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22 de Julho de 2025, 07h:00 - A | A

POLÍCIA / CASO RENATO NERY

Empresária fazia ameaças públicas a advogado: "Ele não vai viver para gastar o que tomou de mim"

Julinere Goulart e o marido Jorge Sechi foram denunciados pelo Ministério Público como mandantes do crime.

Reprodução

Julinere Goulart está presa por ser mandante do assassinato do advogado Renato Nery.

Julinere Goulart está presa por ser mandante do assassinato do advogado Renato Nery.

VANESSA MORENO
DO REPORTÉR MT



A empresária Julinere Goulart Bentos, apontada como mandante do assassinato do advogado Renato Nery, fazia ameaças públicas à vítima, chegando a dizer que “ele não ia viver para gastar o que tomou dela”, conforme consta na denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

Ela e o marido, Cesar Jorge Sechi, estão presos desde o início de maio e foram denunciados na última sexta-feira (18) por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, que resultou em perigo comum e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de organização criminosa.

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De acordo com o MP, as investigações da Polícia Civil de Mato Grosso evidenciaram elementos robustos do envolvimento de Julinere e Cesar no assassinato de Renato Nery, em julho de 2024, em Cuiabá. Ela teria exercido o papel de mentora intelectual do crime, juntamente com o marido, pois ambos tinham um profundo ressentimento decorrente de uma derrota judicial envolvendo uma propriedade no município de Novo São Joaquim.

“Após décadas de litígio, a vítima Renato Gomes Nery obteve êxito na ação judicial relacionada à área em litígio com os denunciados, circunstância que gerou manifesto inconformismo por parte de Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi”, destacou o Ministério Público.

De acordo com o relato do jornalista Cláudio Natal, que chegou a ser preso durante investigações do assassinato do advogado, Julinere exteriorizava publicamente sua indignação contra Renato Nery.

“Consoante o relato da testemunha Cláudio Roberto Natal Júnior, durante o transcurso das disputas judiciais, a denunciada Julinere asseverava que "ele não ia viver para gastar o que tomou dela. Posteriormente ao óbito da vítima, a referida testemunha declarou compreender que a ameaça havia se concretizado", diz trecho da denúncia.

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Julinere, tomada por inconformismo após perder a ação judicial, teria articulado contatos para viabilizar o crime. O MP chegou a destacar que, durante as investigações, a mandante confessou, de modo informal ao delegado responsável pelo caso, Bruno Abreu, que mandou matar o advogado.

Quanto a Jorge Sechi, ele também foi apontado pelo MP como mentor intelectual do assassinato e, de acordo com a denúncia, foi ele quem viabilizou o dinheiro usado para encomendar o crime.

Julinere e Jorge contrataram os executores de Renato Nery por R$200 mil. O policial militar Jackson Pereira Barbosa, que também está preso e também foi denunciado pelo MP, foi o intermediário.

Ainda de acordo com o MP, o envolvimento de Cesar Sechi ficou ainda mais evidenciado com provas de que, em outubro do ano passado, três meses após o assassinato, Jackson teria escrito um bilhete de próprio punho cobrando o pagamento pelo crime, a ser repassado para o policial militar Heron Teixeira, que é réu por também atuar como intermediário do crime, e para o executor Alex Roberto.

“O conteúdo do bilhete constitui prova irrefutável do contato entre os envolvidos após a consumação do delito e corrobora a autoria atribuível ao denunciado Cesar Jorge Sechi, mormente no que concerne à articulação financeira e à contratação do réu Jackson Pereira Barbosa como intermediário no assassinato da vítima Renato Gomes Nery”, narra o MP.

A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Élide Manzini de Campos, Rinaldo Segundo e Vinicius Gahyva.

Articulação com os envolvidos no assassinato

Julinete Goulart e Cesar Jorge estabeleceram contato com o PM Jackson Pereira, que mantinha amizade com outros PMs e contratou Heron e Alex para cometerem o assassinato.

Jackson teria informado para Heron que o casal de empresário eram os mandantes do crime.

Renato Nery foi assassinado com sete tiros no dia 5 de julho, às 9 horas, em frente ao escritório de advocacia dele, na avenida Fernando Correa, em Cuiabá.

Os disparos foram efetuados por Alex, que usava uma arma Glock modelo G17, calibre 9 milímetros, equipada com seletor de tiro para permitir o uso nas funções semiautomática e automática e adaptada para tiros em rajada. A arma teria sido fornecida pelo também policial militar Ícaro Nathan Santos Ferreira, que integrava o Batalhão de Ronda Ostensiva Tático Metropolitana, e entregue em mãos a Heron dentro do batalhão.

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Dias após o crime, outros quatro PMs forjaram um falso confronto para dar fim na pistola. São eles: Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso. Todos chegaram a ser presos, mas foram soltos mediante a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

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