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31 de Julho de 2017, 11h:13 - A | A

PODERES / "GRAMPOS" BOMBA

Delegada diz que investigação do caso é complexa, mas não a intimida

A delegada Ana Cristina Feldner e o colega Fabiano Pitóscia foram designados para a investigação dos "grampos", após o afastamento do delegado Flávio Stringueta, por problemas de saúde.

RpMT/Reprodução

A delegada Ana Cristina Feldner assumiu a investigação das escutas clandestinas na última sexta-feira (28).

A delegada Ana Cristina Feldner assumiu a investigação das escutas clandestinas na última sexta-feira (28).

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



A delegada Ana Cristina Feldner, que assumiu a investigação das escutas telefônicas clandestinas, nos âmbitos das Polícias Militar e Civil, na última sexta-feira (28), afirmou que não se deixará intimidar pela pressão que pode vir a sofrer ao assumir o caso.

Ela e o colega Fabiano Pitóscia foram designados para a função, após o afastamento do delegado Flávio Stringueta, por problemas de saúde. Feldner informou que manterá as apurações na mesma linha com que o colega vinha conduzindo.

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“Sabemos que é um caso complexo e vamos continuar na mesma linha que vinha sendo desenvolvida. Ainda preciso definir os próximos passos, o que será feito a partir de hoje [segunda-feira (31)], pois ainda tenho que ler todo o inquérito para estar totalmente a par do que já foi investigado”, disse a delegada, em entrevista à Rádio Capital FM, nesta segunda-feira (31).

“Sabemos que é um caso muito complexo, onde haverá muita pressão. Mas nenhum tipo de pressão me intimida, faz parte do trabalho. Não sei com quais situações vou me deparar, mas não seria a primeira situação da minha vida profissional a encontrar com situações de pressão”, afirmou ela.

Feldner acredita que sofrerá pressão com o caso, uma vez que existem políticos envolvidos. Os “grampos” foram denunciados pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, em 2015, quando era secretário de Segurança Pública.

Segundo ele, policiais militares operaram escutas clandestinas entre os anos de 2014 e 2015, que interceptaram telefones de políticos, advogados, magistrados, jornalistas, empresários e agentes públicos.

Quatro militares estão presos por envolvimento nos “grampos”, o ex-comandante-geral da PM, Zaqueu Barbosa, apontado como mandante, o cabo Gerson Luiz Ferreira, que teria solicitado autorização judicial para as escutas, em meio a uma lista de nomes de uma investigação de tráfico internacional de drogas.

Também estão presos o ex-secretário da Casa Militar, Evandro Lesco, e o ex-adjunto, Ronelson Barros.

No âmbito da Polícia Civil, as investigações se dão em torno dos depoimentos das delegadas Alana Cardoso e Alessandra Saturnino, que pediram interceptações dos telefones de duas funcionárias da Casa Civil, Tatiana Sangalli e Caroline Mariano, supostamente, a pedido do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques. As escutas foram incluídas em uma lista que apurava as movimentações de facções criminosas dentros dos presídios estaduais.

A justificativa para os "grampos" seria uma suposta ameaça a vida do governador Pedro Taques (PSDB), comandada pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que teria ligação com as mulheres. No entanto, nada ficou comprovado.

“Sabemos que é um caso muito complexo, onde haverá muita pressão. Mas nenhum tipo de pressão me intimida, faz parte do trabalho. Quando se escolhe ser delegado de polícia, já tem que saber que vai ter que lidar com algum tipo de pressão. Não vamos nos intimidar, nem mudar nossa linha de trabalho. Não sei com quais situações vou me deparar, mas não seria a primeira situação da minha vida profissional a encontrar com situações de pressão”, afirmou ela.

A delegada disse ver com naturalidade que pressões e intimidações existam em casos “complexos” como esse, pontuando que, caso existam, não surtirão efeito.

“Vou conduzir meu trabalho de forma bastante técnica, porque não tem o que se discutir em cima do que é a lei. Assim, não tem como dar errado e chega-se ao resultado”.

Ela se referiu a uma suposta “intimidação” sofrida por Stringueta, que recebeu uma carta do procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, em que afirmava que o delegado poderia responder por crimes de abuso da função, uma vez que a investigação também envolve promotores de Justiça, que têm prerrogativa de foro e só podem ser investigados pela Procuradoria-Geral de Justiça.

Para Feldner, também não será novidade uma possível pressão política, uma vez que a investigação é um trabalho que “pode incomodar”.

“Assumi a função com o aval da diretoria da Polícia Civil. Então se tiver que acontecer alguma consequência política, também faz parte do trabalho. Mas temer alguma represália que supostamente possa existir por algum caso político, eu não temo. Quero acreditar que todos os políticos envolvidos querem ver toda a investigação apurada a fundo, que a verdade seja esclarecida. Mas, caso exista, faz parte de trabalhos que possam incomodar”, pontuou.

Ana Cristina Feldner disse ainda que deve se reunir com Stringueta ainda nesta segunda-feira “para alinhas todas as questões para a condução da investigação.

“A expectativa é grande, no sentido de ter conhecimento real da investigação. Até o presente momento, tenho o conhecimento geral, como todo mundo, acompanhando pela imprensa. Mas ainda não sei o que já existe na investigação. A expectativa também é no sentido de conseguir realizar o trabalho”, concluiu a delegada.

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Antonio 31/07/2017

Nem começou a trabalhar ainda e já procurando os holofotes. ....

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1 comentários