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24 de Outubro de 2026

17 de Dezembro de 2025, 11h:15 - A | A

POLÍCIA / APÓS BARRACO NO FÓRUM

Juíza que mandou OAB se danar nega se afastar de caso e remarca júri de policial civil acusado de matar PM em Cuiabá

Julgamento foi remarcado para o dia 12 de maio de 2026

TJMT

Após bate-boca, julgamento foi remarcado para o ano que vem

Após bate-boca, julgamento foi remarcado para o ano que vem

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Após confusão registrada durante a sessão do Tribunal do Júri que julgava o policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Perri, negou um pedido de exceção de suspeição feito pela defesa do réu e remarcou o julgamento para o dia 12 de maio de 2026. Um pedido de suspeição é um instrumento usado para tentar afastar o magistrado do processo quando há alegação de parcialidade.

No pedido, os advogados de Mário tentaram afastar a magistrada da presidência do julgamento, alegando que ela teria feito intervenções acusatórias durante a oitiva de testemunhas, antecipando juízo de valor; ofendido a defesa do réu; descredibilizado o Conselho de Sentença; além de ter mandado a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se danar.

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Mônica Perri, no entanto, rejeitou as alegações, afirmando que agiu conforme o exercício regular e necessário para a direção dos trabalhos; que as intervenções tiveram o objetivo de evitar o induzimento das testemunhas; que não adotou tom acusatório; que não houve tratamento diferenciado entre as partes; e que não proferiu ofensas, uma vez que se limitou ao necessário controle da ordem e da disciplina no plenário.

“Também não há que se falar em expressões supostamente ofensivas: as manifestações desta magistrada limitaram-se ao necessário controle da ordem e da disciplina em plenário. Eventuais apartes ou observações feitas durante momentos de acaloramento processual não tiveram cunho pessoal ou ofensivo, mas apenas objetivaram restabelecer o equilíbrio e a serenidade indispensáveis ao julgamento popular”, diz trecho da decisão proferida nessa terça-feira (16).

A confusão foi protagonizada pela magistrada e pela defesa de Mário Wilson durante a sessão de julgamento iniciada na segunda-feira (15). Enquanto os advogados faziam suas manifestações, Mônica Perri teria adotado atitudes que desagradaram a defesa. Diante disso, o advogado Cláudio Dalledone acionou o Tribunal de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT) para comparecer ao plenário.

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No entanto, a magistrada teria continuado com as atitudes e Dalledone reforçou que havia acionado a OAB, momento em que a juíza rebateu dizendo “que se dane a OAB” e determinou que a segurança retirasse os advogados da sala, suspendendo a sessão, que foi remarcada para a manhã dessa terça-feira.

Logo nas primeiras horas do dia seguinte, advogados e representantes da OAB foram até a porta do Fórum de Cuiabá para protestar contra a atitude da juíza Mônica Perri, mas foram impedidos de entrar no local.

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Os advogados do policial civil também foram impedidos de entrar na sessão de julgamento.

Embora o julgamento do Tribunal do Júri estivesse marcado para continuar às 8h, Mônica Perri anulou a sessão e determinou a dissolução do Conselho de Sentença, com sorteio de novos jurados programado para a manhã desta quarta-feira (17). No entanto, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) pediu que o julgamento fosse remarcado, em razão de novos documento anexados no processo, para que os advogados tivessem tempo hábil para analisar e se manifestar sobre o material juntado aos autos.

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O pedido foi acolhido pela magistrada, que remarcou o julgamento para o próximo ano.

“Redesigno a sessão de julgamento do Tribunal do Júri para o dia 12 de maio de 2026, às 09h00, devendo ser realizadas as intimações e convocações necessárias, na forma da lei e como de costume”, decidiu.

Na mesma decisão, Mônica Perri determinou a recolocação da tornozeleira eletrônica no policial civil no prazo de 48 horas.

O caso

Thiago de Souza Ruiz foi assassinado pelo policial civil Mário Wilson na madrugada do dia 27 de abril de 2023, dentro da conveniência de um posto de combustível localizado em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá.

Câmeras de segurança registraram os dois sentados à mesma mesa, consumindo bebida alcoólica.

Em determinado momento, o PM ergue a camisa e mostra algo na região do tórax. Mário se aproxima, retira a arma da cintura de Thiago e, na sequência, os dois entram em luta corporal. As imagens mostram o investigador apontando a arma enquanto o PM tenta correr em direção à saída.

Mário se apresentou à Delegacia de Homicídios no mesmo dia, entregou a arma usada e foi autuado em flagrante. Ele ficou preso por cinco meses, até que o desembargador Rui Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, concedeu liberdade mediante medidas cautelares, como suspensão do porte de arma e proibição de contato com testemunhas.

O investigador responde ao processo em liberdade desde então e vinha sendo monitorado por tornozeleira eletrônica até o dia 28 de junho deste ano, quando alegou no processo que o equipamento se soltou da perna.

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