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04 de Novembro de 2026, 09h:10 - A | A

POLÍCIA / NOVA DERROTA

STJ nega pedido de liberdade a empresário que mandou matar amante da esposa em Sorriso

Gabriel Tacca é acusado de mandar matar Ivan Bonotto, que mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa

Reprodução

Gabriel Tacca teve mais um pedido de liberdade negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Gabriel Tacca teve mais um pedido de liberdade negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou mais uma tentativa de Gabriel Júnior Tacca de deixar a prisão. O empresário é acusado de encomendar o assassinato do próprio amigo, Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, que mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, a médica ginecologista Sabrina Iara de Mello. O crime aconteceu em março de 2025, em Sorriso (a 398 km de Cuiabá).

A decisão foi proferida pelo ministro Joel Ilan Paciornik, nessa terça-feira (3).

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Em habeas corpus, a defesa alegou constrangimento ilegal, sustentando que a decisão que manteve a prisão preventiva não apresentava fundamentação suficiente e se limitava a repetir argumentos anteriores. Os advogados também questionaram a ausência de contemporaneidade da medida, argumentando que não havia fatos novos que justificassem a permanência do empresário na cadeia. Como alternativa, pediram a substituição da prisão por medidas cautelares.

Ao analisar o caso, o ministro destacou que parte dos argumentos apresentados já havia sido examinada anteriormente pelo próprio STJ, cuja decisão transitou em julgado em 8 de maio de 2026. Por esse motivo, entendeu que a nova tentativa representava reiteração de pedidos já analisados.

Gabriel Tacca já sofreu pelo menos oito derrotas na tentativa de sair da cadeia, sendo três delas no STJ.

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“De fato, a reiteração se verifica pela repetição dos pedidos e a indicação do mesmo ato coator. Dessa forma, não é possível conhecer do recurso em habeas corpus”, diz trecho da decisão.

Sobre a fundamentação utilizada para manter a prisão, Joel Ilan Paciornik considerou válida a técnica conhecida como fundamentação per relationem, que permite ao magistrado adotar fundamentos de decisões anteriores quando as circunstâncias do processo permanecem inalteradas.

"A decisão que indeferiu a revogação da prisão preventiva apresenta fundamentação suficiente ao consignar a permanência dos motivos que ensejaram a custódia, admitindo-se a técnica da fundamentação per relationem", destacou o magistrado. 

Paciornik também ressaltou que a prisão preventiva está amparada na necessidade de garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos atribuídos ao empresário e do modo como o crime teria sido executado.

Segundo os elementos descritos na decisão, há indícios de que Gabriel teria agido com premeditação e dissimulação, utilizando a participação de outro investigado para executar o homicídio. O ministro também mencionou a suspeita de fraude processual destinada a alterar a cena do crime.

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Além disso, o ministro constatou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante das circunstâncias concretas do caso.

"Inviável a substituição por medidas cautelares diversas diante da gravidade concreta da conduta e do risco de reiteração, que evidenciam a insuficiência das providências menos gravosas", concluiu. 

O crime

O homicídio ocorreu na madrugada do dia 22 de março do ano passado, em uma distribuidora de propriedade de Gabriel Tacca, localizada no bairro Village. Conforme a investigação, o empresário teria contratado Danilo Guimarães para simular uma briga de bar e, durante a confusão, Ivan foi esfaqueado.

A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital 13 de Maio. Após alguns dias de tratamento, chegou a apresentar melhora, mas, no dia 13 de abril, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.

Gabriel Tacca foi preso temporariamente no dia 15 de julho de 2025. Em 12 de setembro do mesmo ano, teve a prisão convertida em preventiva. Ele está no Centro de Ressocialização de Sorriso e responde por homicídio qualificado e fraude processual.

Danilo também segue preso.

Investigações

Após Ivan ser esfaqueado na distribuidora de Gabriel, a Polícia Civil iniciou as investigações. Em depoimento, Gabriel e Danilo apresentaram a mesma versão, afirmando que Ivan estava bêbado e se envolveu em uma briga. Ambos disseram que não se conheciam nem conheciam a vítima.

Posteriormente, constatou-se que as informações eram falsas, e a polícia descobriu a relação de amizade entre Gabriel e Ivan.

Além disso, câmeras de segurança da distribuidora revelaram que a vítima foi atraída até o estabelecimento e esfaqueada pelas costas.

De acordo com a Polícia Civil, Ivan era morador de Tapurah e, quando ia a Sorriso, hospedava-se na casa onde Gabriel morava com a esposa, Sabrina. Com isso, a mulher acabou se envolvendo com o amigo do marido. Imagens de câmeras de segurança flagraram os dois se beijando enquanto Gabriel estava fora de casa.

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Envolvimento de Sabrina

Logo após Ivan dar entrada no hospital, Sabrina foi até o local e se apresentou como amiga da vítima. Ela utilizou sua posição de médica para subtrair o celular de Ivan e apagar evidências da ligação entre eles.

A médica deletou fotos, mensagens e até um vídeo que Ivan havia gravado de Danilo antes de morrer, com o objetivo de dificultar a identificação de vínculos.

Somente três dias depois, Sabrina entregou o aparelho à família da vítima e afirmou que havia apagado alguns arquivos para proteger Ivan.

Sabrina, Gabriel e Danilo foram alvos da Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil em julho do ano passado. A médica foi acusada de fraude processual por dificultar as investigações e foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão. Já os outros dois foram presos pelo homicídio.

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