Sefaz-MT

Lula, que fez do poder de compra uma bandeira política, ainda deve ao brasileiro um alívio duradouro na conta do supermercado.
DO REPÓRTERMT
O governo Lula ganhou um número para comemorar: os preços recuaram 0,32% em agosto. Quem faz as compras de casa, porém, tem razões para guardar os aplausos. A pequena queda não apaga os aumentos anteriores nem significa que o salário voltou a dar conta da despensa.
Nos últimos 12 meses, a inflação ainda acumula alta de 4,22%. O alívio de agosto merece registro. Transformá-lo em atestado de sucesso econômico seria pedir ao consumidor que esquecesse quanto passou a gastar para levar os mesmos produtos para casa.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
É nesse cenário que cabe retomar a expressão “sensação de preço alto”, usada por Miriam Leitão no Bom Dia Brasil, em 11 de agosto, ao comentar a inflação de julho.
A jornalista explicou que a desaceleração dos reajustes pode conviver com mercadorias ainda caras e reconheceu a dificuldade para fazer compras. A explicação faz sentido. A palavra “sensação”, entretanto, soa leve demais para um problema que pesa tanto.
Quem corta a carne da lista ou devolve um produto no caixa não está lidando com uma impressão passageira. Está ajustando a alimentação ao dinheiro disponível.
Para Lula, que fez do poder de compra e da comida na mesa bandeiras políticas, essa é uma cobrança incontornável. O desempenho de seu governo também precisa ser medido pelo que cabe no carrinho de quem ouviu suas promessas.
Uma família não recupera o que perdeu só porque houve um mês de queda. Se uma compra sobe de R$ 100 para R$ 120 e depois recua para R$ 119, a redução existe. O rombo em relação ao ponto de partida também.
O presidente pode apresentar o resultado de agosto como uma melhora. Mas precisa responder pelo caminho que ainda falta percorrer para que o orçamento comporte mais do que o básico.
Na disputa eleitoral, um indicador favorável rende discurso. Dentro de casa, a avaliação passa pela comida que foi possível comprar e pelas despesas que ficaram para depois.
Porque, no fim do mês, ninguém paga a conta com a “sensação” de que o governo está indo bem.












