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Bruno Tomiello responde pelo feminicídio da namorada, de 15 anos, e foi denunciado por suposta coação no curso do processo contra a promotora responsável pelo caso
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) ofereceu denúncia contra o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, acusado de ameaçar a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, que atua no processo criminal em que ele responde pelo feminicídio da namorada, uma adolescente de 15 anos, assassinada com um tiro na cabeça em Guarantã do Norte (a 710 km de Cuiabá), em maio do ano passado.
Conforme a denúncia, a ameaça contra a promotora teria ocorrido em 30 de junho de 2026, no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, onde Bruno estava preso preventivamente pela morte da namorada. Em julho, o médico foi transferido para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
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De acordo com o Ministério Público, Bruno teria demonstrado inconformismo com a atuação de Rebeca Santana Rêgo no processo criminal relacionado ao assassinato da adolescente. Durante o banho de sol na unidade prisional, ele teria perguntado a outro detento se conhecia alguém que pudesse cometer um atentado contra a promotora.
Ainda segundo a denúncia, o médico teria afirmado que não queria a participação dela em seu julgamento pelo Tribunal do Júri, alegando que Rebeca “iria foder com a vida dele”.
A denúncia aponta também que ele estaria disposto a pagar uma quantia elevada pela execução do atentado, utilizando recursos de uma futura herança.
Em depoimentos, outros presos que estavam na mesma cela que Bruno relataram que o médico demonstrou, por diversas vezes, descontentamento com a ação penal relacionada ao feminicídio e com a atuação da promotora Rebeca.
Para o Ministério Público, as declarações indicam uma tentativa de intimidar a promotora e impedir ou dificultar o exercício de suas funções no processo judicial.
“As declarações, diretamente relacionadas à atuação funcional da vítima, evidenciaram o propósito de intimidá-la e impedir ou dificultar o regular exercício de suas atribuições ministeriais”, diz trecho da denúncia, que foi assinada pela promotora Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.
Ainda na denúncia, o MP deixou de oferecer proposta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) e de Suspensão Condicional do Processo, sustentando que o crime imputado a Bruno foi praticado mediante grave ameaça.
O Ministério Público pediu ainda o recebimento da acusação e a citação de Bruno para que ele apresente a defesa e dê andamento à ação penal.
Ao final, pediu a condenação do médico pelo crime de coação no curso do processo e a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos, inclusive de natureza extrapatrimonial, caso sejam demonstrados durante a instrução processual.
A denúncia foi protocolada no último dia 15 de outubro e ainda não foi analisada pela Justiça.
Feminicídio
Bruno Tomiello esrá preso desde o dia 5 de maio de 2025 pelo feminicídio da namorada, de 15 anos, atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça, em Guarantã do Norte, na madrugada do dia 3 de maio do mesmo ano.
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De acordo com as investigações, o médico levou a adolescente ao hospital da cidade após o disparo, mas ela não resistiu aos ferimentos.
Inicialmente, Bruno teria sustentado que a jovem havia atirado contra si mesma. A investigação, no entanto, apontou o médico como autor do disparo. Em depoimento à polícia, ele afirmou que estava em um carro com a adolescente quando pegou uma arma que acreditava estar sem munição, apontou em direção à cabeça dela e apertou o gatilho.
O acusado responde por feminicídio qualificado, além de crimes de trânsito e por oferecer bebida alcoólica para menor.
Ele já foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri; contudo, a data da sessão ainda não foi divulgada pela Justiça. O caso tramita em sigilo.


















