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30 de Setembro de 2026

30 de Setembro de 2026, 13h:15 - A | A

POLÍCIA / CASO ZAMPIERI

Atirador diz no júri que também mataria desembargador Sebastião de Moraes: “Fazia o pacote”

Atirador confesso afirmou que aceitaria matar o magistrado caso recebesse a tarefa e tivesse certeza de que ele era corrupto; Sebastião foi aposentado após passar mais de um ano afastado do TJMT

Josi Dias/TJM

Antônio Gomes da Silva é acusado de executar o advogado Roberto Zampieri.

Antônio Gomes da Silva é acusado de executar o advogado Roberto Zampieri.

EDUARDA FERNANDES
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O réu Antônio Gomes da Silva, acusado de executar o advogado Roberto Zampieri, afirmou hoje (30), durante seu interrogatório no Tribunal do Júri, que também mataria o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), caso tivesse recebido essa tarefa.

A declaração ocorreu quando o advogado Nilton Ribeiro perguntou a Antônio por que ele teria aceitado dinheiro para matar Zampieri. O réu iniciou uma longa crítica à corrupção no Brasil e afirmou não ter “dó de matar corrupto”.

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“Nosso Brasil está sucateado, doutor. Precisa fazer daquela Brasília ali um cemitério. Passar um trator naquela desgraça. Fazer um cemitério para corrupto ali. Começar de cima para baixo. [...] Eu sou esse cara aqui que o senhor está vendo, não tenho dó de matar corrupto”, declarou.

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Na sequência, o advogado perguntou se Antônio também mataria Sebastião de Moraes. “Doutor, se eles tivessem me dado essa tarefa eu pegava”, respondeu.

Ah, sem dúvida! Eu tinha que provar que ele era corrupto. Fazia o pacote

Questionado diretamente se mataria o desembargador, Antônio foi categórico: “Ah, sem dúvida! Eu tinha que provar que ele era corrupto”. Ao ser perguntado se mataria Sebastião junto com Zampieri, acrescentou: “Fazia o pacote”.

Sebastião de Moraes Filho não é réu no processo que julga o assassinato de Zampieri. O nome do magistrado, porém, apareceu nas investigações abertas após a perícia no celular do advogado assassinado. Dados extraídos do aparelho deram origem a apurações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no TJMT. Sebastião foi afastado das funções em 2024 e posteriormente se tornou alvo da Operação Sisamnes.

Em julho de 2025, relatório da Polícia Federal apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo Sebastião. Segundo a investigação, foram localizados comprovantes de depósitos feitos por Zampieri ao magistrado que somariam R$ 500 mil, além da oferta de uma barra de ouro de 400 gramas, então avaliada em aproximadamente R$ 126 mil. A defesa de Sebastião afirmou à época que se manifestaria nos autos e que, com o avanço das investigações, “a verdade será plenamente restabelecida”.

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Sebastião foi aposentado compulsoriamente em 27 de novembro de 2025, quando completou 75 anos, antes de retornar ao cargo. A aposentadoria ocorreu enquanto ainda havia apurações em andamento. Neste mês de setembro, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve o uso de tornozeleira eletrônica pelo desembargador aposentado, destacando que ainda existem diligências na Operação Sisamnes.

O caso

Roberto Zampieri era advogado em Cuiabá e atuava, entre outras áreas, em disputas fundiárias milionárias. Ele foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando estava em frente ao escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime foi praticado mediante pagamento e está relacionado a uma disputa judicial por terras.

No julgamento desta semana, Antônio Gomes da Silva é apontado como o homem que efetuou os disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, como intermediador e responsável por auxiliar na logística e fornecer a arma; e o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, como responsável pelo financiamento da execução. Os três respondem por homicídio triplamente qualificado.

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