Reprodução

Vídeo que mostra Rogerinho recebendo maços de dinheiro e guardando no bolso veio à tona em agosto deste ano.
MÁRCIA MATOS
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), teria gravado escondido o vereador Rogério França Martins, conhecido como Rogerinho Dakar, recebendo maços de dinheiro em seu escritório, que funcionaria na casa de sua mãe. A denúncia consta de um relatório do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que integra a investigação contra parlamentares do município.
Essa investigação culminou na deflagração da Operação Cathedra Venalis, deflagrada nessa terça (20), que trouxe à tona a possível atuação de um grupo estruturado para obter vantagens indevidas, cooptar agentes públicos e praticar atos de corrupção relacionados à administração pública municipal.
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Segundo o relatório do Gaeco, as gravações clandestinas fariam parte de uma estratégia para coagir vereadores a manter apoio político a Wanderley e garantir votos para sua reeleição ao comando do Legislativo.
Como publicou o
em 10 de agosto, o vídeo mostra Rogerinho recebendo maços de dinheiro, guardando parte das cédulas no bolso e, depois, deixando o local com uma sacola rosa abastecida com mais notas. Na ocasião, ele estava à frente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande.
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De acordo com a testemunha ouvida pelo Gaeco, a gravação teria sido divulgada após o rompimento político de Rogerinho com Wanderley e sua aproximação com a prefeita Flávia Moretti. O relato relaciona o vazamento ao afastamento entre os dois, mas não identifica quem divulgou as imagens.
A testemunha, que pediu a preservação da identidade, afirmou que Wanderley utilizaria o escritório para apresentar propostas financeiras a vereadores em um ambiente preparado para filmar quem aceitasse o dinheiro. Os registros seriam feitos “por meio de uma câmera espiã clandestina escondida em sua sala”, descreve o relatório ao reproduzir a denúncia.
As imagens e cartas de renúncia ao mandato que teriam sido assinadas anteriormente seriam usadas para pressionar os parlamentares a votar pela recondução de Wanderley à presidência da Câmara.
A denúncia aponta ainda que o imóvel teria passado por reformas e alterações estruturais que descaracterizaram o cenário mostrado na gravação. Segundo o relato, uma fonte anônima identificou visualmente o ambiente como a residência da mãe de Wanderley, no Bairro Imperador.
Ao comentar a localização com uma pessoa próxima, o denunciante afirmou ter ouvido: “Cuidado, esse lugar não existe mais”. A frase faria referência às mudanças que teriam dificultado o reconhecimento do ambiente. O relato não estabelece, por si só, que houve destruição de provas.
Rogerinho também foi alvo de buscas durante a Operação Cathedra Venalis, deflagrada nessa terça (20). Conforme noticiado pelo RepórterMT, o parlamentar afirmou que os policiais recolheram documentos do DAE em sua residência.
“Eles pegaram as documentações do DAE”, declarou. Segundo Rogerinho, ele entregou aos agentes um dossiê sobre sua passagem pela autarquia para contribuir com os esclarecimentos.
Sobre o vídeo, o vereador sustentou que o dinheiro estava relacionado a negócios particulares realizados como empresário. Na manifestação feita após a divulgação, em agosto, não informou o valor, a data ou os detalhes da negociação.
Ao ser questionado novamente após as buscas, Rogerinho negou relação das imagens com sua atuação pública. “É um vídeo totalmente fora do contexto, não tem nada a ver com a vida pública”, afirmou.


















