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22 de Outubro de 2026, 09h:59 - A | A

POLÍCIA / DÍVIDA DE R$146 MIL

Justiça mantém cobrança contra empresária acusada de mandar matar advogado Renato Nery em Cuiabá

Julinere Goulart Bentos é alvo de ação por dívida relacionada à compra de peças agrícolas atribuída ao marido, Cesar Jorge Sechi; os dois estão presos sob acusação de envolvimento no assassinato de Renato Nery

Reprodução

Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi estão presos sob a acusação de serem mandantes do assassinato do advogado Renato Nery

Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi estão presos sob a acusação de serem mandantes do assassinato do advogado Renato Nery

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



A juíza da 2ª Vara Cível de Juara, Isabela Ramos Frutuoso Delmondes, manteve uma ação de cobrança contra a empresária Julinere Goulart Bentos por uma dívida de R$ 146 mil, contraída pelo marido dela, Cesar Jorge Sechi, relacionada à compra de peças agrícolas da empresa Lider Agrícola Distribuidor de Peças Ltda., em 2025.

O casal está preso desde maio do ano passado sob a acusação de ser mandante do assassinato do advogado Renato Nery, morto a tiros em julho de 2024, em Cuiabá.

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Em decisão publicada nessa quarta-feira (21), a magistrada rejeitou o pedido da defesa para retirar Julinere do processo.

De acordo com a empresa, o valor cobrado corresponde a 14 duplicatas mercantis emitidas entre janeiro e fevereiro de 2025. A Lider Agrícola sustenta que, embora os documentos tenham sido assinados por Cesar, a dívida poderia ser exigida de Julinere.

A defesa, por outro lado, afirma que Julinere nunca contratou diretamente com a empresa, não assinou os títulos, não recebeu as mercadorias e não autorizou Cesar a realizar compras em seu nome.

Outro argumento apresentado é que os dois possuem escritura pública de união estável com regime de separação total de bens. Segundo a defesa, esse regime impede que obrigações financeiras de um sejam automaticamente atribuídas ao outro.

A empresa contestou os argumentos e apresentou documentos que, segundo ela, indicariam uma relação comercial envolvendo Julinere e Cesar.

Ao analisar o caso, a juíza entendeu que ainda não é possível encerrar a ação sem investigar melhor os fatos.

A decisão esclarece que a empresa atribui a Julinere a responsabilidade pela compra das mercadorias e afirma que Cesar teria agido em nome dela. Por isso, a Justiça considerou que ela deve continuar no processo até que as provas sejam analisadas.

Entre os pontos que serão investigados estão se Julinere participou das compras, se Cesar tinha autorização para agir em nome dela, se as mercadorias foram realmente entregues e quais são os efeitos do regime de separação total de bens sobre a cobrança.

Isabela Ramos Frutuoso Delmondes autorizou a produção de provas testemunhais, que poderão ajudar a esclarecer como as compras foram realizadas e quem participou das negociações.

As partes deverão apresentar a lista de testemunhas que pretendem ouvir durante o processo. Depois dessa etapa, a Justiça poderá avaliar as provas reunidas e decidir se a cobrança é procedente ou não.

Caso Renato Nery

O advogado Renato Nery, de 72 anos, foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.

A motivação seria uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim. Após décadas de disputa, Renato Nery tornou-se coproprietário da terra, o que teria causado insatisfação no casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), apontados como mandantes do crime.

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Além disso, em março daquele ano, Renato Nery obteve uma liminar no Tribunal de Justiça que suspendeu o pagamento de arrendamentos mensais superiores a R$ 2 milhões. Em junho, houve a confirmação do bloqueio dos repasses.

As investigações também identificaram a participação dos policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam atuado como intermediários do crime.

O executor foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, que já foi submetido ao Tribunal do Júri e foi condenado a 36 anos de prisão.

O crime teria sido executado mediante promessa de pagamento de R$ 215 mil.

Os demais envolvidos estão presos, mas ainda não foram condenados.

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