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13 de Outubro de 2026

13 de Outubro de 2026, 17h:24 - A | A

POLÍCIA / CASO BRENO

Delegado: Serralheiro usou celular de professor assassinado em VG para se passar pela vítima

Investigação aponta que Elias manteve contato com o irmão gêmeo de Breno usando o telefone do professor; delegado afirma que o homem apresentou versões contraditórias sobre o homicídio.

Montagem/RepórterMT

Bruno Abreu (ao centro) apontou que Elias (à esq.) manteve contato com o irmão gêmeo de Breno (à dir.) usando o telefone do professor.

Bruno Abreu (ao centro) apontou que Elias (à esq.) manteve contato com o irmão gêmeo de Breno (à dir.) usando o telefone do professor.

KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT



O serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, conhecido como “Bigode”, usou o celular do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos, para se passar pela vítima e conversar com o irmão gêmeo dela após o assassinato, em Várzea Grande. A informação foi revelada pelo delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), durante entrevista concedida na manhã de hoje (13) ao Programa do POP.

Segundo o delegado, a investigação reuniu provas que apontam que Elias estava com Breno no momento em que ele foi morto. Um dos indícios, conforme Abreu, é o fato de o serralheiro saber exatamente onde o corpo havia sido deixado. Além disso, os investigadores identificaram que ele estava com o telefone do professor e manteve contato com o irmão gêmeo da vítima, como se fosse o próprio Breno.

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Durante a entrevista, o delegado também contestou a versão apresentada por Elias em depoimento. O investigado alegou que foi ao local apenas para acompanhar o que aconteceria e que sua intenção seria dar um “corretivo” no professor, sem a intenção de matá-lo.

“A gente não acredita nisso. Ele deu uma declaração até meio fantasiosa pra gente, dizendo que pegou um amigo, que já tinha conversado com ele dias antes, que ele estava passando pelo mesmo problema dele e, no dia 26, eles resolveram praticar esse crime”, afirmou Bruno Abreu.

De acordo com a versão apresentada pelo serralheiro, ele teria seguido de carro uma motocicleta que levava Breno até o local onde o professor foi morto. Ao chegar, teria encontrado o motociclista e um terceiro homem, que, segundo ele, começaram a agredir a vítima e tomaram seu telefone. Elias alegou que permaneceu dentro do veículo e não participou diretamente da execução.

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O delegado, porém, afirmou que essa narrativa não convence a equipe de investigação. Abreu também apontou divergências entre os horários informados pelo serralheiro e aqueles em que ele teria mantido contato com o irmão gêmeo de Breno.

“Pelo que ele conta, ele apenas foi lá para testemunhar o fato. Isso não existe. Ele participou. Após os fatos, eu perguntei para ele a hora que ele teria saído de lá. Ele dá horários que não batem com o horário que ele estava falando com o irmão da vítima”, declarou.

Veja as últimas imagens de Breno vivo:

Comparsas
Outro ponto que levantou suspeitas, segundo o delegado, foi a dificuldade de Elias em fornecer informações que permitissem identificar os outros dois homens que, conforme sua versão, teriam participado do assassinato.

O serralheiro teria indicado o nome de uma pessoa que supostamente conhecia de cavalgadas, mas não soube informar o nome completo, o perfil nas redes sociais ou o endereço dela.

“Ele deu, supostamente, a pessoa que estaria na moto, só que ele não consegue dizer o nome todo, o Instagram. É uma pessoa que, segundo ele, fazia cavalgada com ele. Mas ele não soube informar onde mora, o nome todo. Ele deu um nome fictício para nós”, relatou o delegado.

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Elias também apresentou uma possível motivação passional para o crime. Segundo a versão dele, o professor teria ameaçado revelar à esposa encontros que o serralheiro supostamente mantinha com outra mulher.

A Polícia Civil, no entanto, ainda busca esclarecer a real motivação do homicídio. Para Bruno Abreu, a explicação apresentada pelo investigado também apresenta lacunas, já que ele não teria fornecido detalhes sobre a mulher que mencionou nem explicado como a conheceu.

“A gente não acredita em nada que ele falou. Ele deu uma motivação apontando, inclusive, uma menina que ele teria saído e tava com medo da vítima contar para a esposa. Mas ele não conta como conheceu ela, quantas vezes saiu com ela. Ele também não sabe dizer quem é essa pessoa”, afirmou.

“Pra gente, ele mentiu descaradamente”, acrescentou o delegado.

Confira o momento em que o professor sobre na moto:

Prisão
Elias está preso temporariamente e é apontado pela Polícia Civil como um dos envolvidos no assassinato. Conforme Bruno Abreu, a equipe tem 30 dias para avançar nas investigações, prazo que pode ser prorrogado por mais 30 dias.

Nesse período, os investigadores pretendem identificar os demais envolvidos no caso, esclarecer a participação de cada um e confirmar a motivação do crime.

“Nós temos aí 30 dias de prisão temporária, podendo ser prorrogada por mais 30 para que a gente possa, não só identificar os outros envolvidos, mas também saber a real motivação do crime. Apesar da gente já ter uma linha de investigação”, explicou.

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O caso
Breno estava desaparecido desde 26 de setembro, quando saiu de casa, no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele subiu na garupa de uma motocicleta, uma das últimas pistas sobre seu paradeiro.

Breno foi localizado na noite de 8 de outubro, em uma região de brejo alagado no bairro 13 de Setembro, também em Várzea Grande. A localização do corpo ocorreu após Elias ser preso na região do Lago do Manso, em Cuiabá, e indicar aos policiais onde a vítima estava.

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O laudo preliminar da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que Breno foi atingido por pelo menos 13 golpes de faca: sete no tórax e abdômen, três no pescoço e outros três na região íntima.

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