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29 de Novembro de 2016, 14h:05 - A | A

JUDICIÁRIO / FRAUDES NA SEDUC

Empresário diz que dinheiro de propina foi para pagar campanha

Ricardo Augusto Sguarezi, dono das empresas de construção Aroeira e Relumat ,diz que pagou propina, em 2015, para o ex-servidor da Seduc, Fábio Frigeri, e para o empresário Giovani Guizardi. Ele não informou que campanha seria beneficiada.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



A propina paga por empresários do ramo da construção ao ex-servidor da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Fábio Frigeri, e ao empresário Giovani Guizardi, que culminou com a Operação Rêmora, pode ter sido utilizada para pagar dívidas de campanha eleitoral.

Foi que afirmou, em depoimento prestado nesta terça-feira (29), o empresário Ricardo Augusto Sguarezi, dono das construtoras Aroeira e Relumat. Ele disse que pagou propina no ano de 2015.

Durante audiência de instrução, quando foi questionado sobre o motivo pelo qual estavam lhe extorquindo valores indevidos, Ricardo Sgurezi disse que “uma vez, ele [Fábio Frigeri] me disse que era para pagar a gráfica da campanha. Ele me falou na Seduc, dentro da sala dele”.

O empresário foi a última testemunha de acusação no processo criminal, que trata do escândalo de corrupção em licitações de obras da Seduc, a ser ouvida na primeira fase de oitivas conduzidas pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal.

Apesar de participar do processo apenas como testemunha e negando ter acordo de delação premiada, Sguarezi revelou que suas duas empresas prestavam serviços à Seduc desde 2005 e que, no ano passado, começou a pagar propina referente ao contrato da Aroeira Construções para Fábio Frigeri e da Relumat para Giovani Guizardi, ambos presos no Centro de Custódia desde maio.

O motivo para aceitar pagar a propina foi porque Ricardo estaria com valores de medições antigas para receber e foi informado de que não receberia esses valores, caso não concordasse com a "negociata".  

No primeiro momento, inconformado com a situação, Ricardo disse que procurou o então secretário Permínio Pinto (PSDB) para denunciar a situação.

Ele relatou que o então gestor teria se surpreendido e dito para ele não pagar nada, pois iria tomar medidas.

“Antes de aceitar, eu fui até ele [Permínio] para falar: estão pedindo dinheiro aí, doutor. Ele falou para não pagar, que ia ver, que ia tomar providências”, disse.

Tal versão foi confirmada pelo próprio Permínio Pinto à imprensa, quando a Operação Rêmora foi deflagrada, no início de maio deste ano. Dois meses depois, ele próprio acabou preso, na segunda fase da operação. 

Além de confessar ter pago propina, Ricardo Augusto Sguarezi também disse que não ratifica partes de suas declarações prestadas ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), alegando que no dia da deflagração da operação Rêmora, em 3 de maio, estava nervoso e sem a orientação de um advogado.

"Eu nem sabia por que estava sendo conduzido coercitivamente e achei melhor negar tudo", disse. 

Procurado para comentar sobre as confissões de pagamento de propina e de falso testemunho, o promotor Marcos Bulhões não quis comentar. 

 

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