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12 de Setembro de 2026, 10h:52 - A | A

CIDADES / TRÊS MORRERAM

Perito: Avião despencou quase na vertical e não tinha sinais de pouso de emergência

Perícia não encontrou marcas de arraste ou danos na vegetação que indiquem tentativa de pouso forçado; três ocupantes morreram e ainda não foram identificados.

CBMMT

Avião caiu na quinta-feira (10) na região rural de Água Boa.

Avião caiu na quinta-feira (10) na região rural de Água Boa.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O avião de pequeno porte que caiu na Fazenda Santa Rita, em Água Boa (a 625 km de Cuiabá), atingiu o solo quase na vertical e não apresentava sinais de uma tentativa de pouso de emergência. A informação foi divulgada pelo gerente regional da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Paulo Barbosa, em entrevista à Rádio Interativa FM. O acidente ocorreu na manhã de quinta-feira (10) e matou três pessoas, que ainda não foram identificadas.

Segundo Barbosa, a equipe sobrevoou a região com um drone e não encontrou marcas na vegetação próxima que pudessem indicar uma tentativa de pouso forçado ou deslocamento da aeronave antes do impacto.

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“A impressão que nós temos é que o avião caiu quase que na vertical. Ele não teve um arraste na região, ele bateu com violência porque a parte da frente chegou a afundar na terra”, explicou o gerente.

A aeronave pegou fogo logo após atingir o solo. As chamas destruíram praticamente toda a estrutura e carbonizaram os três ocupantes. Conforme a Politec, duas vítimas estavam na parte da frente do avião e uma foi encontrada na parte traseira.

Os corpos foram retirados dos destroços e levados para a unidade da Politec. Eles serão submetidos à necropsia e à coleta de material genético. Também serão realizados exames de dosagem alcoólica e toxicologia.

A identificação dependerá da comparação do DNA das vítimas com amostras fornecidas por familiares. Até o momento, nenhum parente procurou as autoridades.

“Isso vai ser imprescindível, porque, para fazer o exame de DNA, a gente tem que comparar o material de referência de algum familiar”, disse o gerente regional.

A Polícia Civil também informou que ainda não conseguiu estabelecer a identidade dos mortos. Além do estado dos corpos, a falta de documentos nos destroços dificulta o trabalho.

“Nenhuma das vítimas foi identificada e elas seguem um procedimento próprio agora para identificação junto à Politec”, declarou o delegado Carlos Alberto Silva, responsável pela investigação.

AERONAVE SAIU DE GOIÂNIA

As primeiras diligências confirmaram que o avião decolou de Goiânia (GO) nas primeiras horas de quinta-feira, possivelmente entre 5h30 e 6h. O destino, porém, ainda é desconhecido.

“Uma das poucas informações que nós temos com confirmação é de que essa aeronave efetivamente decolou de Goiânia e seguia para um destino até então ignorado”, afirmou o delegado.

A investigação busca identificar o proprietário da aeronave, verificar a documentação relacionada ao voo e descobrir quem eram os ocupantes. A polícia também tenta esclarecer a finalidade e a rota que seria percorrida.

“Tudo ainda é muito preliminar, em razão da ausência de documentos dessa aeronave. Tudo está sendo checado e apurado pela Polícia Civil”, ressaltou Carlos Alberto.

De acordo com o delegado, a aeronave não teria caixa-preta, gravador de voz ou equipamento para armazenamento de dados. A ausência desses dispositivos estaria relacionada ao porte do avião.

NENHUM MATERIAL ILÍCITO FOI ENCONTRADO

A Polícia Civil descartou, até o momento, a presença de drogas ou de outro material ilegal nos destroços. As buscas foram realizadas com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

“Não foi visualizado e nem encontrado nenhum tipo de material ilícito naquela aeronave”, declarou o delegado.

A Politec identificou apenas vestígios do que aparentava ser uma caixa com alimentos. Por causa da intensidade do incêndio, no entanto, não foi possível determinar se havia alguma outra carga a bordo.

O avião, um Cessna de prefixo N401NA, já havia sido apreendido pela Polícia Federal em 2017, após ser encontrado com 91 quilos de cocaína em Goiânia. A aeronave foi posteriormente incluída em um leilão. Apesar desse histórico, não existe, até agora, indicação de que o acidente em Água Boa tenha relação com o tráfico de drogas.

INVESTIGAÇÃO TERÁ PARTICIPAÇÃO DE ESPECIALISTAS

A Politec deverá acompanhar a equipe regional ligada ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) durante os trabalhos no local da queda.

Os laudos periciais e as análises dos especialistas em acidentes aéreos serão utilizados pela Polícia Civil para tentar determinar o que provocou a queda.

“Depois dos laudos da Politec, com o laudo que o Cenipa divulga, acredito que o delegado consegue amarrar a investigação e identificar realmente as causas que estão relacionadas com esse acidente”, concluiu Paulo Barbosa.

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