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01 de Outubro de 2026, 16h:33 - A | A

POLÍCIA / ATAQUE A TIROS

Juiz mantém prisão e júri de policial acusado de tentar matar motorista de aplicativo em Cuiabá

Defesa sustenta legítima defesa; juiz afirmou que as divergências sobre os disparos deverão ser resolvidas pelos jurados.

Montagem/RepórterMT

Rennan Albuquerque de Melo teve a prisão preventiva e o encaminhamento ao júri mantidos.

Rennan Albuquerque de Melo teve a prisão preventiva e o encaminhamento ao júri mantidos.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O policial militar Rennan Albuquerque de Melo, acusado de tentar matar o motorista de aplicativo Diego Veiga Santos em Cuiabá, teve a prisão preventiva e o encaminhamento ao Tribunal do Júri mantidos pelo juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A decisão, publicada hoje (1), também manteve a acusação de fraude processual contra a mulher dele, Karoline Pereira Miranda de Melo.

Os dois recorreram da decisão anterior, mas o magistrado não encontrou motivos para modificar seu entendimento. Os recursos serão encaminhados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que ainda analisará os pedidos.

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O caso ocorreu em 19 de dezembro de 2025 e começou nas imediações do Shopping Goiabeiras. Segundo a denúncia do Ministério Público, o episódio envolveu o Volkswagen Jetta conduzido por Rennan e o automóvel utilizado por Diego para trabalhar.

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A acusação afirma que, por volta das 17h20, na Avenida José Monteiro de Figueiredo, no bairro Duque de Caxias, Rennan teria danificado o veículo do motorista mediante violência e grave ameaça. Cerca de cinco minutos depois, na Rua Major Otávio Pitaluga, teria efetuado diversos disparos contra Diego, atingindo-o. A vítima sobreviveu.

O Ministério Público sustenta que a tentativa de homicídio ocorreu por motivo fútil e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Conforme a denúncia, Diego teria sido surpreendido pelos tiros ao entrar na via onde estava Rennan.

A defesa sustenta a tese de legítima defesa e pediu a retirada das duas qualificadoras. Também alegou que a decisão de encaminhar o acusado ao júri utilizou linguagem excessiva ao examinar sua versão e que a negativa de novas perícias e de uma reconstituição prejudicou a defesa.

O juiz rejeitou os argumentos. Segundo ele, não houve antecipação de uma conclusão sobre a culpa de Rennan. As controvérsias sobre a dinâmica dos veículos, a conduta da vítima e as circunstâncias dos disparos deverão ser resolvidas pelos jurados. O magistrado também afirmou que não foi demonstrada a necessidade das diligências solicitadas nem prejuízo concreto causado por sua ausência.

Além da tentativa de homicídio, Rennan responde por dano qualificado, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual. A última acusação também envolve Karoline.

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Segundo o Ministério Público, o casal teria simulado o furto do Jetta para ocultar a utilização do carro no episódio e afastar a responsabilização de Rennan. A denúncia afirma que Karoline, sob orientação do marido, teria registrado um boletim de ocorrência com informações falsas sobre o desaparecimento do veículo.

Karoline contesta a acusação e alega falta de provas de que tivesse conhecimento dos atos atribuídos a Rennan ou participado conscientemente de uma fraude. O juiz reconheceu que não há prova conclusiva de que ela soubesse dos disparos, da retirada das placas ou do destino dado ao carro, mas apontou divergências nas informações prestadas às autoridades sobre o suposto furto.

Para o magistrado, esses elementos precisam ser analisados em conjunto e justificam o prosseguimento da acusação nesta fase. Karoline permanece em liberdade e não é acusada de participar da execução dos disparos.

Quanto a Rennan, o juiz considerou que não surgiu fato novo capaz de afastar os fundamentos da prisão preventiva ou justificar sua substituição por medidas alternativas. O encerramento da produção de provas, segundo a decisão, não elimina automaticamente a necessidade da prisão.

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