Montagem/RepórterMT

O suposto plano teria sido discutido em 30 de junho deste ano, durante o banho de sol no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo.
EDUARDA FERNANDES, VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPMT) contra o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, acusado de planejar um atentado contra a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, responsável pela acusação no processo em que ele responde pelo feminicídio da namorada, de 15 anos. A decisão é assinada pelo juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo.
Com o recebimento da denúncia, Bruno passa à condição de réu por coação no curso do processo, crime previsto no artigo 344 do Código Penal. O magistrado determinou que o médico seja citado pessoalmente na unidade prisional onde está custodiado e apresente resposta à acusação no prazo de dez dias.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Na decisão, o juiz considerou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público contém os elementos necessários para a abertura da ação penal, incluindo a descrição dos fatos, as circunstâncias da suposta conduta criminosa e a indicação de testemunhas.
O magistrado destacou, porém, que o relatório da Polícia Civil registra que outros entrevistados não confirmaram a ameaça. Apesar disso, entendeu que as declarações da testemunha que denunciou o suposto plano constituem elementos iniciais suficientes para o prosseguimento do processo.
Segundo a decisão, a credibilidade da testemunha e a consistência das acusações deverão ser avaliadas durante a instrução processual, quando a defesa poderá contestar as provas apresentadas.
O juiz ressaltou ainda que, nesta etapa, não é necessária prova conclusiva da autoria e da materialidade, mas apenas elementos mínimos que justifiquem a abertura da ação penal.
Conforme já noticiado pelo RepórterMT, a denúncia foi apresentada em 15 de outubro. O suposto plano teria sido discutido em 30 de junho deste ano, durante o banho de sol no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo.
De acordo com o Ministério Público, Bruno teria perguntado a outro detento se conhecia alguém disposto a executar um atentado contra a promotora Rebeca Santana Rêgo. O médico estaria inconformado com a atuação dela no processo pelo assassinato da adolescente e não queria sua participação no julgamento pelo Tribunal do Júri.
A acusação sustenta que ele teria oferecido uma quantia elevada para a execução do crime, utilizando dinheiro de uma futura herança.
O Ministério Público considera que a suposta ameaça tinha como objetivo intimidar a promotora e dificultar sua atuação no processo criminal.
Feminicídio
Bruno Tomiello está preso desde 5 de maio de 2025, acusado de matar a namorada de 15 anos com um tiro na cabeça, em Guarantã do Norte. O crime ocorreu na madrugada de 3 de maio daquele ano.
Após o disparo, o médico levou a adolescente ao hospital, mas ela não resistiu aos ferimentos.
Inicialmente, Bruno alegou que a adolescente teria atirado contra si mesma. Posteriormente, em depoimento à Polícia Civil, afirmou que estava dentro de um carro com a namorada quando pegou uma arma que acreditava estar descarregada, apontou para a cabeça da jovem e apertou o gatilho.
O médico responde por feminicídio qualificado, além de crimes de trânsito e por oferecer bebida alcoólica a menor de idade.
Ele já foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri, mas ainda não há data divulgada para a sessão. O processo tramita em sigilo.
A nova ação penal sobre a suposta ameaça à promotora terá tramitação própria e não representa uma condenação antecipada do médico.


















