Cuiabá, 01 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
01 de Outubro de 2026

01 de Outubro de 2026, 09h:10 - A | A

POLÍCIA / DESVIO DE SOJA

TJ mantém preso balanceiro acusado de participar de esquema que desviou R$ 1,1 milhão em grãos em MT

Polícia aponta que grupo retirou mais de 700 toneladas de soja da Fazenda Rincão, em Campo Novo do Parecis, usando ordens falsas de carregamento

Reprodução

Ryan trabalhava como balanceiro e era responsável pelo controle da entrada e saída dos caminhões

Ryan trabalhava como balanceiro e era responsável pelo controle da entrada e saída dos caminhões

EDUARDA FERNANDES, VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou, por unanimidade, o pedido para colocar em liberdade Ryan Carlos dos Santos, apontado pela Polícia Civil como um dos integrantes de um esquema que teria desviado aproximadamente 701,8 toneladas de soja, avaliadas em cerca de R$ 1,1 milhão, da Fazenda Rincão, em Campo Novo do Parecis (a 402 km de Cuiabá). O acórdão foi publicado hoje (1º).

Ryan está preso preventivamente desde 18 de março de 2026 e responde a uma ação penal que reúne 11 acusados. A defesa alegava excesso de prazo na tramitação do processo e sustentava que ele possui endereço fixo, trabalho lícito e seria arrimo de família. 

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

O habeas corpus, entretanto, foi rejeitado pela Câmara Criminal. O relator, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, destacou que o processo é considerado complexo por envolver vários réus, diferentes acusações, necessidade de localização e citação de corréus e análise de provas digitais. Para os magistrados, não houve paralisação ou demora injustificada atribuível ao Judiciário. 

Segundo o acórdão, a denúncia foi oferecida e recebida após a prisão, houve apresentação de resposta à acusação e reavaliação da custódia, além do prosseguimento dos atos processuais. O colegiado também entendeu que condições pessoais favoráveis, por si só, não são suficientes para revogar a prisão preventiva.

Esquema teria retirado 14 cargas

A investigação da Polícia Civil aponta que o esquema funcionou entre 2 e 9 de maio de 2025, período em que teriam sido retirados aproximadamente 701.820 quilos de soja, divididos em 14 carregamentos, sem autorização regular. O prejuízo calculado pela empresa vítima, a GGF Agro Ltda., proprietária da Fazenda Rincão, foi estimado em R$ 1,1 milhão.

Pelo procedimento normal, os caminhões somente poderiam entrar na propriedade e carregar os grãos mediante autorização da compradora, a Bunge Alimentos S.A., com informações sobre contrato, veículo, motorista, peso e destino. A Polícia Civil sustenta, porém, que veículos não autorizados conseguiram acessar a fazenda e sair carregados.

Ryan trabalhava como balanceiro e era responsável pelo controle da entrada e saída dos caminhões. Segundo a investigação, ele teria permitido o ingresso de veículos que não constavam nas autorizações, deixado de realizar conferências obrigatórias, anotado manualmente placas adulteradas e lançado no sistema classificações de cargas que não teriam sido feitas.

A apuração também atribui participação a classificadores de grãos, motoristas e pessoas responsáveis pela movimentação financeira do suposto esquema. Emerson Cerqueira Gomes é apontado pela Polícia Civil como articulador externo, responsável por coordenar motoristas, providenciar ordens falsas de carregamento e realizar pagamentos. Os investigadores ainda apuram o uso de contas de terceiros para movimentar valores e ocultar a origem do dinheiro.

Os acusados respondem, em tese, por crimes como furto qualificado, associação criminosa, falsificação de documento particular, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. O TJMT ressaltou que a decisão sobre o habeas corpus não representa julgamento definitivo sobre a responsabilidade dos investigados. O processo segue em tramitação em Campo Novo do Parecis.

Comente esta notícia