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Ônibus adesivado com a identificação do Bazar Itinerante é citado em investigação do Gaeco sobre possível uso irregular do veículo
VANESSA MORENO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga se o presidente da Câmara de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), teria usado irregularmente um ônibus destinado ao transporte público durante um evento social denominado “Bazar Itinerante”, realizado em 21 de março deste ano.
De acordo com representação criminal encaminhada à Justiça, não foi identificada, no Diário Oficial Eletrônico da Prefeitura de Várzea Grande nem no Portal da Transparência da Câmara, menção ao termo “Bazar Itinerante”.
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Foi verificado ainda que, em 16 de julho, o ônibus permanecia adesivado com a identificação do evento social.
A suposta utilização irregular do veículo para o “Bazar Itinerante” veio à tona ainda em julho. Em uma reportagem que noticiou o caso, a União Transporte teria se manifestado publicamente por meio de nota, afirmando que desenvolvia ações sociais no município e que disponibilizava um ônibus para apoio a iniciativas comunitárias, conforme a demanda e a disponibilidade. Segundo a empresa, o veículo era utilizado principalmente para o transporte de cortejos fúnebres e para atividades de entidades como igrejas e associações.
Na época, Wanderley Cerqueira também havia se manifestado, negando irregularidade na utilização do veículo e dizendo que a relação com a União Transportes era exclusivamente institucional, destacando que os custos foram arcados pela empresa, que não houve uso da estrutura da Câmara Municipal e que a disponibilização do veículo foi formalizada.
O Gaeco destacou que, embora a empresa tivesse alegado que o ônibus era utilizado para diversas ocasiões, o veículo passou meses totalmente caracterizado com o projeto de Bazar Itinerante. Além disso, registros de radares constataram diversas passagens do veículo nas proximidades de onde ocorreu o evento e pouca rotatividade.
Assim, o Gaeco pediu à empresa União Transportes informações sobre eventual cessão de veículos ao município de Várzea Grande para finalidades diversas.
Em resposta datada de 10 de agosto, a empresa, representada por Rômulo Cesar Botelho, afirmou que “não tem conhecimento da ocorrência de cessão de veículos de sua frota, no âmbito do Município de Várzea Grande/MT, para finalidade diversa daquela a que regularmente se destinam”.
Operação Cathedra Venalis
As informações sobre a investigação do uso do ônibus para o Bazar Itinerante constam em uma representação criminal do Ministério Público que motivou a deflagração da Operação Cathedra Venalis, nessa terça-feira (21).
LEIA MAIS: Saiba quem são os 13 vereadores de Várzea Grande investigados por corrupção
O Gaeco tem como alvos 13 vereadores de Várzea Grande, dois servidores públicos da Câmara Municipal de Várzea Grande e dois vereadores de Cuiabá, suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção envolvendo o pagamento de “mensalinho” e a oferta de cargos para garantir apoio à reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Mesa Diretora do Legislativo várzea-grandense.
Em Várzea Grande, os vereadores alvos são:
- Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Câmara;
- Gisa Barros (Podemos);
- Rogerinho Dakar (PSDB), ex-presidente do DAE-VG e suplente;
- Cilço da Cruz (PV);
- Braz Jaciro (PSDB);
- Alessandro Moreira (MDB);
- Wender Madureira (Republicanos);
- Sargento Galibert (PSB);
- Dr. Miguel (Cidadania);
- Lucélia Oliveira (Agir);
- Kleberton Feitoza (PSB);
- Raul Curvo (Republicanos);
- Enfermeiro Emerson (PP).
Em Cuiabá, os vereadores alvos são:
- Alex Rodrigues (Podemos);
- Ilde Taques (Podemos).
Entre os servidores de Várzea Grande estão Lorineide Aparecida Trindade, diretora financeira da Câmara, e Samir Japonês (PL), secretário legislativo e suplente de vereador.


















