ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
Após a divulgação de um vídeo de câmeras de segurança que mostram a dinâmica do assassinato da empresária Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, a família do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson registrou um boletim de ocorrência contra o advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua como assistente da acusação.
O crime ocorreu em junho de 2025, em Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá), em Mato Grosso, onde Gleici foi morta com 16 facadas. A filha do casal, de apenas sete anos de idade, também foi esfaqueada pelo próprio pai, mas foi socorrida, passou 22 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sobreviveu.
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O boletim de ocorrência foi feito no último domingo (6) por um irmão de Daniel, apontado como curador do acusado. No documento, a família argumenta que a exibição das gravações, que mostram a movimentação na residência antes e depois do homicídio, violaria o segredo de Justiça e geraria exposição indevida de familiares, pedindo a remoção dos arquivos e a apuração de responsabilidades cíveis e criminais.
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Ao tomar conhecimento da medida, Pouso utilizou as redes sociais para ironizar o registro policial e confirmou que novas gravações serão publicadas. "Então registraram B.O., né? Amanhã tem mais vídeo! Aguardem. Inclusive, vou juntar esses vídeos para serem usados lá no Tribunal do Júri. Aí, sim. Por enquanto os vídeos não estão no processo"", declarou o advogado.
Veja o vídeo:
O advogado garante que as imagens veiculadas não integram processos sob sigilo e pertencem às filhas da vítima. Pouso também questionou o fato de o boletim de ocorrência ter sido formalizado incluindo o nome da criança sobrevivente ao ataque, lembrando que atua como representante legal da menor.
"Esse vídeo não está relacionado com processo nenhum. Esse vídeo não tem sigilo. Esse vídeo é de propriedade, inclusive, das filhas da vítima", disse o advogado.
Na mesma publicação, o advogado cobrou o pagamento de pensão alimentícia destinada à criança e afirmou que todo o material audiovisual será apresentado perante o Tribunal do Júri para contestar a tese de surto psicótico sustentada pela defesa do réu, que atualmente está internado em Cuiabá.
O crime
As imagens mostram que, dias antes do feminicídio, Daniel discutiu com Gleici em mais de uma ocasião. As discussões eram motivadas por questões financeiras. Em uma das discussões, o feminicida disse, alterado: “Paguei R$ 100 mil em cabo aí. Tem Starlink, tem tudo aí, agora foi o dinheiro tudo aí”.
Reprodução
Gleici Keli (de blusa preta) deixou duas filhas após ser brutalmente morta a facadas.
Em outra ocasião, a irmã do feminicida e cunhada de Gleici aparece tentando acalmar Daniel, dizendo: “Dani, pelo amor de Deus, não faz isso”. Também nas imagens divulgadas pelo advogado, aparece um print de uma mensagem enviada pela cunhada a Gleici, pedindo que ela escondesse as facas da casa, pois havia sentido algo ruim.
Para o advogado, a irmã do assassino sabia com qual arma ele mataria a esposa. Em outra imagem, Gleici Keli aparece pedindo que o homem pare de causar traumas na família.
No dia do crime, Daniel anda de um lado para o outro, pensativo, até o momento em que pega uma faca na cozinha, vai até o quarto, mata a esposa, que ainda dormia, com cerca de 16 facadas e volta com as mãos e os braços sujos de sangue.
Ainda com a faca nas mãos, ele volta para matar a própria filha, que chega a gritar: “Pai”. Em seguida, a irmã dele chega ao local, pedindo calma e dizendo que precisam salvar a criança. Após a menina ser socorrida, o assassino limpa o chão, onde havia pingado sangue pela casa. Para Rodrigo Pouso, que atua como assistente de acusação no caso, o crime foi premeditado.
Daniel Frasson foi submetido a um exame de insanidade mental, e um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) atestou que ele é inimputável devido a um quadro de depressão. Agora, ele está internado em uma clínica particular e, segundo o advogado, já gastou mais de R$ 200 mil dos cofres públicos, pois o tratamento seria custeado pelo Estado.
No vídeo, é possível ver as instalações onde se encontra o feminicida. “Merece cadeia ou spa?”, questiona o advogado, que pede justiça.
Relembre o caso
A empresária Gleici Keli, de 42 anos, foi assassinada com 16 facadas pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, na manhã do dia 24 de julho de 2025, em Lucas do Rio Verde.
Montagem/RepórterMT
Gleici Keli foi assassinada enquanto dormia.
Após matar a esposa, o assassino atacou a própria filha, de sete anos, com oito facadas. Ela foi socorrida em estado grave e teve que ser transferida para um hospital de Cuiabá, onde passou 22 dias internada na UTI.
Após atacar as vítimas, Daniel deu uma facada no próprio abdômen, em uma suposta tentativa de suicídio. Ele foi socorrido, passou por cirurgia e foi preso após receber alta médica.
Nas redes sociais, Caroline Fernandes, que agora detém a guarda da irmã, disse que a criança ficou com sequelas tanto físicas quanto psicológicas.
Laudo
O laudo que atestou a inimputabilidade de Daniel Frasson é um documento que determina a incapacidade legal de receber uma pena criminal convencional devido a uma doença mental.
Reprodução
Daniel está internado em uma clínica psiquiátrica.
Significa que os peritos entenderam que o feminicida não conseguia compreender que estava cometendo um crime enquanto esfaqueava a esposa e a filha, ou não conseguia se determinar de acordo com esse entendimento.
A inimputabilidade o isenta da pena de prisão e o submete a medidas de segurança, como tratamento psiquiátrico e internação.













