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Cuiabá, 13 de Junho de 2026
13 de Junho de 2026

06 de Outubro de 2025, 14h:24 - A | A

OPINIÃO / CHRISTIANY FONSECA

Anistiar o golpe é ensaiar o próximo

CHRISTIANY FONSECA



Chamam de pacificação. Mas o nome mais adequado seria permissão. Permissão para que a ruptura democrática se repita. Permissão para que a história seja reescrita à conveniência dos algozes. A proposta de uma nova anistia, personificada hoje na chamada PL da Anistia, não é um gesto de conciliação, mas uma licença antecipada para que se tente, outra vez, subverter a ordem democrática sem consequências.

Há quem tente colar a ideia de que a atual PL da Anistia teria o mesmo valor simbólico e histórico da Lei nº 6.683/1979, sancionada ainda durante a ditadura militar. Mas há uma diferença abissal entre os contextos, os agentes e os objetivos de cada uma. Em 1979, a anistia foi resultado de uma intensa mobilização nacional que exigia a reparação de injustiças cometidas pelo regime autoritário. O Brasil pedia o retorno dos exilados, a liberdade dos presos políticos, o reencontro com seus desaparecidos. Lutava-se contra um Estado que institucionalizou a tortura, a censura e o medo.

E mesmo ali, em plena ditadura, a anistia foi incompleta. Um pacto silencioso garantiu que os próprios agentes da repressão fossem incluídos no perdão. Torturadores e mandantes de crimes de Estado, que deveriam ter sido levados a julgamento, saíram pela porta da frente. Foi uma distorção histórica, que impediu o Brasil de punir seus carrascos e permitiu que a cultura da impunidade militar continuasse viva na caserna, nas polícias e no imaginário autoritário de parte da elite política.

Reeditar essa lógica hoje, invertendo inclusive os papéis, ao tentar anistiar quem atentou contra o Estado de Direito, seria repetir o erro com ainda mais cinismo. Se em 1979 o país buscava reencontrar a democracia, hoje é a própria democracia que está sendo ameaçada.

Os eventos de 8 de janeiro de 2023 não foram um raio em céu azul. Foram o ápice de uma cadeia coordenada de ataques ao processo democrático, ao sistema eleitoral e à soberania do voto popular. A tentativa de golpe não se resumiu à invasão de prédios públicos, ela começou bem antes, com milícias digitais, pressões militares, tentativas de desacreditar o TSE, movimentos articulados pedindo intervenção militar e até atentado contra a vida. O que vimos naquele domingo em Brasília foi a cena final de um roteiro golpista que só não teve sucesso por resistência institucional. E sorte histórica.

Ainda assim, foi golpe. Ou melhor: foi tentativa de golpe. E isso não é opinião. Está registrado nos autos, reconhecido por decisões do STF e, agora, até verbalizado publicamente pelo presidente do partido que abrigou o ex-presidente da República. Valdemar da Costa Neto declarou em cadeia nacional que houve sim uma tentativa de golpe. O que não houve foi a sua consumação. E se não houve, foi porque as instituições reagiram a tempo. Foi porque a democracia resistiu.

Num Estado autoritário, o problema está no sistema. Num Estado democrático, o problema está na recusa a aceitá-lo. E é exatamente essa recusa, essa negação do pacto democrático, que motivou a tentativa de golpe no Brasil. Não houve fraude nas urnas, nem dúvida no resultado. O que houve foi inconformismo político travestido de discurso patriótico. E esse inconformismo virou planejamento, virou financiamento, virou destruição, virou afronta ao próprio país.

É justamente porque vivemos uma democracia que ela pôde ser atacada. Numa possível intervenção militar, os golpistas sequer sairiam às ruas. Seriam os primeiros a serem calados.

Há quem diga que anistiar seria virar a página. Mas páginas mal viradas costumam manchar os capítulos seguintes. Foi assim em 1979, quando a anistia “ampla, geral e irrestrita” acobertou torturadores. Foi assim nos anos 90, quando o Brasil ignorou as recomendações internacionais de julgamento dos crimes da ditadura. E pode ser assim novamente, se permitirmos que a impunidade se torne política pública.

O Brasil precisa aprender com sua história, não a repetir por conveniência. A democracia é incompatível com a anistia a golpistas. E quem defende o perdão, em nome de uma paz artificial, está, na verdade, autorizando a próxima ruptura. Porque onde há certeza de impunidade, há permissão para o crime.

O apelo por anistia, hoje, não é gesto de conciliação. É ameaça de reincidência. É recado aos futuros golpistas de que haverá abrigo legal mesmo para quem destrói a Constituição.
Perdoar um ataque à democracia é escrever, desde já, o prefácio do próximo golpe. E quando ele vier, não digam que foi surpresa. O que se tolera hoje, se repete amanhã. E o amanhã pode não perdoar quem perdoou demais.

Christiany Fonseca é Cientista Política, Doutora em Sociologia (UFSCar) e Professora do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

 

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Helena Ana 07/10/2025

Anistia nunca! Jamais.

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Juarez Vargas 07/10/2025

É um absurdo o que essa senhora prega. Se tivesse partido de alguém que viveu a morte de Getúlio, ou de quem estivesse trabalhando já a três anos quando os tanques saíram às ruas para impor ordem à baderna que já se instituía, se tivesse ouvido os dircursos de ódio de Brizola ou de Jango, eu até poderia continuar lendo algum post seu. Mas, pedindo desculpas novamente, por eu ser só um alfabetizado que mal terminou o quarto ano do ginásio, quero lhe dizer que todo o conhecimento que a senhora pode ter adquirido nos bancos da escola, não são atributos que derrubem a convicção de que viveu a história. Meu nome é Juarez Vargas. Para quem não sabe, Vargas, o Getúlio, havia sido ditador por quinze anos, após esse período de “reinado” permitiu com a pressão do congresso que fossem realizadas eleições. Assim passado um ciclo presidencial, foram convocadas ou permitidas novas eleições. Getúlio era o candidato dá cúpula da elite política, e ganhou. O outro candidato era Juarez Távora, daí meu nome. Era o candidato da população simples, era o candidato da dona de casa que ainda não tinha muito conhecimento de @eleica”, pois fazia poucos anos que lhes foi concedido o direito/dever de escolher e votar em candidatos. Sinto dizer que por mais conhecimento que ué os anos escolares lhe pudessem ter trazido, ainda assim me contraponho, afirmando que ter vivido, presenciado os atos e atitudes de pessoas e entidades que ureia preservar, já que o comunismo quis tomar o poder à força em 1930, só conseguiram manter o socialista gaúcho Getúlio no poder por trinta anos. Tenha um novo ciclo de vida muito bom, sem socialistas ou comunistas no mando do país, até porque com sua qualificação estudantil, a senhora sabe que nem as primeiras damas se colocam ao lado do mandatário comunista, lá estão a Pelo menos um passo de distância atrás. E, mesmo num país de maioria cristã, mas laico por imposição, rogo a Deus que lhe seja concedida a luz do verdadeiro conhecimento. Boa noite.

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Wilma Comim 06/10/2025

Corretíssima. Anistia ZERO para golpistas TRAIDORES da pátria.

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ALFREDO CARVALHO 06/10/2025

Essa pessoa esta zoando com nossa cara né? Os crimes de morte, sequestros assaltos etc... são secundários pra ela?

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4 comentários