Cuiabá, 28 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
28 de Outubro de 2026

28 de Outubro de 2026, 20h:39 - A | A

POLÍTICA / HISTÓRICO INCÔMODO

Gestão Dorner, em Sinop, acumula denúncias e operações por suspeita de corrupção

Levantamento reúne ao menos 12 episódios de denúncias e questionamentos administrativos desde 2021; ação do Gaeco nesta quarta-feira é desdobramento de investigação sobre propina na aprovação de obras.

Divulgação

Gestão de Roberto Dorner reúne episódios envolvendo contratos, pagamentos e suspeitas sobre a atuação de servidores municipais.

Gestão de Roberto Dorner reúne episódios envolvendo contratos, pagamentos e suspeitas sobre a atuação de servidores municipais.

DO REPÓRTERMT



A nova fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada nesta quarta-feira (28), coloca novamente servidores da Prefeitura de Sinop no centro de uma investigação sobre corrupção. São cinco presos, afastamento determinado de seis agentes públicos e suspeitas de cobrança de propina para favorecer projetos e empreendimentos imobiliários.

Para a gestão de Roberto Dorner, o episódio se soma a um histórico que passa por Saúde, Educação, publicidade, contratos de eventos e pela própria Procuradoria. Desde 2021, pelo menos 12 episódios distintos chegaram ao debate público por meio de denúncias, investigações e decisões de órgãos de controle.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

A lista reúne situações de gravidade e natureza diferentes. Há suspeitas de corrupção investigadas pela polícia, denúncias preliminares e disputas sobre regras de contratação.

A sequência exige uma prestação de contas política: o que a administração fez, em cada episódio, para esclarecer os fatos e melhorar seus controles?

1. Propina na aprovação de obras — 2026

A Operação Mãos à Obra teve fases em julho e outubro, contadas aqui como um único caso. O Gaeco investiga vantagens indevidas na aprovação de projetos, emissão de licenças e fiscalização de construções. O período apurado vai de 2017 a 2026, portanto começa antes da gestão Dorner e alcança seus mandatos. Os R$ 80 milhões correspondem ao bloqueio patrimonial autorizado, não a um montante de propina comprovado.

2. Fraudes na Saúde — 2023

A Operação Cartão-Postal atingiu a terceirização dos serviços prestados pelo Instituto de Gestão de Políticas Públicas, o IGPP. A investigação sobre supostas fraudes e propina alcançou empresários, servidores, a então secretária Daniela Galhardo e o procurador Ivan Schneider. Os três contratos investigados somavam R$ 87,4 milhões. A prefeitura confirmou o afastamento da secretária e anunciou medidas para assumir as unidades.

3. Terceirização de mão de obra — 2021

Ainda no primeiro ano do mandato, o TCE determinou a suspensão cautelar de contratos ligados ao Pregão 14/2021. O relator apontou possível desclassificação equivocada de uma proposta mais barata, com contratação de serviços por preços superiores. A estimativa apresentada era de risco de prejuízo de R$ 2,1 milhões por ano.

4. Honorários e interesses do procurador — 2023

O Ministério Público abriu apuração preliminar sobre denúncia contra Ivan Schneider. O questionamento envolvia suposto uso do cargo para beneficiar interesses particulares relacionados a honorários estimados em R$ 8 milhões e à resistência à contratação de procuradores concursados. A prorrogação da apuração foi noticiada em abril de 2023. Não foi localizado desfecho atualizado desse procedimento.

5. Publicidade na TV ligada ao prefeito — 2024

O MP apurou denúncia sobre R$ 500,7 mil em pagamentos ao Sistema Dorner de Comunicação, entre janeiro de 2021 e junho de 2023, por intermédio de uma agência. A prefeitura defendeu a legalidade da publicidade. A reportagem que revelou a investigação também registrou indicação de arquivamento da denúncia no TCE, informação que precisa acompanhar o histórico do caso.

6. Aditivo no contrato de eventos — 2024

O TCE abriu tomada de contas especial para apurar possível dano ao erário no contrato com a Certa Produções. O acordo passou de R$ 4,57 milhões para R$ 5,72 milhões após um aditivo de 25%. Foram questionadas a prorrogação e a justificativa do acréscimo. A administração afirmou que apresentaria documentos para demonstrar a legalidade dos atos.

7. Suposta oferta de vantagens a vereador — 2025

O vereador Marcos Vinicius apresentou um áudio atribuído ao jornalista Daniel Trindade e denunciou uma suposta oferta de vantagens em nome de Dorner para apoiar o Executivo. O prefeito negou que o jornalista integrasse a prefeitura ou tivesse autorização para falar por ele. O episódio entra como denúncia pública; não há, nas fontes consultadas, comprovação de participação do prefeito.

8. Contratação do escritório do ex-procurador — 2025

A contratação direta da Schneider e Munhoz Advogados Associados, por R$ 304,2 mil, foi questionada em ação popular. A discussão era se o escritório assumiria funções próprias da Procuradoria. Houve suspensão judicial e autorização de continuidade pela presidência do TJMT, além de recursos sobre a medida. O levantamento não identificou conclusão definitiva do mérito.

9. Apostilas do Sistema MAXI — 2026

O TCE admitiu denúncia sobre contratação direta de material didático que chegou a aproximadamente R$ 8,93 milhões. Foram questionados os fundamentos para a inexigibilidade de licitação e diferenças entre preços apresentados no planejamento e na contratação. Dorner sustentou a exclusividade comercial da fornecedora e a compatibilidade dos valores com o mercado.

10. Terceirização da merenda — 2026

O contrato de R$ 42,6 milhões para alimentação escolar teve a execução suspensa pelo TCE após representação sobre possíveis irregularidades na licitação. Em agosto, o plenário rejeitou recurso apresentado por Dorner e manteve a medida por unanimidade. A decisão era cautelar, sem comprovação de desvio do valor contratado.

11. Licitação dos radares — 2026

O pregão estimado em R$ 6,2 milhões para fiscalização eletrônica foi suspenso pela Justiça e entrou em apuração no TCE. Uma empresa questionou a ausência de cronograma definido para instalar os equipamentos e seus efeitos sobre o cálculo das propostas. Trata-se de uma disputa sobre o edital, sem demonstração de corrupção nas informações consultadas.

12. Verba indenizatória do primeiro escalão — 2026

Em outubro, a Justiça suspendeu pagamentos mensais de R$ 9.421,20 ao prefeito, vice e integrantes do primeiro escalão. O juiz apontou indícios de que a verba funcionava como remuneração adicional, sem correspondência comprovada com despesas individuais. A prefeitura defendeu a legalidade. A liminar não determinou a devolução do que já havia sido pago.

Na operação desta quarta-feira, a prefeitura afirmou que a investigação trata de condutas individuais de servidores, que município e secretaria não são alvos institucionais e que continuará colaborando com as autoridades.

A responsabilidade criminal depende de provas e da atuação da Justiça. A responsabilidade política exige transparência sobre as providências tomadas. Dorner deve apresentar à população um balanço desses episódios, das respostas dadas aos órgãos de controle e das mudanças adotadas para proteger os recursos e os serviços municipais.

Comente esta notícia