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Advogado da família da vítima aponta frieza e lucidez de Daniel ao assassinar mulher e esfaquear a filha.
VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
Um novo vídeo, agora com mais de oito minutos, mostra o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson pegando uma faca, colocando o objeto fora do alcance da câmera e observando o quarto onde a esposa, Gleici Keli Geraldo, e a filha dormiam. As imagens foram divulgadas na noite dessa sexta-feira (11) pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, representante da família da empresária morta pelo marido.
A nova gravação amplia a sequência apresentada anteriormente. No conteúdo, Pouso inseriu textos com sua interpretação sobre os movimentos de Daniel durante a madrugada do crime. Para o advogado, as cenas indicam planejamento e mostram que o engenheiro tinha consciência dos próprios atos.
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Em um dos trechos, Daniel aparece pegando uma faca e colocando o objeto fora do alcance da câmera. Ele também passa diversas vezes em frente ao quarto onde Gleici e a filha do casal estavam dormindo.
Outra passagem mostra a faca quase caindo. Logo depois, Daniel deixa o campo de visão do equipamento. Pouso sustenta que ele teria feito esse movimento para ajustar o objeto sem ser filmado.
O advogado chama atenção ainda para momentos nos quais Daniel olha diretamente para a câmera. Conforme Pouso, isso indicaria que o engenheiro sabia que estava sendo gravado. Ele afirma também que Daniel teria tentado retirar o cartão de memória do equipamento.
Antes das imagens da madrugada do ataque, o vídeo apresenta um áudio enviado por Gleici a uma prima. Na mensagem, a empresária relata dificuldades financeiras e explica que precisava vender um apartamento comprado na planta em Cuiabá.
“Como o Daniel agora não tem renda e tal, ele apertou um pouco o orçamento e a gente tem que desfazer desse apartamento”, disse Gleici.
Ela também pediu ajuda à prima para encontrar um possível comprador ou alguém interessado em investir no imóvel.
Veja vídeo
FAMÍLIA DO MARIDO REGISTROU BOLETIM
A publicação ocorre depois que um irmão de Daniel, apontado como curador dele, registrou um boletim de ocorrência contra o advogado no último domingo (6). A família do engenheiro alega que a divulgação das câmeras de segurança viola o segredo de Justiça e expõe indevidamente pessoas ligadas ao caso.
No boletim, a família pede a retirada das gravações das redes sociais e a apuração de possíveis responsabilidades civis e criminais de Pouso.
O advogado, no entanto, afirma que os vídeos divulgados ainda não foram anexados ao processo e, por isso, não estariam submetidos a sigilo judicial.
“Esse vídeo não está relacionado com processo nenhum. Esse vídeo não tem sigilo. Esse vídeo é de propriedade, inclusive, das filhas da vítima”, declarou Pouso.
O CRIME
Gleici, de 42 anos, foi morta a facadas pelo marido na manhã de 24 de junho de 2025, dentro da residência da família, no bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá).
A filha do casal, que tinha sete anos, também foi atacada enquanto dormia. A criança foi socorrida em estado grave, permaneceu 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sobreviveu, mas ficou com sequelas físicas e psicológicas.
Depois dos ataques, Daniel desferiu uma facada contra o próprio abdômen. Ele foi socorrido, passou por cirurgia e chegou a ser preso após receber alta médica.
Posteriormente, o engenheiro foi submetido a um exame de insanidade mental. Um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu que ele era inimputável no momento do crime. Atualmente, Daniel permanece internado para tratamento psiquiátrico em Cuiabá.
A defesa do engenheiro sustenta a ocorrência de um surto psicótico. Rodrigo Pouso contesta essa versão e afirma que as gravações serão utilizadas para demonstrar que o ataque teria sido planejado.












