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03 de Novembro de 2026, 18h:51 - A | A

POLÍCIA / À QUEIMA-ROUPA

Réu por ajudar a planejar execução de lojista no Shopping Popular pega 30 anos de cadeia

Comerciante foi assassinado por supostamente vender cigarros contrabandeados sem autorização da organização criminosa. Crime ocorreu em dezembro de 2022, em Cuiabá.

Reprodução

Josionaldo Ferreira de Araújo foi executado dentro do Shopping Popular.

Josionaldo Ferreira de Araújo foi executado dentro do Shopping Popular.

KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT



Welinton Gabriel da Silva Lacerda foi condenado a 30 anos e quatro meses de prisão, em regime inicial fechado, pela participação na execução do comerciante Josionaldo Ferreira de Araújo, de 46 anos, assassinado a tiros dentro do Shopping Popular, em Cuiabá, em dezembro de 2022. A sentença foi definida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (3).

Os jurados acolheram a acusação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e reconheceram a responsabilidade de Welinton pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de organização criminosa. O assassinato ocorreu na noite de 19 de dezembro de 2022, quando Josionaldo estava em frente a uma das lojas que mantinha no Shopping Popular, no bairro Dom Aquino, onde comercializava tereré.

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Conforme as investigações, o comerciante foi executado por supostamente vender cigarros contrabandeados sem autorização de uma facção, descumprindo regras impostas pela organização criminosa.

Gabriel Mota Braga é apontado pela acusação como o mandante do assassinato. Segundo as investigações, ele teria ordenado a morte do empresário para garantir o controle da facção sobre a comercialização ilegal de cigarros na região.

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A denúncia do Ministério Público aponta que a execução foi planejada por integrantes da organização criminosa, inclusive por envolvidos que estavam presos. Cada um dos denunciados teria desempenhado uma função específica na organização e execução do crime.

A Polícia Civil identificou que os envolvidos realizaram uma ligação em conferência momentos antes do homicídio, possivelmente para alinhar os detalhes da execução. A descoberta ocorreu após a análise de aparelhos celulares e o cruzamento de dados telefônicos.

Relembre

De acordo com a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os executores Wenderson Santos Souza e Bruno Fernandes de Souza Costa, conhecido como "Bruninho", chegaram ao Shopping Popular sem saber quem era a vítima. Imagens de câmeras de segurança mostraram que os dois mantiveram contato com uma terceira pessoa para identificar o alvo. Em determinado momento, Wenderson apontou Josionaldo para o comparsa, indicando quem deveria ser abordado.

A dupla se aproximou do comerciante e simulou ser cliente. Os criminosos se posicionaram de forma que Josionaldo ficasse entre eles. Bruno chamou a atenção da vítima e, quando ela se virou, Wenderson sacou a arma e disparou contra a cabeça do lojista.

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Josionaldo caiu imediatamente e recebeu mais de cinco tiros, sem qualquer possibilidade de defesa. Após o assassinato, os executores fugiram e entraram em confronto com policiais militares da Cavalaria. Wenderson, de 24 anos, morreu durante a ação. Bruno, que tinha 22 anos na época, foi preso em flagrante.

Em depoimento, Bruno alegou que havia ido ao Shopping Popular apenas para cobrar uma dívida e que não sabia que o comparsa pretendia matar o comerciante. A versão, no entanto, foi confrontada pelos elementos reunidos durante a investigação.

Bruno foi condenado a 24 anos e quatro meses de prisão pelo Tribunal do Júri de Cuiabá, em novembro de 2024.

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Outros envolvidos

Além de Welinton, outros sete homens foram denunciados pelo crime: Gabriel Mota Braga, Lucas Leonardo Padilha da Costa, Marcos Henrique Gomes de Miranda, conhecido como "Japa", Alexandre Magalhães de Souza, Elton John Conceição da Silva, o "Perna", Bruno Fernandes de Souza Costa e Wenderson Santos Souza. Durante as investigações, a Polícia Civil deflagrou a Operação Unity, em agosto de 2023, para cumprir nove mandados contra integrantes da facção apontados como participantes do assassinato.

Em uma das decisões judiciais, o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve as prisões preventivas de Gabriel Mota Braga, Marcos Henrique Gomes de Miranda e Lucas Leonardo Padilha da Costa, considerando a gravidade do crime e a periculosidade dos acusados. Na mesma decisão, o magistrado autorizou a soltura de Alexandre Magalhães de Souza e Elton John Conceição da Silva, mediante cumprimento de medidas cautelares.

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Posteriormente, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Gabriel Mota Braga, que alegava problemas de saúde e excesso de prazo na prisão. 

Em outra decisão, o juiz André Barbosa Guanaes Simões manteve o encaminhamento de cinco acusados ao Tribunal do Júri e negou os pedidos de liberdade apresentados pelas defesas. Segundo o MPMT, os demais acusados ainda não foram submetidos a julgamento definitivo, pois recorrem de decisões judiciais em instâncias superiores.

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O julgamento de Welinton contou com a atuação do promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues e foi o primeiro realizado na Comarca de Cuiabá pelo Projeto Mais Júri, iniciativa voltada à ampliação dos julgamentos e à redução do acúmulo de processos relacionados a crimes dolosos contra a vida.

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