DO REPÓRTERMT
O conselheiro Waldir Teis, que assumiu automaticamente a presidência do Tribunal de Contas (TCE-MT) após a prisão do então presidente Sérgio Ricardo, suspendeu os prazos processuais de hoje (29), bem como a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira (3).
A decisão ocorre após a deflagração da Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, na manhã desta quinta, que apura fraudes em contratos administrativos e pagamentos efetuados pela Corte de Contas. A Justiça também determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar.
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Entre os presos também estão o consultor jurídico Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva, assessor jurídico Felipe José Glinke, a chefe de gabinete da presidência Roseli Loss e o secretário executivo Adriangelo Barros.
Em nota à imprensa, Teis afirmou que a operação policial, por envolver membros do colegiado e servidores da instituição, exige a adoção de uma série de medidas para cumprir as determinações judiciais. “A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais”, diz um trecho da nota.
O presidente também ressaltou que o TCE-MT continuará trabalhando com responsabilidade para cumprir sua missão constitucional de controle externo da administração pública.
A substituição de Sérgio Ricardo por Waldir Teis ocorreu automaticamente, em razão das medidas judiciais determinadas pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes. Com isso, a mudança no comando do Tribunal não precisou ser submetida à votação do Pleno.
Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o ministro determinou medidas cautelares contra os investigados com o objetivo de evitar a destruição de documentos, impedir a continuidade de movimentações financeiras suspeitas e garantir o andamento das investigações.
Confira a nota na íntegra:
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), diante dos recentes acontecimentos envolvendo membros do colegiado e servidores, em decorrência de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), informa que adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça.
A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.
Ficam suspensos o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira (29), bem como a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira (3), para fins de organização processual.
O TCE-MT seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo.
A operação
A Operação Tomada de Contas teve 21 alvos ligados ao TCE-MT. Policiais federais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em gabinetes de conselheiros dentro do Tribunal, além de endereços residenciais vinculados aos investigados.
Durante as diligências, foram apreendidos uísques, vinhos, relógios, veículos de luxo e uma quantia expressiva em dinheiro, em reais e euros.
Suspeita de lavagem de dinheiro
De acordo com informações atribuídas à investigação, o consultor jurídico Grhegory Paiva Pires Moreira Maia é apontado pelo STJ como um dos maiores destinatários individuais de recursos ilícitos supostamente movimentados pela organização criminosa investigada. O valor atribuído a ele seria de aproximadamente R$ 32 milhões.
Desse montante, cerca de R$ 31 milhões teriam sido transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas, com depósitos realizados simultaneamente em 12 contas distribuídas por nove instituições financeiras.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o consultor também teria constituído estruturas societárias que poderiam ter sido utilizadas no esquema de movimentação de recursos. Entre elas está a empresa Maia Reining Horses Ltda., voltada à atividade com cavalos de raça e constituída em 22 de julho de 2025.
As suspeitas e os valores apontados fazem parte das investigações e deverão ser esclarecidos no decorrer do processo judicial.
























