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11 de Setembro de 2026

11 de Setembro de 2026, 16h:25 - A | A

POLÍTICA / ELEIÇÃO DA MESA

Paula Calil vai insistir em mudar regimento interno mesmo após negativa da Justiça

Presidente da Câmara de Cuiabá comenta decisão do Tribunal de Justiça sobre ação movida pela Prefeitura de Cuiabá e reforça união de grupo para a disputa da Mesa Diretora.

Câmara de Cuiabá

Prefeitura propõe ação direta contra 11 trechos do Regimento Interno para permitir alteração de normas

Prefeitura propõe ação direta contra 11 trechos do Regimento Interno para permitir alteração de normas

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que seu grupo político irá analisar uma nova estratégia após a manutenção da decisão que preservou, neste momento, a exigência de quórum qualificado de dois terços para a eleição da Mesa Diretora.

A manifestação ocorre após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manter o indeferimento da liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pela Prefeitura.

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Recebo com tranquilidade a decisão mais recente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) sobre a ADI referente ao quórum para uma possível recondução minha à presidência da Câmara e respeito plenamente o entendimento da Justiça nesse sentido. A partir dessa decisão, o grupo que me acompanha irá analisar uma nova estratégia. Sigo como o nome de consenso dentro do grupo e seguiremos unidos, mantendo o diálogo com os vereadores até a eleição, para encontrarmos, juntos, o melhor caminho, sempre pautados pelo respeito, pela ética e pela transparência dos atos”, declarou a parlamentar por meio de nota.

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A controvérsia jurídica gira em torno de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo prefeito Abilio Brunini (PL), com o apoio da própria Câmara Municipal, para questionar trechos do artigo 177 do Regimento Interno da Casa.

O dispositivo exige o voto favorável de dois terços dos 27 parlamentares para a aprovação de um novo regimento interno. A proposta beneficiaria Paula Calil, que não precisaria mais ter a maioria dos votos para ser reconduzida ao cargo.

Além disso, o projeto prevê quórum simples para concessões de incentivos fiscais, alienação de imóveis públicos e criação de distritos.

O pedido de liminar feito pelo Executivo municipal foi inicialmente negado pela relatora do processo no Órgão Especial do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho. Na fundamentação, a magistrada apontou a ausência do periculum in mora (perigo na demora), destacando que as regras contestadas vigoram há cerca de dez anos e que a movimentação judicial ocorreu logo após uma consulta institucional voltada à tramitação de regras sobre a recondução da Mesa Diretora, fator que afasta a urgência súbita exigida para suspender normas de forma abrupta antes do contraditório. Com a manutenção da decisão pela relatora, o mérito da ADI segue para o julgamento definitivo do colegiado de desembargadores.

Embora o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tenha emitido parecer anterior favorável à procedência da ação, argumentando que a exigência de dois terços extrapola o modelo constitucional de maioria simples e confere poder excessivo à minoria, a falta de suspensão imediata da regra mantém o quórum qualificado em vigor enquanto o processo tramita.

A disputa regimental ocorre de forma concomitante às articulações políticas internas para a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, agendada para o próximo dia 6 de outubro.

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O que pode mudar

Se a liminar for concedida pelo Tribunal de Justiça, os aliados do prefeito não vão precisar de dois terços de vereaores presentes em sessões para aprovar projetos. O quórum cai para maioria simples (metade mais um dos vereadores que estiverem presentes na sessão) tanto para mudar o Regimento Interno quanto para aprovar temas fiscais e de gestão como:

Concessão de isenções fiscais, perdão de dívidas e descontos em impostos;

Venda, compra ou doação de terrenos e imóveis públicos;

Alterações no mapa do município ou criação de novos distritos;

Entrega de títulos honoríficos e declarações de utilidade pública.

O objetivo do município com esse pedido é evitar que leis de incentivos fiscais antigas, doações de áreas públicas e títulos concedidos nos últimos dez anos percam a validade de forma retroativa, o que provocaria uma onda de disputas judiciais e instabilidade institucional em Cuiabá.

O caso aguarda uma decisão liminar do relator no Órgão Especial do TJMT.

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