Lopes da Cunha.

Trajetória

Natural de Tayó, em Santa Catarina, Waldir Júlio Teis nasceu em 21 de outubro de 1953 e é graduado em Direito pelo Centro de Ensino Superior de Rondonópolis (Cesur) e mestre em Função Social do Direito pela Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp).

Sua trajetória profissional inclui atuação como auxiliar administrativo, empresário do setor de contabilidade e contabilista, além de assessor jurídico tributário e societário do Grupo Amaggi, onde trabalhou de 1979 a 2002. Na administração pública, foi secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso entre 2003 e 2007.

Ingressou no Tribunal de Contas de Mato Grosso em 14 de dezembro de 2007, por indicação do Poder Legislativo. Desde então, ocupou diferentes funções na instituição, incluindo os cargos de vice-presidente, no biênio 2012/2013, e presidente, no biênio 2014/2015. Também foi ouvidor-geral e supervisor da Escola Superior de Contas em diferentes gestões.

Preside ainda a Comissão Permanente de Segurança Pública do Tribunal. Antes de assumir a Presidência, ocupava o cargo de vice-presidente do TCE-MT.

Entenda o caso

Em 29 de outubro a Polícia Federal deflagou a Operação Tomada de Contas. As investigações apontam supostas irregularidades na condução de contratos administrativos e pagamentos do órgão. O inquérito apura indícios de retenção de contratos para pressionar empresas fornecedoras, favorecimentos em liberações orçamentárias, saques frequentes em dinheiro e movimentações financeiras fora do padrão.

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Quem caiu na operação

Sérgio Ricardo de Almeida (Presidente): Teve a prisão preventiva decretada e foi afastado do comando da instituição.

Guilherme Antônio Maluf (Corregedor-Geral): Alvo de medidas cautelares, com passaporte retido, proibição de pisar no TCE-MT e afastamento das funções.

José Carlos Novelli (Conselheiro): Afastado do cargo, proibido de acessar o tribunal e com restrições severas de bens.

Alisson Carvalho de Alencar (Conselheiro): Também alvo de afastamento e bloqueios patrimoniais determinados pelo STJ.

Valter Albano da Silva (Conselheiro aposentado): Incluído no rol de investigados alvos de medidas cautelares severas.

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O pedido de prisão, assinado pelo relator ministro Og Fernandes, aponta uma divisão clara entre os investigados que tiveram a prisão preventiva decretada, apontados como o núcleo de comando e de operação logística do esquema, e aqueles que sofreram medidas cautelares diversas, incluindo o afastamento de cargos públicos, proibição de acesso à Corte de Contas, bloqueio de sistemas e retenção de passaportes.

Alvos de medidas cautelares e afastamentos

Além da cúpula presa, o STJ determinou a suspensão de funções, proibição de contato com servidores e vedação de acesso às dependências e sistemas do tribunal.

Guilherme Antônio Maluf (Conselheiro e Corregedor-Geral)

José Carlos Novelli (Conselheiro)

Alisson Carvalho de Alencar (Conselheiro)

Valter Albano da Silva (Conselheiro aposentado)

Maurício Marques Júnior (Secretário executivo de orçamento, finanças e contabilidade)

Edson Luiz Ribeiro de Oliveira (Técnico de controle público externo e coordenador)

Carlos Alexandre Pereira (Auditor público externo e secretário de controle interno)

Eneias Viegas da Silva (Técnico de controle público externo e secretário de gestão de pessoas)

Adjair Roque de Arruda (Fiscal de tributos da Sefaz cedido como secretário executivo)

Carlos Felipe de Oliveira Almeida (Assistente técnico-financeiro)

Olavo Lage Filho (Secretário de tecnologia da informação)

Jocimauro Bento do Carmo (Técnico de controle público externo)

Carlos Romeu Rodrigues Medeiros (Consultor técnico-jurídico)

Vitor Turri Romano (Chefe de gabinete de comissão permanente)

Márcio Antônio Silvério (Assessor técnico-jurídico)

Entenda a denúncia

Segundo a denúncia acolhida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o esquema no TCE-MT funcionava em duas frentes principais de desvio de recursos públicos. A primeira engrenagem utilizava portarias para simular uma crise orçamentária e suspender contratos da Corte de Contas. Contudo, a alegada falta de verbas é desmentida pelos dados financeiros oficiais.

O orçamento do TCE-MT cresceu de R$ 763,8 milhões em 2023 para R$ 786,7 milhões em 2024 e R$ 826,3 milhões em 2025, os pagamentos mensais do órgão subiram de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões durante o período de suposta restrição.

Polícia Federal em Mato Grosso

Operação Tomada de Contas

 

Na prática, a suspensão servia para pressionar empresas, de modo que fornecedores seletos tiveram aumentos expressivos nos recebimentos após o ato, mediante a exigência de "devolução" de parte dos valores ao grupo da Presidência.

A segunda frente operava por meio de uma "rachadinha", abastecida diretamente pelos duodécimos do Tribunal (que somaram R$ 736 milhões repassados pelo Tesouro em 52 ordens bancárias) através de canais destinados a fornecedores e ordens avulsas. Enquanto o Portal da Transparência divulgava um acumulado de apenas R$ 2,22 milhões em remunerações para os sete conselheiros envolvidos, os extratos bancários reais revelaram R$ 48,46 milhões creditados a eles.

O próprio presidente Sérgio Ricardo recebeu R$ 15,44 milhões em menos de dez meses, conflitando com o valor de R$ 288,5 mil informados oficialmente, ao mesmo tempo em que o consultor Grhegory Maia embolsou R$ 32,31 milhões, o assistente Gustavo Fernandes obteve R$ 15,89 milhões, o conselheiro Guilherme Maluf recebeu R$ 10,64 milhões e o assessor Felipe Glinke acumulou R$ 9,93 milhões.

Polícia Federal em Mato Grosso

Operação Tomada de Contas

 

Para ocultar a origem ilícita dos valores, a cúpula realizava saques massivos em dinheiro vivo no posto do Sicoob situado dentro da própria sede do TCE-MT. Apenas Sérgio Ricardo registrou 150 saques em espécie totalizando R$ 15,64 milhões (sendo R$ 15,47 milhões efetuados direto na boca do caixa), com apoio da chefe de gabinete Roseli Loss, que operou R$ 3,52 milhões em retiradas e repassou parte em mochilas a Adriangelo Antunes (que movimentou R$ 2,28 milhões).

No total, a Polícia Federal identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas em um intervalo de apenas 294 dias em 2025, motivo pelo qual a Justiça autorizou um sequestro patrimonial que alcança R$ 145 milhões sobre os bens dos alvos.

A Polícia Federal apreendeu hoje grandes quantidades de dinheiro em espécie, vários relógios, incluindo modelos de luxo, uma frota de carros de alto padrão e uma expressiva carga de vinhos. 

As imagens divulgadas pela PF mostram pilhas de cédulas de R$ 100 e R$ 50, além de notas de dólares e euros, que estavam organizadas em grandes maços.

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