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30 de Setembro de 2026, 10h:51 - A | A

PAPO RETO / ROTEIRO DE FILME

De pedreiro a justiceiro anticorrupção: a tese que assassino de Zampieri tenta vender ao júri

Josi Dias/TJMT

A acusação sustenta versão bem menos cinematográfica: Antônio teria sido contratado para executar Zampieri.

A acusação sustenta versão bem menos cinematográfica: Antônio teria sido contratado para executar Zampieri.

DO REPÓRTERMT



A tese apresentada por Antônio Gomes da Silva no júri de Roberto Zampieri parece saída de um roteiro de cinema. Pedreiro em Minas Gerais, ele contou que ficou indignado com a corrupção no país, recebeu em Belo Horizonte uma foto de Zampieri e decidiu vir a Mato Grosso para investigar o advogado e, depois, matá-lo. Tudo, segundo sua versão, por iniciativa própria.

Para isso, conseguiu o telefone pessoal de Zampieri, inventou a história de que um sobrinho do Texas queria comprar terras, foi recebido no escritório do advogado e admitiu que já estava armado naquele encontro. Disse ainda que pesquisou a região, descobriu que havia uma unidade da PM perto do local e pagou R$ 380 para levantar documentos sobre a vítima.

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Antônio também contou que pretendia levar Zampieri a uma fazenda para matá-lo longe da cidade, mas o plano não deu certo naquele dia. Ao explicar métodos e disfarces, admitiu até inspiração em filmes como O Poderoso Chefão. Curiosamente, recusou-se a revelar quem lhe entregou a foto de Zampieri em Minas: “Cada um faz a sua defesa”.

A narrativa chega ao ápice quando Antônio tenta revestir o homicídio de missão moral. “Sou cidadão comum que tem vergonha na cara e coragem de matar. Eu sou homem!”, declarou. Em outro momento, disse estar preso por “um corrupto que eu mandei para o inferno”.

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O relato de Antônio foi feito na manhã desta quarta-feira (30), durante o interrogatório de Antônio Gomes da Silva no segundo dia do Tribunal do Júri do caso Roberto Zampieri, no Fórum de Cuiabá. Diante dos jurados, o réu apresentou sua versão para explicar por que veio de Minas Gerais a Mato Grosso, se aproximou do advogado e decidiu matá-lo.

A acusação sustenta versão bem menos cinematográfica: Antônio teria sido contratado para executar Zampieri. Caberá aos jurados decidir se houve uma encomenda criminosa ou se, como quer fazer crer o réu, um pedreiro atravessou estados, investigou, perseguiu e matou um advogado desconhecido apenas para “combater a corrupção”.

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