ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTER MT
O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu com ironia à fala do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que recentemente declarou que solucionar o crônico problema de abastecimento de água em Várzea Grande é o principal desafio de sua gestão.
Ao comentar a disposição do chefe do Palácio Paiaguás em intervir no caos logístico do saneamento do município, Júlio disparou: “Se ele faz esse compromisso de ajudar a prefeitura de Várzea Grande, resolver o problema de abastecimento de água a curto prazo, seria excelente. Vai ter meu aplauso e, se brincar, posso até votar nele”.
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Apesar de classificar o anúncio como uma "excelente notícia", o líder do clã Campos demonstrou foi cético em relação ao cronograma estipulado por Pivetta para entregar as melhorias estruturais na cidade. “É difícil resolver em quatro meses o problema crucial dos últimos 10 anos que Várzea Grande vive com relação ao abastecimento de água”.
A cobrança sobre o saneamento toca diretamente na ferida do reduto eleitoral da família Campos, tendo sido governada por Júlio, por seu irmão Jayme Campos e, mais recentemente, por Lucimar Campos, casada com Jayme, e em seguida por Kalil Baracat. Diante das críticas de adversários que apontam a permanência do grupo no poder como responsável pelo colapso da falta de água, Júlio se defendeu argumentando que o último mandato de Jayme terminou em 2004 e que, de lá para cá, o município enfrentou uma explosão demográfica de 200 mil para 315 mil habitantes.
Ele apontou que a cidade virou o maior polo de conjuntos habitacionais do Estado, o que estrangulou a rede, e que a atual prefeita Flávia Moretti já estuda terceirizar o sistema. "Esse chapéu não é nosso, nós cumprimos o nosso dever", afirmou Júlio, concluindo que o apoio a Pivetta será irrestrito caso o dinheiro venha: “Se o governo do Estado está prometendo ajudar a resolver... bem-vindo, doutor, conosco”.
Intervenção do Estado
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) acionou o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) para tirar a autonomia da Prefeitura de Várzea Grande sobre o saneamento da cidade. Em um ofício assinado na última quinta-feira, 2 de julho, o conselheiro Antonio Joaquim cobrou uma ação judicial imediata para que o governo do Estado intervenha no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG).
A mesma notificação foi entregue ao governador Otaviano Pivetta.
O tamanho do rombo
DAE-VG
Ofícios expõem colapso com rombo de R$ 475 milhões e "reiterada precariedade" no abastecimento
Os relatórios técnicos do Tribunal de Contas revelam um buraco financeiro que inviabiliza a continuidade dos serviços da autarquia. Segundo a auditoria, o DAE acumulou uma dívida monumental de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica Energisa. Além disso, o órgão escondeu de seu balanço oficial outros R$ 143,9 milhões em precatórios.
O descontrole é tão grande que, enquanto acumula cobranças milionárias de fornecedores, a autarquia simplesmente deixou de cobrar quem deve para ela. A fiscalização apontou que o DAE de Várzea Grande deixou vencer R$ 158,8 milhões em tarifas atrasadas de água e esgoto sem registrar os devedores na dívida ativa, abrindo mão de um dinheiro essencial para investir na rede de abastecimento.
Por conta disso, os conselheiros ordenaram a abertura de Tomada de Contas para apurar os erros contábeis e enviaram uma cópia do dossiê para a Câmara de Vereadores de Várzea Grande.
População sofre com torneiras secas
O pedido de intervenção levado ao Ministério Público destaca o impacto social sofrido pela populaçã, mencionando expressamente "a relevante repercussão social decorrente da ausência de água no Município de Várzea Grande".
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A decisão de pedir o afastamento da diretoria ocorreu porque a autarquia ignorou os alertas, descumpriu as ordens anteriores emitidas pelo TCE-MT e mostrou que as medidas adotadas até agora não resolvem a falta crônica de água nas casas dos moradores.
Veja vídeo:
























