Cuiabá, 11 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
11 de Setembro de 2026

11 de Setembro de 2026, 10h:58 - A | A

POLÍTICA / PERPETUAÇÃO NO PODER

Prefeitura entra na Justiça para impedir manobra relâmpago na AMM e barrar reeleição de Maninho

Nova Xavantina aponta cerceamento de chapas opositoras, questiona quórum de assembleia e acusa gestão de acelerar pleito para blindar chapa única.

Reprodução

Recém-empossado, Maninho formou chapa de prefeitos para se reeleger

Recém-empossado, Maninho formou chapa de prefeitos para se reeleger

KARINE ARRUDA
ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



A corrida pela presidência da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) virou alvo de uma guerra jurídica. O município de Nova Xavantina ingressou na 7ª Vara Cível de Cuiabá com uma ação declaratória munida de pedido liminar para paralisar o pleito agendado para o próximo dia 16 de setembro, apontando uma manobra estatutária de última hora para blindar a permanência do atual grupo no poder.

Conforme os autos subscritos pelo advogado Celso Anselmo Bicudo Paula Souza Junior, a ação gira em torno de uma reforma no Estatuto Social aprovada em assembleia relâmpago no último dia 4 de agosto. Embora a entidade alegue legalidade, a prefeitura detalha que a alteração normativa só teve seu teor integral revelado em 24 de agosto, através da Resolução nº 010/2026. No dia imediatamente posterior, 25 de agosto, a presidência lançou o edital convocando a votação para 16 de setembro, encurtando o horizonte que legalmente previa a transição apenas para janeiro de 2027.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

LEIA MAIS: Recém-empossado, presidente da AMM já forma chapa de prefeitos para se reeleger em pleito "a jato"

Na petição, o município detalha que a compressão do calendário impôs um bloqueio prático à oposição. O registro de chapas foi afunilado em um intervalo de apenas 14 dias corridos, que englobou finais de semana e o feriado de 7 de setembro, resultando em cerca de dez dias úteis para que prefeitos de diferentes regiões se articulassem, compusessem a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal e formalizassem candidaturas.

O resultado dessa geometria de prazos foi o registro de chapa única, encabeçada justamente pelo atual diretor-presidente da instituição, o ex-prefeito de Colíder Hemerson Lourenço Máximo, o "Maninho", sufocando articulações iniciadas por grupos adversários, como o do prefeito de Nobres, José Domingos Fraga.

A ação também esmiúça falhas formais na sustentação da assembleia de agosto. A peça aponta que, embora a mesa tenha proclamado uma aprovação "por unanimidade", a ata omite o registro quantitativo de votos, não discrimina abstenções e falha em comprovar se o quórum qualificado exigido pelo próprio estatuto, de dois terços dos membros presentes no momento da votação, foi de fato atingido, visto que a lista de presença não registra horários de entrada ou saída dos gestores.

"O ato convocatório indicou os dispositivos sujeitos à alteração, mas não reproduziu as novas redações nem explicitou os efeitos concretos que a reforma produziria", pontua a prefeitura no processo, destacando ainda que a antecipação do pleito altera os marcos temporais de filiação exigidos para voto e elegibilidade, desclassificando prefeitos que cumpririam os requisitos até o término oficial do mandato em janeiro.

LEIA MAIS: Sob Maninho, AMM mata mandato de dois anos antes da estreia e volta a esticar gestão para três anos

A defesa requer liminarmente a suspensão do edital e de todos os atos do pleito. Subsidiariamente, pede que a nova regra seja afastada do ciclo atual ou que o edital seja anulado por inviabilidade material de prazos. O pedido agora aguarda manifestação urgente do juiz Yale Sabo Mendes.

Chapa única pode ser derrubada

A única chapa registrada foi batizada de “AMM + Forte e Presente” e traz como presidente de honra o deputado federal Juarez Costa (PSD). O pedido de registro foi assinado por Maninho e por 10 associados efetivos.

Maninho assumiu a titularidade da AMM em março de 2026, após a desincompatibilização do então presidente Leonardo Bortolin, de quem era vice na chapa eleita no final de 2023. A movimentação para a reeleição ocorre sob o novo regimento interno da instituição, aprovado recentemente por unanimidade em Assembleia Geral Extraordinária. 

O estatuto atualizado fixou mandatos de três anos para a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal, permitindo apenas uma reeleição sucessiva. 

LEIA MAIS: AMM muda estatuto, fixa mandato de três anos e prorroga permanência de dirigentes

Veja a composição completa da diretoria executiva e do conselho fiscal:

1º Vice-Presidente: José Guedes de Souza (Rondolândia/MT)

2º Vice-Presidente: João Isaack Moreira Castelo Branco (Tesouro/MT)

3º Vice-Presidente: Francieli Magalhães de Arruda Vieira Pires (Santo Antônio do Leverger/MT)

4º Vice-Presidente: Marcos Fernando Feldhaus (Cláudia/MT)

5º Vice-Presidente: Vanderlei Antônio de Abreu (Porto dos Gaúchos/MT)

Secretário Geral: Thiago Timo Oliveira (Torixoréu/MT)

1º Secretário: Mauto Teixeira Espindola (Salto do Céu/MT)

2º Secretário: João Rogério de Souza (Nova Bandeirantes/MT)

Tesoureiro Geral: Thiago Castellan Ribeiro (Santa Terezinha/MT)

1º Tesoureiro: Margareth Gonçalves da Silva (Barão de Melgaço/MT)

2º Tesoureiro: Joraildes Soares de Souza (Santa Cruz do Xingu/MT)

1º Membro Titular (Conselho Fiscal): Sergio Machnic (Primavera do Leste/MT)

2º Membro Titular (Conselho Fiscal): Seluir Peixer Reghin (Aripuanã/MT)

3º Membro Titular (Conselho Fiscal): Cleomenes Junior Dias Costa (Novo Santo Antônio/MT)

1º Membro Suplente (Conselho Fiscal): Fabiano Dalla Valle (Itiquira/MT)

2º Membro Suplente (Conselho Fiscal): Irineu Marcos Parmeggiani (Campos de Júlio/MT)

3º Membro Suplente (Conselho Fiscal): Antônio Marcos Thomazini (Paranatinga/MT)

Comente esta notícia