Montagem Repórter-MT

Nilza foi assassinada e enterrada no quintal de uma residência em Cuiabá. Para não deixar vestígios, ele contratou uma máquina para cavar a cova.
VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, prorrogou por mais 120 dias a investigação que apura se outras pessoas participaram do assassinato da empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. A decisão permite que a Polícia Civil continue investigando uma possível participação de terceiros no crime, mesmo após o marido da vítima, Jackson Pinto da Silva, já ter sido enviado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Jackson responde pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e falsa comunicação de crime. No entanto, segundo o magistrado, o fato de ele já estar respondendo ao processo não impede a continuidade dessa investigação paralela, que busca esclarecer a motivação do assassinato, identificar possíveis cúmplices e reconstruir toda a sequência dos fatos.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Conforme a investigação, no dia 4 de maio deste ano, Jackson teria matado a esposa por enforcamento com uma braçadeira de nylon enquanto ela dormia. Depois, colocou o corpo em um Fiat Argo e o levou até outro imóvel que pertencia à vítima. No local, contratou uma máquina para cavar um buraco no quintal e enterrou o corpo.
Ainda de acordo com o inquérito, após o crime, ele retirou o HD do sistema de câmeras da casa e o escondeu no forro de uma edícula. Em seguida, usou o celular da própria empresária para simular que ela havia sido sequestrada por uma facção criminosa e chegou a registrar um boletim de ocorrência falso. Posteriormente, confessou o assassinato e indicou aos policiais onde o corpo estava enterrado.
Para o juiz, essa sequência de ações pode indicar que Jackson não tenha agido sozinho. Por isso, ele considerou necessário dar continuidade às investigações para apurar se houve participação de outras pessoas e concluir perícias que ainda estão em andamento.
Entre as diligências pendentes estão as análises dos celulares, HD, DVR, notebook e cartão de memória apreendidos. A Polícia Civil também vai verificar dados de geolocalização, movimentações financeiras, imagens de câmeras de segurança e ouvir novas testemunhas.
Na decisão, Marcos Faleiros destacou que o Ministério Público concordou com a prorrogação da investigação. O magistrado também determinou que a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) dê prioridade à conclusão das perícias e da apuração sobre a possível participação de terceiros no crime. Ao fim dos 120 dias, a Polícia Civil deverá apresentar um relatório final à Justiça.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.


















