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01 de Outubro de 2026

01 de Outubro de 2026, 07h:56 - A | A

POLÍCIA / TERCEIRO DIA

Júri dos acusados de matar Zampieri pode durar até 10 horas antes de decisão dos jurados

Defesas e Ministério Público ainda terão horas de debates, além de réplica e tréplica, antes de o Conselho de Sentença se reunir e o juiz anunciar a decisão

Reprodução / TJMT

 Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas estão no banco dos réus.

Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas estão no banco dos réus.

EDUARDA FERNANDES
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O julgamento dos três acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri entra hoje (1º) em seu terceiro dia e ainda pode se estender por várias horas antes de chegar à sentença. A estimativa é de até 10 horas apenas de debates entre defesas e Ministério Público, caso sejam utilizados integralmente os tempos previstos.

Pelo cálculo feito a partir da dinâmica do júri, as defesas podem usar cerca de três horas, enquanto o Ministério Público também terá aproximadamente três horas para sustentar a acusação. Depois, ainda podem ocorrer duas horas de réplica da defesa e duas horas de tréplica do MP.

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Somente após essa fase o Conselho de Sentença, formado pelos jurados, se reunirá para responder aos quesitos apresentados pelo juiz. A partir das respostas, caberá ao magistrado proferir a sentença e, em caso de condenação, fixar as penas.

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O que já aconteceu

Os dois primeiros dias foram concentrados na oitiva de testemunhas e, principalmente, nos interrogatórios dos três réus: Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.

Antônio, apontado como executor, admitiu ter matado Zampieri e apresentou aos jurados uma versão segundo a qual teria agido por conta própria, movido por uma cruzada pessoal contra a corrupção.

Em plenário, afirmou que pesquisou a vida do advogado, aproximou-se dele usando uma história sobre compra de terras e chegou a dizer que faria tudo novamente. “Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça”, declarou.

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Antônio também afirmou que mataria o desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho, caso tivesse recebido essa tarefa e tivesse certeza de que ele era corrupto.

Durante o julgamento, sua defesa ainda tentou suspender o processo e instaurar um incidente de insanidade mental, alegando sinais de desequilíbrio durante o interrogatório.

O Ministério Público reagiu afirmando que a tese nunca havia sido levantada durante mais de dois anos de processo e acusou a defesa de tentar “plantar uma nulidade”.

O juiz rejeitou o pedido. Na decisão, afirmou que Antônio apresentou falas coesas, demonstrou compreensão sobre o processo e sobre os próprios atos e que não havia qualquer elemento concreto nos autos que justificasse a instauração do incidente.

Hedilerson diz que foi traído

Hedilerson Fialho, instrutor de tiro e despachante bélico, negou participação no crime. Ele admitiu que conhecia Antônio e que veio a Cuiabá para participar de uma competição de tiro, trazendo consigo uma pistola Taurus 9 mm.

Hedilerson sustenta que deixou a arma no hotel e que Antônio a pegou sem autorização. “O Antônio mentiu pra mim, me traiu”, afirmou.

Ele também negou conhecer Zampieri e disse que só ficou sabendo quem era o advogado depois de ser preso.

Hedilerson confirmou ligação com a Frente Ampla Patriótica (FAP), grupo comandado por Caçadini, e tentou dar outra explicação para a mensagem “missão cumprida” enviada ao coronel, afirmando tratar-se de um jargão usado entre militares e integrantes do grupo.

Caçadini nega vínculo com Zampieri

O coronel aposentado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas também negou participação no assassinato.

Ele afirmou conhecer Antônio e Hedilerson por meio da FAP, mas disse nunca ter conhecido Roberto Zampieri nem ouvido falar dele antes da repercussão do crime.

Caçadini também negou que movimentações financeiras investigadas tenham relação com a execução e afirmou que valores depositados em Cuiabá tinham origem em venda de equipamentos e dividendos.

O que diz o MP

O Ministério Público sustenta uma versão completamente diferente das apresentadas pelos réus. Segundo a acusação, Roberto Zampieri foi vítima de uma execução planejada e encomendada, com divisão de funções entre os envolvidos.

Antônio Gomes é apontado como o homem que efetuou os disparos.

Hedilerson, segundo o MP, teria participado da logística da execução e fornecido a arma utilizada no crime.

Caçadini é apontado pela acusação como integrante da articulação e do financiamento do homicídio.

Entre os elementos apresentados pela acusação estão mensagens trocadas depois da morte de Zampieri, entre elas “Coronel, missão cumprida” e “Iniciando plano de retirada”.

O crime

Roberto Zampieri era advogado em Cuiabá e atuava principalmente em disputas envolvendo grandes propriedades rurais e conflitos fundiários de alto valor.

Ele foi assassinado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde.

Segundo o Ministério Público, a morte estaria relacionada à atuação profissional do advogado em uma disputa milionária por terras. A tese da acusação é de que Zampieri contrariava interesses ligados a pessoas envolvidas na disputa e, por isso, sua morte teria sido encomendada.

Agora, depois de dois dias de depoimentos, interrogatórios e embates sobre as versões apresentadas pelos réus, o julgamento entra na fase decisiva.

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