Rodrigo Moura / TJMT

Réus do caso Zampieri: Antônio Gomes, Etevaldo Luiz Caçadini e Hedilerson Fialho Martins Barbosa
EDUARDA FERNANDES
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O julgamento dos acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri vai entrar no terceiro dia sem sentença. A sessão foi encerrada hoje (30) antes do início da fase de debates entre Ministério Público e defesas.
Ainda falta uma das etapas mais demoradas do Tribunal do Júri. Acusação e advogados dos réus terão horas para apresentar suas teses aos jurados. A previsão é de manifestações de cerca de três horas, considerando a exposição do Ministério Público e das defesas, além da possibilidade de réplica e tréplica, o que deve prolongar ainda mais o julgamento.
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Somente depois do encerramento dos debates o Conselho de Sentença, formado pelos jurados, se reunirá de forma reservada para responder aos quesitos sobre a responsabilidade dos acusados. A partir das respostas, o juiz presidente do júri dará a sentença e, em caso de condenação, fixará as penas.
O julgamento começou na terça-feira (29) e foi marcado, nos dois primeiros dias, pelos depoimentos de testemunhas e pelos interrogatórios de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.
Reprodução
Roberto Zampieri foi assassinado com 10 tiros em frente ao seu escritório de advocacia em Cuiabá.
Antônio admitiu ter matado Zampieri, mas sustentou que teria agido por conta própria, movido por uma espécie de revolta contra a corrupção. Durante o interrogatório, afirmou que investigou a vítima, se aproximou dela por meio de uma história sobre compra de terras e chegou a dizer que mataria novamente.
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“Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça”, declarou.
Hedilerson, por sua vez, negou ter emprestado a arma utilizada no crime. Segundo sua versão, Antônio teria pegado a pistola sem seu conhecimento enquanto os dois estavam hospedados em Cuiabá. Emocionado ao falar da família, afirmou que foi traído pelo executor confesso.
“O Antônio mentiu pra mim, me traiu”, disse.
Já Caçadini negou conhecer Roberto Zampieri e afastou qualquer participação na execução. O coronel aposentado do Exército admitiu conhecer Antônio e Hedilerson por meio da Frente Ampla Patriótica (FAP), mas sustentou que suas viagens a Mato Grosso e movimentações financeiras não tinham relação com o homicídio.
A acusação
Segundo o Ministério Público, Zampieri foi vítima de uma execução planejada e encomendada, com divisão de tarefas entre os envolvidos.
A acusação aponta Antônio Gomes da Silva como o executor dos disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa como responsável por auxiliar na logística e fornecer a arma; e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas como participante da articulação e do financiamento do crime.
Entre os elementos apresentados durante o julgamento estão mensagens recuperadas durante a investigação. Em uma delas, enviada após a morte de Zampieri, constava a frase:
“Coronel, missão cumprida.”
Outra mensagem dizia:
“Iniciando plano de retirada.”
Para o Ministério Público, as conversas reforçam a existência de uma ação coordenada entre os acusados. As defesas contestam essa interpretação.
O crime
Roberto Zampieri era advogado em Cuiabá e atuava principalmente em disputas envolvendo grandes propriedades rurais e conflitos fundiários de alto valor.
Ele foi assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Segundo a acusação, o crime teria relação com uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural avaliada em dezenas de milhões de reais. A tese do Ministério Público é de que a atuação profissional de Zampieri contrariava interesses de pessoas ligadas ao grupo investigado pela encomenda do homicídio.
O julgamento será retomado nesta quinta-feira (1º). Depois dos debates, eventual réplica e tréplica, os jurados se reunirão para definir o destino dos três réus.











