Rodrigo Moura/TJMT

Antônio Gomes admitiu ter efetuado os disparos que mataram o advogado, mas afirma que agiu motivado pela revolta contra a corrupção.
EDUARDA FERNANDES
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O réu Antônio Gomes da Silva afirmou hoje (30), durante o julgamento pela morte do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, que confessou o assassinato ao delegado Edson Pick e que, se estivesse novamente diante da mesma situação, voltaria a matar a vítima.
Ao relatar o depoimento prestado durante as investigações, Antônio reproduziu o que disse ao delegado: “Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça.”
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A declaração foi feita durante o interrogatório de Antônio no segundo dia do Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá. O réu admite ter efetuado os disparos que mataram Zampieri, mas sustenta perante os jurados uma versão segundo a qual decidiu agir motivado pela própria revolta contra a corrupção.
A confissão prestada durante a investigação já havia sido alvo de discussão no processo. Em audiência realizada em 2024, a defesa dos réus acusou Edson Pick de ter praticado pressão psicológica e feito ameaças durante os interrogatórios. O delegado Nilson Farias, responsável pela investigação, afirmou na ocasião não acreditar que o colega tivesse adotado esse comportamento.
Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça
A versão sustentada agora por Antônio é confrontada pelo Ministério Público com os demais elementos reunidos na investigação. No primeiro dia do julgamento, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo apresentou aos jurados mensagens recuperadas dos aparelhos dos acusados. Em uma delas, enviada por Hedilerson a Caçadini minutos após o homicídio, constava: “Coronel, missão cumprida!”. Em seguida, outra mensagem dizia: “Iniciando plano de retirada”.
Segundo a acusação, Antônio Gomes da Silva foi o executor de Zampieri; Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria atuado na intermediação e na logística do homicídio, além de fornecer a arma; e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria financiado a ação. Os três são julgados por homicídio triplamente qualificado e permanecem presos.
Roberto Zampieri era advogado em Cuiabá, com atuação em disputas envolvendo grandes propriedades rurais. Ele foi morto a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório no bairro Bosque da Saúde. A denúncia mais ampla do Ministério Público aponta que o assassinato teria sido encomendado em razão de uma disputa pela Fazenda Lagoa Azul, avaliada em cerca de R$ 100 milhões, na qual Zampieri representava a parte adversária aos supostos mandantes.
Após o homicídio, o celular do advogado também acabou dando origem a investigações independentes sobre suspeitas de corrupção e venda de decisões judiciais em tribunais. Essas apurações, entretanto, são distintas do julgamento dos três acusados pela execução de Zampieri.













