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23 de Outubro de 2026

17 de Agosto de 2026, 14h:03 - A | A

POLÍCIA / FEMINICÍDIO EM CUIABÁ

Delegado questiona versão de PM investigado por fuga de feminicida: “Difícil um suspeito ficar 8 minutos no telefone com um policial”

Joarez Candido Silva passou oito minutos no telefone com Fabiano Oliveira Borges, apontado como assassino de Ana Cristina Pacheco Matos

Reprodução

Delegado Bruno Abreu desconfia de versão apresentada por Joarez Candido Silva em relação à ligação com feminicida

Delegado Bruno Abreu desconfia de versão apresentada por Joarez Candido Silva em relação à ligação com feminicida

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações do feminicídio de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, assassinada no último sábado (15) com um tiro na nuca dado pelo namorado, Fabiano Oliveira Borges, vulgo “Pepi”, desconfia da versão apresentada pelo subtenente do 9º Batalhão da Polícia Militar Joarez Candido Silva, investigado por suposto envolvimento na fuga do feminicida. O crime ocorreu no Bairro Alvorada, em Cuiabá.

Em depoimento prestado na DHPP na manhã de hoje (17), o PM esclareceu uma mensagem enviada por ele ao assassino pouco após o crime e uma ligação de oito minutos feita pelo assassino para o policial. De acordo com a versão apresentada por Joarez, ele conhecia Fabiano porque ele era proprietário da loja PepiCell Assistência Técnica e arrumava seu celular. O militar alega que entrou em contato com ele para tentar prendê-lo, na esperança de que ele se entregasse.

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Bruno Abreu, contudo, não acredita que o PM tenha falado a verdade no depoimento.

“Ele ficou oito minutos no telefone e a versão dele é que ele estava tentando fazer com que o cara se entregasse. Agora, um suspeito que acaba de matar uma ex-namorada falando no telefone com um policial militar, eu acho difícil um suspeito ficar oito minutos no telefone com um policial militar dando essa brecha de ficar esse tempo todo no telefone”, disse.

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À imprensa, o delegado supôs que o feminicida confiava no policial para ficar oito minutos no telefone com ele sem medo de estar sendo rastreado.

“Confiava nele, provavelmente, porque oito minutos no telefone dá tempo de você às vezes rastrear, tem várias formas de conseguir identificar a pessoa e tentar prender. Eu acredito que o suspeito não ia ficar realmente no telefone com um estranho””, afirmou.

Fabiano matou Ana Cristina por volta das 6h de sábado, na kitnet onde ela morava, no bairro Alvorada, e fugiu logo em seguida. Ainda de acordo com o delegado, o PM, que está de licença do serviço, ficou sabendo do crime às 10h40, após a comandante de seu batalhão enviar uma mensagem em um grupo de WhatsApp pedindo esforços policiais para capturar o feminicida.

Imediatamente, Joarez enviou uma mensagem para Fabiano. Alguns minutos depois, o assassino ligou para o PM.

Para Bruno Abreu, se o militar tivesse informado aos superiores que estava em contato com o feminicida, provavelmente ele estaria preso.

“Ele estava em contato com o suspeito e não passou a ninguém, nenhuma informação. Se ele tivesse passado eu acredito que a gente poderia estar com ele preso, porque estava falando com ele no telefone e naquela hora ali ele ainda estava na cidade”, declarou.

Em entrevista, o delegado disse também que, durante o depoimento do subtenente Joarez Candido Silva, outro policial militar esteve presente e questionou se ele estava tentando prender Fabiano por conta própria a fim de receber alguma bonificação, e ele deixou claro que esse seria um dos motivos.

“Pelo visto, ele deixou claro que ele queria ser talvez o herói da prisão, mas mesmo assim a gente não acredita nisso”, destacou Bruno Abreu.

Também nesta manhã, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na loja PepiCell. No local, os policiais encontraram o estabelecimento arrombado e revirado.

A ordem judicial era para que todos os aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, fossem apreendidos, mas nenhum equipamento foi encontrado no local.

Ao RepórterMT, o delegado Bruno Abreu, responsável pelo caso, informou que foi apreendido apenas o coldre do revólver que foi utilizado no crime. Além do mandado de busca e apreensão, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias contra Fabiano Oliveira Borges.

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Além de ser conhecido como Pepi, o assassino também usa os nomes falsos de Peterson ou Igor Fernandes.

O crime

Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi assassinada por Fabiano Oliveira Borges com um tiro na nuca na manhã do último sábado, 15 de agosto, dentro da kitnet onde morava, no bairro Alvorada, em Cuiabá.

O crime teria ocorrido na frente do filho dela, de 3 anos de idade.

Após o disparo, Fabiano teria trancado a porta do imóvel e fugido em uma motocicleta, deixando a criança sozinha no local com a mãe gravemente ferida.

O menino e a vítima foram encontrados pelo ex-marido de Ana Cristina, que foi até o local após uma testemunha ligar para ele e dizer que havia ouvido um barulho de tiro vindo da casa da jovem.

Ela foi socorrida e levada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O relacionamento entre Ana Cristina e Fabiano tinha aproximadamente um mês. Além da criança de 3 anos, ela deixou outro filho, que tem necessidades especiais.

Possível premeditação

A investigação do feminicídio é conduzida pelo delegado Bruno Abreu, da DHPP.

Conforme informado por ele, há indícios de que o assassinato tenha sido premeditado, pois Fabiano deixou uma mala com roupas prontas na casa de Ana Cristina, o que indica, segundo o delegado, que ele pretendia criar um álibi e alegar que estaria viajando no horário do crime.

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A mala, no entanto, teria sido deixada no imóvel porque o assassino fugiu de motocicleta.

Outro elemento analisado pela investigação é o relato de uma testemunha, que disse que Fabiano esteve na casa da vítima por volta das 18h de sexta-feira (14) e deixou a motocicleta em uma posição considerada incomum.

Na ocasião, Ana Cristina teria contado que pretendia reatar o relacionamento com o ex-marido. Fabiano, então, teria ameaçado a jovem e dito que ela “não ia ficar com ninguém”.

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Dedador 18/08/2026

Vamos quebrar o sigilo telefônico deles e ouvir as conversas, daí teremos certeza do que o PM conversou com ele. Se estava protegendo, tem que ser exonerado da PM, pois que protege um feminicida, protege um latrocida, um traficaste e outros criminosos.

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