facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png twitter-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 19 de Julho de 2024
19 de Julho de 2024

14 de Outubro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / RENATO DE PAIVA PEREIRA

Utópica vingança

Os europeus pareciam satisfeitos com o desenlace da conversa



Estamos em março de 2050. Uma reunião da Comunidade Europeia discute   problemas  ambientais,   mercado da carne,   soja e  milho  buscando  uma forma de  aumentar a pressão  sobre os responsáveis pelas  exportações no Brasil.

Após   dias de  debates decidem que é inevitável mandar uma comissão para cá  com a missão de   resolver  os problemas ambientais que  travam a livre  comercialização de  alimentos.

Antes que essa  missão  chegue  aqui no país,  é bom   rememorar as  profundas modificações que ocorreram no mundo nos  últimos 40/50 anos.

A China está com 2 bilhões de pessoas. Com o crescimento médio de 6%  a 7% ao ano mantido desde o ano 2000 atingiu um padrão de consumo muito perto do americano.   

A Índia também cresceu muito. A população beira  os 2 bilhões de pessoas. Embora não consuma tanto quanto a China já supera a média  da comunidade europeia.

Esse  aumento grandioso na população e do padrão de gastos  desses dois países deslocou o centro de importância do mundo para a Ásia.

Para garantir a alimentação  de tanta gente  foram feitos diversos acordos com países produtores, intensificando a compra de grãos e carnes em quantias nunca antes imaginadas.

O Brasil, neste período, dobrou a produção agropecuária e mantém uma relação harmoniosa com a Ásia.

A  renda per capita local  já superou  a dos europeus e uma onda de progresso invade o país: são ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e tecnologia ultramoderna na produção agrícola.

Em julho do mesmo ano de 2050, a comissão referida no primeiro parágrafo,  depois de muita conversa  diplomática,  consegue enfim  um espaço na agenda  do Ministro das Relações Exteriores Brasileiro.

Ao  contrário dos anfitriões, os visitantes estão ansiosos e apressados. Sem rodeios,  adiantam que precisam comprar urgentemente grãos e carnes e que não estão  preocupados com o preço.

Os negociadores brasileiros resistem. Em  2048,  o país decidira  que só venderia alimentos para a  Europa  se ela  repusesse as  reservas florestais nativas,  além claro de manter áreas de preservação permanente  nas encostas dos morros,  margens de córregos, rios e lagos.   

Os visitantes estão  apavorados.  Falam ao mesmo tempo, alguns em português outros em inglês, estes se desculpando por não saber nossa língua. Garantem que os parlamentos  de lá estão dispostos a aprovar leis nesse sentido, imediatamente.

A condição, diz nosso negociador, é que aprovem  e implementem integralmente   o Código Florestal Brasileiro que vocês nos impingiram em 2012, estimulando e financiando o Green Peace e  ambientalistas fanáticos para  palpitarem em nossa soberania.

Os europeus pareciam satisfeitos com o  desenlace da conversa e prometeram voltar em 100 dias com as leis ambientais aprovadas pelos diversos países que compõem a comunidade.

Mas foi um balde de água na fervura quando o Ministro brasileiro disse  que retomaria  sim o comércio entre as partes, mas a primeira venda seria a  consultoria da  nossa Ong  Verde Paz, que   acompanharia a implantação do Código Florestal Brasileiro  em toda a Europa.

Só depois, satisfeita essa primeira etapa,  seria autorizada a exportação de carnes e grãos.  

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá.

[email protected]

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

Comente esta notícia