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Gabriel Tacca teve mais um pedido de liberdade negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou mais uma tentativa de Gabriel Júnior Tacca de deixar a prisão. O empresário é acusado de encomendar o assassinato do próprio amigo, Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, que mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, a médica ginecologista Sabrina Iara de Mello. O crime aconteceu em março de 2025, em Sorriso (a 398 km de Cuiabá).
A decisão foi proferida pelo ministro Joel Ilan Paciornik, nessa terça-feira (3).
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Em habeas corpus, a defesa alegou constrangimento ilegal, sustentando que a decisão que manteve a prisão preventiva não apresentava fundamentação suficiente e se limitava a repetir argumentos anteriores. Os advogados também questionaram a ausência de contemporaneidade da medida, argumentando que não havia fatos novos que justificassem a permanência do empresário na cadeia. Como alternativa, pediram a substituição da prisão por medidas cautelares.
Ao analisar o caso, o ministro destacou que parte dos argumentos apresentados já havia sido examinada anteriormente pelo próprio STJ, cuja decisão transitou em julgado em 8 de maio de 2026. Por esse motivo, entendeu que a nova tentativa representava reiteração de pedidos já analisados.
Gabriel Tacca já sofreu pelo menos oito derrotas na tentativa de sair da cadeia, sendo três delas no STJ.
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“De fato, a reiteração se verifica pela repetição dos pedidos e a indicação do mesmo ato coator. Dessa forma, não é possível conhecer do recurso em habeas corpus”, diz trecho da decisão.
Sobre a fundamentação utilizada para manter a prisão, Joel Ilan Paciornik considerou válida a técnica conhecida como fundamentação per relationem, que permite ao magistrado adotar fundamentos de decisões anteriores quando as circunstâncias do processo permanecem inalteradas.
"A decisão que indeferiu a revogação da prisão preventiva apresenta fundamentação suficiente ao consignar a permanência dos motivos que ensejaram a custódia, admitindo-se a técnica da fundamentação per relationem", destacou o magistrado.
Paciornik também ressaltou que a prisão preventiva está amparada na necessidade de garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos atribuídos ao empresário e do modo como o crime teria sido executado.
Segundo os elementos descritos na decisão, há indícios de que Gabriel teria agido com premeditação e dissimulação, utilizando a participação de outro investigado para executar o homicídio. O ministro também mencionou a suspeita de fraude processual destinada a alterar a cena do crime.
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Além disso, o ministro constatou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante das circunstâncias concretas do caso.
"Inviável a substituição por medidas cautelares diversas diante da gravidade concreta da conduta e do risco de reiteração, que evidenciam a insuficiência das providências menos gravosas", concluiu.
O crime
O homicídio ocorreu na madrugada do dia 22 de março do ano passado, em uma distribuidora de propriedade de Gabriel Tacca, localizada no bairro Village. Conforme a investigação, o empresário teria contratado Danilo Guimarães para simular uma briga de bar e, durante a confusão, Ivan foi esfaqueado.
A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital 13 de Maio. Após alguns dias de tratamento, chegou a apresentar melhora, mas, no dia 13 de abril, sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.
Gabriel Tacca foi preso temporariamente no dia 15 de julho de 2025. Em 12 de setembro do mesmo ano, teve a prisão convertida em preventiva. Ele está no Centro de Ressocialização de Sorriso e responde por homicídio qualificado e fraude processual.
Danilo também segue preso.
Investigações
Após Ivan ser esfaqueado na distribuidora de Gabriel, a Polícia Civil iniciou as investigações. Em depoimento, Gabriel e Danilo apresentaram a mesma versão, afirmando que Ivan estava bêbado e se envolveu em uma briga. Ambos disseram que não se conheciam nem conheciam a vítima.
Posteriormente, constatou-se que as informações eram falsas, e a polícia descobriu a relação de amizade entre Gabriel e Ivan.
Além disso, câmeras de segurança da distribuidora revelaram que a vítima foi atraída até o estabelecimento e esfaqueada pelas costas.
De acordo com a Polícia Civil, Ivan era morador de Tapurah e, quando ia a Sorriso, hospedava-se na casa onde Gabriel morava com a esposa, Sabrina. Com isso, a mulher acabou se envolvendo com o amigo do marido. Imagens de câmeras de segurança flagraram os dois se beijando enquanto Gabriel estava fora de casa.
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Envolvimento de Sabrina
Logo após Ivan dar entrada no hospital, Sabrina foi até o local e se apresentou como amiga da vítima. Ela utilizou sua posição de médica para subtrair o celular de Ivan e apagar evidências da ligação entre eles.
A médica deletou fotos, mensagens e até um vídeo que Ivan havia gravado de Danilo antes de morrer, com o objetivo de dificultar a identificação de vínculos.
Somente três dias depois, Sabrina entregou o aparelho à família da vítima e afirmou que havia apagado alguns arquivos para proteger Ivan.
Sabrina, Gabriel e Danilo foram alvos da Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil em julho do ano passado. A médica foi acusada de fraude processual por dificultar as investigações e foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão. Já os outros dois foram presos pelo homicídio.












