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12 de Setembro de 2026

12 de Setembro de 2026, 14h:52 - A | A

POLÍCIA / CLÍNICA INTERDITADA

Farmacêutica é investigada por fazer cirurgia para reduzir lábios vaginais em pacientes no Jardim Itália em Cuiabá

Clínica no Jardim Itália funcionava sem alvará sanitário; fiscalização encontrou medicamentos irregulares, resíduos infectantes no lixo comum e materiais usados em procedimentos estéticos

PJC-MT

Clinica fica no Jardim Itália, área nobre da capital mato-grossense.

Clinica fica no Jardim Itália, área nobre da capital mato-grossense.

DO REPÓRTERMT



Uma clínica de estética que funcionava irregularmente no bairro Jardim Itália em Cuiabá foi alvo de uma ação conjunta, realizada na manhã de hoje (12), pela Polícia Civil, a Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá e o Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso (CRF-MT). Uma farmacêutica, Mayra Azambuja, que estava atuando irregularmente no local, é investigada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) por exercício ilegal da medicina.

A profissional é suspeita de realizar procedimentos invasivos, entre eles uma cirurgia íntima conhecida como ninfoplastia, que tem como objetivo reduzir e remodelar os pequenos lábios vaginais. 

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Em nota, a defesa de Mayra Azambuja negou que a clínica tenha sido fechada ou que tenha havido encerramento definitivo das atividades, afirmando que o caso envolve uma notificação administrativa que está sendo contestada e esclarecida pelos meios legais. Também informou que o alvará sanitário já foi solicitado e está em análise. A versão, porém, diverge da informação oficial repassada pela Polícia Civil, segundo a qual o espaço onde a farmacêutica realizava os atendimentos foi interditado pela Vigilância Sanitária em razão da ausência de alvará e das irregularidades constatadas durante a fiscalização.

A fiscalização

A fiscalização tinha como objetivo apurar uma denúncia de que a farmacêutica, residente em Rondonópolis e sem autorização para exercer a profissão em Cuiabá, estaria realizando procedimentos invasivos privativos de profissional médico. Entre eles estariam procedimentos com laser e uma cirurgia íntima conhecida como ninfoplastia, além de outras intervenções estéticas cuja regularidade será apurada.

Durante a ação, o CRF-MT constatou que a profissional não possuía autorização para atuar no município de Cuiabá e que estaria extrapolando os limites de atuação estabelecidos pela legislação profissional.

Sem alvará

A Vigilância Sanitária verificou que a clínica não possuía alvará sanitário nem responsável técnico regularmente constituído. Entre as principais irregularidades constatadas estavam a ausência de contrato com empresa especializada na coleta e destinação de resíduos de serviços de saúde, o descarte de resíduos potencialmente infectantes no lixo comum, a inexistência de recipientes adequados para esse tipo de material, a falta de prontuários clínicos e de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), além de inadequações nas condições de higiene e funcionamento do estabelecimento.

Os fiscais também encontraram uma cânula utilizada em procedimento com endolaser, aberta e descartada em uma lixeira comum ao lado da pia, bem como medicamentos prescritos pela própria farmacêutica e produtos manipulados de forma irregular.

Os medicamentos, produtos manipulados e demais materiais irregulares foram apreendidos para posterior destruição e destinação adequada. O espaço onde a farmacêutica realizava os atendimentos foi interditado pela Vigilância Sanitária em razão da ausência de alvará sanitário e das irregularidades constatadas.

Exercício ilegal da medicina

A Polícia Civil instaurou procedimento policial para apurar a possível prática do crime de exercício ilegal da medicina. Se comprovada a conduta, a suspeita poderá responder pelo crime previsto no artigo 282 do Código Penal, cuja pena pode chegar a dois anos de prisão e, quando praticado com finalidade de lucro, também prevê aplicação de multa.

A continuidade das atividades ou a insistência nas irregularidades poderá resultar na adoção de outras medidas administrativas e criminais, sem prejuízo da responsabilização outros eventuais crimes identificados no decorrer das investigações.

A Vigilância Sanitária e o CRF-MT também adotarão as providências administrativas cabíveis no âmbito de suas respectivas atribuições.

Outro lado

A reportagem solicitou posicionamento à farmacêutica, que respondeu com a seguinte nota:

Gostaria de esclarecer que não houve fechamento da clínica da Dra. Mayra Azambuja, tampouco encerramento definitivo das atividades do estabelecimento.

O que ocorreu foi uma situação relacionada a uma notificação administrativa, que está sendo devidamente tratada e esclarecida pelos meios legais cabíveis. Portanto, é importante que qualquer informação publicada retrate exatamente os fatos, sem utilizar termos como “clínica fechada” ou qualquer outra expressão que possa induzir o público a entender que houve interdição ou encerramento definitivo das atividades, caso isso não corresponda ao teor oficial do procedimento.

Estamos à disposição para apresentar os esclarecimentos e documentos pertinentes, caso necessário.

Solicito, portanto, que qualquer matéria seja elaborada com base nos fatos oficiais e com a devida contextualização, garantindo o direito ao contraditório e evitando a divulgação de informações incorretas ou que possam causar prejuízos à imagem profissional.

Caso seja publicada qualquer informação falsa ou que não corresponda aos fatos e aos documentos oficiais, o assunto será encaminhado à nossa advogada para adoção das medidas jurídicas cabíveis.

Agradeço pela oportunidade de esclarecimento e fico à disposição para eventuais dúvidas.

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