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29 de Outubro de 2026

08 de Julho de 2026, 16h:44 - A | A

POLÍTICA / GARGALO DOS CAMPOS

"Se brincar, posso até votar nele", diz Júlio sobre promessa de Pivetta resolver falta de água em Várzea Grande

Cacique do União Brasil elogia compromisso do governador em resolver colapso no abastecimento a curto prazo, mas ironiza viabilidade técnica em apenas quatro meses.

Karine Arruda/RepórterMT

Júlio, que já foi prefeito de Várzea Grande, tratou a situação com ironia

Júlio, que já foi prefeito de Várzea Grande, tratou a situação com ironia

ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTER MT



O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu com ironia à fala do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que recentemente declarou que solucionar o crônico problema de abastecimento de água em Várzea Grande é o principal desafio de sua gestão.

Ao comentar a disposição do chefe do Palácio Paiaguás em intervir no caos logístico do saneamento do município, Júlio disparou: “Se ele faz esse compromisso de ajudar a prefeitura de Várzea Grande, resolver o problema de abastecimento de água a curto prazo, seria excelente. Vai ter meu aplauso e, se brincar, posso até votar nele”.

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Apesar de classificar o anúncio como uma "excelente notícia", o líder do clã Campos demonstrou foi cético em relação ao cronograma estipulado por Pivetta para entregar as melhorias estruturais na cidade. “É difícil resolver em quatro meses o problema crucial dos últimos 10 anos que Várzea Grande vive com relação ao abastecimento de água”.

A cobrança sobre o saneamento toca diretamente na ferida do reduto eleitoral da família Campos, tendo sido governada por Júlio, por seu irmão Jayme Campos e, mais recentemente, por Lucimar Campos, casada com Jayme, e em seguida por Kalil Baracat. Diante das críticas de adversários que apontam a permanência do grupo no poder como responsável pelo colapso da falta de água, Júlio se defendeu argumentando que o último mandato de Jayme terminou em 2004 e que, de lá para cá, o município enfrentou uma explosão demográfica de 200 mil para 315 mil habitantes.

Ele apontou que a cidade virou o maior polo de conjuntos habitacionais do Estado, o que estrangulou a rede, e que a atual prefeita Flávia Moretti já estuda terceirizar o sistema. "Esse chapéu não é nosso, nós cumprimos o nosso dever", afirmou Júlio, concluindo que o apoio a Pivetta será irrestrito caso o dinheiro venha: “Se o governo do Estado está prometendo ajudar a resolver... bem-vindo, doutor, conosco”.

Intervenção do Estado

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) acionou o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) para tirar a autonomia da Prefeitura de Várzea Grande sobre o saneamento da cidade. Em um ofício assinado na última quinta-feira, 2 de julho, o conselheiro Antonio Joaquim cobrou uma ação judicial imediata para que o governo do Estado intervenha no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG).

A mesma notificação foi entregue ao governador Otaviano Pivetta.

LEIA MAIS: Com dívidas de R$ 475 milhões e torneiras secas, TCE pede intervenção estadual no DAE de Várzea Grande

O tamanho do rombo

 

DAE-VG

DAE-VG

Ofícios expõem colapso com rombo de R$ 475 milhões e "reiterada precariedade" no abastecimento

Os relatórios técnicos do Tribunal de Contas revelam um buraco financeiro que inviabiliza a continuidade dos serviços da autarquia. Segundo a auditoria, o DAE acumulou uma dívida monumental de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica Energisa. Além disso, o órgão escondeu de seu balanço oficial outros R$ 143,9 milhões em precatórios.

O descontrole é tão grande que, enquanto acumula cobranças milionárias de fornecedores, a autarquia simplesmente deixou de cobrar quem deve para ela. A fiscalização apontou que o DAE de Várzea Grande deixou vencer R$ 158,8 milhões em tarifas atrasadas de água e esgoto sem registrar os devedores na dívida ativa, abrindo mão de um dinheiro essencial para investir na rede de abastecimento.

Por conta disso, os conselheiros ordenaram a abertura de Tomada de Contas para apurar os erros contábeis e enviaram uma cópia do dossiê para a Câmara de Vereadores de Várzea Grande.

População sofre com torneiras secas

O pedido de intervenção levado ao Ministério Público destaca o impacto social sofrido pela populaçã, mencionando expressamente "a relevante repercussão social decorrente da ausência de água no Município de Várzea Grande".

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A decisão de pedir o afastamento da diretoria ocorreu porque a autarquia ignorou os alertas, descumpriu as ordens anteriores emitidas pelo TCE-MT e mostrou que as medidas adotadas até agora não resolvem a falta crônica de água nas casas dos moradores.

Veja vídeo:

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