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12 de Setembro de 2026

12 de Setembro de 2026, 09h:56 - A | A

PAPO RETO / “SENSAÇÃO” DE PREÇO ALTO

Inflação recua em agosto, mas a conta do mercado continua salgada

Sefaz-MT

Lula, que fez do poder de compra uma bandeira política, ainda deve ao brasileiro um alívio duradouro na conta do supermercado.

Lula, que fez do poder de compra uma bandeira política, ainda deve ao brasileiro um alívio duradouro na conta do supermercado.

DO REPÓRTERMT



O governo Lula ganhou um número para comemorar: os preços recuaram 0,32% em agosto. Quem faz as compras de casa, porém, tem razões para guardar os aplausos. A pequena queda não apaga os aumentos anteriores nem significa que o salário voltou a dar conta da despensa.

Nos últimos 12 meses, a inflação ainda acumula alta de 4,22%. O alívio de agosto merece registro. Transformá-lo em atestado de sucesso econômico seria pedir ao consumidor que esquecesse quanto passou a gastar para levar os mesmos produtos para casa.

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É nesse cenário que cabe retomar a expressão “sensação de preço alto”, usada por Miriam Leitão no Bom Dia Brasil, em 11 de agosto, ao comentar a inflação de julho.

A jornalista explicou que a desaceleração dos reajustes pode conviver com mercadorias ainda caras e reconheceu a dificuldade para fazer compras. A explicação faz sentido. A palavra “sensação”, entretanto, soa leve demais para um problema que pesa tanto.

Quem corta a carne da lista ou devolve um produto no caixa não está lidando com uma impressão passageira. Está ajustando a alimentação ao dinheiro disponível.

Para Lula, que fez do poder de compra e da comida na mesa bandeiras políticas, essa é uma cobrança incontornável. O desempenho de seu governo também precisa ser medido pelo que cabe no carrinho de quem ouviu suas promessas.

Uma família não recupera o que perdeu só porque houve um mês de queda. Se uma compra sobe de R$ 100 para R$ 120 e depois recua para R$ 119, a redução existe. O rombo em relação ao ponto de partida também.

O presidente pode apresentar o resultado de agosto como uma melhora. Mas precisa responder pelo caminho que ainda falta percorrer para que o orçamento comporte mais do que o básico.

Na disputa eleitoral, um indicador favorável rende discurso. Dentro de casa, a avaliação passa pela comida que foi possível comprar e pelas despesas que ficaram para depois.

Porque, no fim do mês, ninguém paga a conta com a “sensação” de que o governo está indo bem.

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