FELIPE CALLEJAS
Em um cenário econômico marcado por juros elevados, inflação persistente e incertezas políticas, decidir onde investir o próprio dinheiro exige cada vez mais cautela. Mais do que buscar rentabilidade imediata, o investidor precisa avaliar riscos, preservar patrimônio e construir estratégias que façam sentido no longo prazo. É nesse contexto que uma velha expressão popular brasileira volta a despertar interesse: quem compra terra não erra.
A frase carrega uma tradição de gerações que enxergam na terra um símbolo de segurança e prosperidade. Mas, no mercado atual, ela merece uma reflexão mais ampla. O que torna essa decisão potencialmente interessante é a combinação entre planejamento, localização, qualidade do ativo e horizonte de investimento.
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A conjuntura econômica influencia diretamente essas escolhas. Quando os juros permanecem elevados, aplicações de renda fixa tendem a oferecer retornos mais competitivos, enquanto o crédito imobiliário pode ficar mais caro e limitar a capacidade de compra de famílias e investidores. Ao mesmo tempo, a inflação e as expectativas sobre os rumos da economia reforçam a importância de avaliar como o patrimônio está distribuído.
O cenário político também faz parte dessa equação. Decisões relacionadas à política fiscal, aos investimentos em infraestrutura, à regulação e à condução da economia influenciam as expectativas dos agentes econômicos. Em períodos de maior incerteza, porém, a resposta não deve ser a tomada de decisões precipitadas, mas a análise criteriosa das alternativas disponíveis.
No mercado imobiliário urbano, entretanto, não basta comprar qualquer terreno e esperar que seu preço aumente. Localização, acesso a serviços, infraestrutura, regularidade documental, planejamento urbano e perspectivas de desenvolvimento da região são fatores determinantes. Também é necessário considerar a liquidez, os custos de manutenção e o tempo que pode ser necessário para concretizar uma eventual valorização.
Em Mato Grosso, onde a atividade econômica e a expansão das cidades criam novas demandas por moradia, serviços e espaços planejados, compreender a dinâmica de desenvolvimento urbano é especialmente relevante. O crescimento de uma região pode abrir oportunidades, mas os resultados dependem de fatores concretos, como investimentos, infraestrutura, demanda e ordenamento territorial. Por isso, a análise de cada empreendimento deve ir além das expectativas e se apoiar em fundamentos consistentes.
Há ainda uma dimensão que os números nem sempre conseguem traduzir. A terra representa a possibilidade de construir, planejar e deixar um patrimônio para as próximas gerações. Um terreno pode ser o primeiro passo para a realização de um projeto familiar, a formação de uma reserva patrimonial ou a concretização de um investimento pensado para o futuro.
Talvez seja justamente aí que a expressão popular encontre seu verdadeiro sentido. Comprar terra não significa acertar automaticamente, tampouco estar imune às oscilações econômicas. Significa reconhecer que decisões patrimoniais relevantes exigem visão de longo prazo, responsabilidade e conhecimento sobre aquilo em que se está investindo.
Em tempos de incerteza, não existem atalhos para construir patrimônio. Existem escolhas bem fundamentadas, análise de riscos e capacidade de enxergar oportunidades sem perder de vista a realidade. A terra pode fazer parte dessa estratégia, desde que seja adquirida com critérios e objetivos claros.
No fim, mais importante do que repetir que quem compra terra não erra é compreender por que, onde e para qual finalidade se está comprando. Porque o verdadeiro valor de um investimento não está apenas no preço de hoje, mas no potencial que ele pode desenvolver ao longo do tempo.
Felipe Callejas é diretor comercial da incorporadora Mangaba Urbanismo



















