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21 de Dezembro de 2025, 10h:00 - A | A

POLÍCIA / CONFLITOS E ADIAMENTOS

Julgamento de policial civil que matou PM já sofreu oito remarcações e ficou para 2026

Nova data da sessão pelo Tribunal do Júri é o dia 12 de maio do ano que vem

Assessoria

Julgamento do policial civil Mário Wilson já enfrentou sucessivas remarcações

Julgamento do policial civil Mário Wilson já enfrentou sucessivas remarcações

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, já foi remarcado pelo menos oito vezes. Para a defesa da família da vítima, a prática de provocar sucessivos adiamentos do julgamento configura má-fé, abuso do direito de defesa do réu, violação do princípio da duração razoável do processo, além de causar sofrimento prolongado aos familiares do PM.

Em maio deste ano, a Justiça marcou a sessão do Tribunal do Júri para o dia 4 de julho, mas a defesa do réu pediu a antecipação da data, pois já havia outra audiência agendada em Sinop. Com isso, o julgamento foi remarcado para o dia 25 de junho.

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Em novo pedido, a defesa do policial civil solicitou que o julgamento fosse novamente remarcado, em razão da participação em outra audiência.

Já no dia 3 de julho, Mário Wilson comunicou à Justiça que havia ocorrido o rompimento de sua tornozeleira eletrônica no dia 28 de junho. Todo o trâmite relacionado à justificativa e à reinstalação do equipamento fez com que o julgamento fosse adiado para o dia 7 de outubro.

No dia 24 de setembro, o advogado do réu pediu renúncia, e o novo advogado, Cláudio Dalledone, só foi constituído no dia 17 de outubro. Com isso, a sessão de julgamento foi remarcada mais uma vez, desta vez para o dia 28 de novembro.

Antes da realização do julgamento, Dalledone pediu nova remarcação, alegando que havia agendado uma viagem de férias entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro. A Justiça adiou novamente a sessão, desta vez para o dia 15.

Diante das sucessivas remarcações, a Justiça chegou a nomear um defensor público para Mário Wilson, com o objetivo de garantir que o julgamento não fosse novamente prejudicado.

No dia 15, a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri foi iniciada às 13h. No entanto, no final da tarde, os ânimos ficaram exaltados e houve um bate-boca entre a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Perri, que presidia a sessão, e os advogados de defesa de Mário Wilson.

Na ocasião, o advogado Cláudio Dalledone acionou o Tribunal de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT), alegando que a magistrada teria atacado as prerrogativas da advocacia.

O bate-boca continuou e, em determinado momento, Dalledone reforçou à juíza que havia acionado a OAB. A magistrada rebateu dizendo “que se dane a OAB” e “pode chamar a presidente”. Em seguida, determinou que os seguranças retirassem os advogados e os representantes do Tribunal das Prerrogativas do plenário do Tribunal do Júri, suspendendo a sessão.

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A confusão fez com que a continuidade do julgamento fosse marcada para o dia seguinte, terça-feira (16). No entanto, no dia 16, em decorrência do incidente, a juíza Mônica Perri pediu a dissolução do Conselho de Sentença, ou seja, determinou um novo sorteio para definir novos jurados e remarcou o julgamento para o dia 17.

O Ministério Público, porém, apontou que a defesa de Mário Wilson protocolou novos elementos no processo e solicitou o adiamento do julgamento para que todas as partes tivessem tempo hábil para analisar e se manifestar sobre o material. Com isso, a sessão foi remarcada para o dia 12 de maio de 2026.

Vale lembrar que a confusão no plenário rendeu um pedido de suspeição, que foi negado, e uma reclamação disciplinar registrada pelo Conselho Federal da OAB contra a magistrada, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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O caso

Mário Wilson matou o policial militar Thiago Ruiz na conveniência de um posto de combustíveis localizado em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Imagens de uma câmera de segurança mostram os dois sentados em uma mesa, consumindo bebida alcoólica.

Em determinado momento, o PM ergue a camisa e mostra algo na região do tórax. Mário se aproxima, retira a arma da cintura de Thiago e os dois iniciam uma luta corporal. As imagens mostram o investigador apontando a arma enquanto o PM tenta correr em direção à saída. Ele atira diversas vezes contra Thiago, que morre no local.

Relatos de testemunhas apontam que Mário Wilson não teria acreditado que a vítima fosse policial militar, devido à quantidade de tatuagens que Thiago tinha no corpo, fato que teria levado o policial civil a tomar a arma.

Defesa da família da vítima se manifesta

Entre os novos elementos apresentados pela defesa de Mário Wilson, o advogado Cláudio Dalledone questiona, com base em um documento de 2017, a validade do porte de arma de Thiago na época do crime. O fato motivou a defesa da família do PM a se manifestar, afirmando que o documento é antigo e que houve, de fato, uma suspensão do porte de arma, mas que ele foi restabelecido no dia 20 de julho de 2022, com validade até o dia 20 de julho de 2027.

A defesa da família de Thiago apontou ainda má-fé, falta de lealdade processual e abuso do direito por parte de Dalledone, que estaria tentando manipular documentos fora do contexto temporal, criar incidentes artificiais, provocar sucessivos adiamentos do julgamento e submeter os familiares da vítima a sofrimento prolongado, diante da demora na efetivação da Justiça.

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