ANA ADÉLIA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
A Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) nesta terça-feira (20), "não tem absolutamente nada a ver com a Câmara Municipal de Cuiabá", segundo afirmou o procurador-geral da Casa, Eustáquio Neto.
Embora a investigação envolva dois vereadores cuiabanos (Alex Rodrigues e Ilde Taques, ambos do Podemos) por suposta participação em reuniões de um esquema de corrupção voltado a controlar a Mesa Diretora e a privatização do DAE em Várzea Grande, a Procuradoria garantiu que o Legislativo da Capital não foi alvo de mandados.
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Durante coletiva, o procurador enfatizou que a Casa seguiu com as atividades normalmente e que aguarda o desdobramento das investigações.
"A operação tem absolutamente nada a ver com a Câmara Municipal de Cuiabá [...] a Câmara continuou com seus trabalhos normalmente, e vai espera o desenrolar das investigações, esperar que tudo seja esclarecido e a Câmara, como sempre, permanece inteira à disposição das autoridades policiais, do Ministério Público e também da Justiça", declarou Eustáquio Neto.
Sobre a possibilidade de o avanço das apurações sobre a eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande respingar no processo eleitoral interno em Cuiabá, Eustáquio descartou qualquer impacto. "É necessário que se esclareça que o que está sendo investigado atualmente é uma suposta ilegalidade na eleição da Mesa de Várzea Grande. Então, para o momento, certamente isso não interfere em nada na eleição realizada aqui na Câmara Municipal de Cuiabá", pontuou.
O procurador acrescentou que eventuais medidas disciplinares contra os parlamentares cuiabanos citados só serão avaliadas caso surjam denúncias formais na Comissão de Ética da Casa ou informações concretas encaminhadas oficialmente pelas autoridades de investigação.
Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara Municipal de Cuiabá em 6 de outubro, com 27 votos, para o biênio 2027–2028. Nenhum vereador se manifestou contrário e ele alcançou a unanimidade do Parlamento.
A operação
Ilde e Alex Rodrigues, e mais 13 parlamentares de Várzea Grande estão entre os alvos. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a operação apura suspeitas de corrupção, cooptação de agentes públicos e possível atuação de uma organização criminosa envolvendo irregularidades na administração pública municipal, com foco na Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, em uma ação que mobilizou mais de 200 policiais.
A investigação apura um esquema de corrupção na administração pública municipal, com foco em supostos pagamentos de vantagens indevidas a parlamentares em troca de apoio a Wanderley Cerqueira (MDB) na disputa pela Mesa Diretora, além de repasses periódicos voltados a comprar o silêncio de agentes públicos sobre irregularidades no Legislativo.
A denúncia ao Gaeco também apontava um plano para forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) com o objetivo de obter controle sobre a privatização do DAE (Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande).
Leia mais - Gaeco faz operação contra 15 vereadores de MT; Ilde Taques e Alex são alvos em Cuiabá
A chácara, apontada nas investigações como o "quartel-general" do suposto esquema, fica localizada no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, e pertencente à família do vereador Dr. Miguel (Cidadania).
A eleição da Mesa Diretora foi vencida por Wanderley por uma diferença de apenas um voto, pleito que posteriormente foi anulado pelo STF.
Saiba que são os 13 vereadores de Várzea Grande investigados
Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara
Gisa Barros (Podemos)
Rogerinho Dakar (PSDB) – Ex-presidente do DAE-VG / Suplente
Cilço da Cruz (PV)
Braz Jaciro (PSDB)
Alecsand / Alessandro Moreira (MDB)
Wender Madureira (Republicanos)
Sargento Galibert (PSB)
Dr. Miguel (Cidadania)
Lucélia Oliveira (Agir)
Kleberton Feitoza (PSB)
Raul Curvo (Republicanos)
Enfermeiro Emerson (PP)
Reprodução
Vereadores foram alvo de busca e apreensão do Gaeco hoje
Vereadores de Cuiabá alvos da operação:
Alex Rodrigues (Podemos)
Ilde Taques (Podemos)
Servidores de Várzea Grande:
Lorineide – diretora financeira da Câmara
Samir Katumata (PL) – secretário legislativo e suplente
Veja o vídeo:



















