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05 de Novembro de 2026

05 de Novembro de 2026, 07h:50 - A | A

POLÍCIA / LAVAGEM DE DINHEIRO

Quadrilha usava produtos químicos para recuperar notas manchadas durante furtos a caixas eletrônicos em MT

Criminosos retiravam a tinta de segurança das cédulas roubadas de caixas eletrônicos e faziam depósitos fracionados em bancos para esconder a origem ilegal dos valores.

PJC-MT

Quadrilha possuía integrantes responsáveis especificamente pela retirada da tinta

Quadrilha possuía integrantes responsáveis especificamente pela retirada da tinta

DO REPÓRTERMT



Uma quadrilha interestadual investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso utilizava produtos químicos para remover a tinta de segurança de cédulas furtadas de caixas eletrônicos e, posteriormente, devolver o dinheiro ao sistema bancário. O esquema foi descoberto durante as investigações da Operação Círculo Vicioso, deflagrada hoje (5), para desarticular o grupo criminoso responsável por pelo menos seis ataques em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo a Polícia Civil, os bandidos desenvolveram um esquema para recuperar notas que haviam sido manchadas pelos dispositivos de segurança dos caixas eletrônicos. Esses mecanismos liberam tinta sobre o dinheiro quando os equipamentos são violados, dificultando a utilização das cédulas furtadas.

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No entanto, a investigação apontou que a quadrilha possuía integrantes responsáveis especificamente pela retirada da tinta. Eles utilizavam produtos químicos e outros materiais para limpar as notas e permitir que o dinheiro voltasse a circular.

Após o procedimento, os valores eram depositados em pequenas quantias, em diferentes agências bancárias. A estratégia, conhecida como smurfing, tinha o objetivo de dificultar a identificação da origem criminosa dos recursos e evitar que as movimentações financeiras chamassem a atenção das instituições bancárias.

O dinheiro também era distribuído entre integrantes da organização e terceiros, que recebiam depósitos em suas contas bancárias. A análise de imagens de câmeras de segurança das instituições financeiras ajudou os investigadores a identificar bandidos envolvidos nas diferentes etapas do esquema.

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Furto de R$ 105 mil revelou esquema

As investigações começaram após um furto registrado na madrugada de 21 de janeiro deste ano, em um caixa eletrônico instalado dentro de um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande.

Na ocasião, os criminosos utilizaram uma lança térmica, ferramenta industrial capaz de cortar materiais resistentes, para abrir o cofre do equipamento e furtar R$ 105 mil.

Mesmo com o acionamento do sistema de segurança, que liberou tinta sobre as cédulas, os suspeitos conseguiram levar o dinheiro.

A partir desse crime, a Polícia Civil identificou outros cinco ataques semelhantes, praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo os investigadores, a quadrilha também utilizava lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica durante os arrombamentos.

Operação em três estados

A Operação Círculo Vicioso cumpre 74 ordens judiciais, incluindo dez mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 13 ordens de bloqueio de ativos financeiros, além de medidas de acesso a dados eletrônicos e quebras de sigilo bancário.

Os mandados são cumpridos em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, Joinville (SC) e São Luís (MA).

A investigação apontou que integrantes da organização, especialmente aqueles residentes em Santa Catarina, viajavam até Mato Grosso para executar os furtos.

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 239.980,52 em bens e valores dos investigados, montante correspondente aos prejuízos identificados em quatro dos seis ataques apurados.

A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio das forças policiais dos estados envolvidos.

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