RepórterMT

Francielle Claudino Brustolin é procuradora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e sub-procuradora da Procuradoria Especial da Mulher da ALMT
ANA CRISTINA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
Em entrevista ao
, a procuradora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e sub-procuradora da Procuradoria Especial da Mulher da ALMT Francielle Claudino Brustolin, alertou sobre as diversas formas de violência patrimonial e psicológica contra a mulher. De acordo com Franciele, muitas mulheres vivenciam o cerceamento de sua autonomia sem perceberem que estão sendo vítimas de um crime previsto na legislação.
"Às vezes, a mulher não entende que ela ter os seus documentos retidos é uma violência patrimonial, o seu CPF sujo pelo seu esposo para ela não ter acesso à conta corrente, não ter acesso à linha de crédito é uma violência patrimonial. Ela não ter acesso aos bens da sua família, a uma conta que ela possa movimentar é violência patrimonial", explicou a subprocuradora.
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As táticas de controle também passam pelo bloqueio do desenvolvimento profissional e da busca por renda própria. Agressores costumam atuar ativamente para impedir que a mulher conquiste sua emancipação.
"Quando ela é privada dos dados do seu celular, quando o homem sai de casa para que ela não possa ter acesso à internet, a uma venda online, a um curso que ela poderia fazer ou mesmo ela teve acesso a uma máquina de costura, algo que ela poderia começar a trabalhar, e o marido vem a quebrar, a tirar uma peça, a prejudicar ela começar a ter essa liberdade financeira, sonhar com essa liberdade financeira também é uma violência patrimonial", enfatizou.
Além do cerceamento financeiro, o controle emocional e psicológico é utilizado para desestruturar a vítima.
"Ela ser humilhada ou ela ser vítima de manipulações, de triangulação, projeção, dentre outras técnicas de manipulação para afetar o emocional dela é uma violência psicológica. Então quando ela começa a entender que ela está numa situação de violência ela pode nos procurar, a gente vai tirar dúvida dela, vai entender o caso e vai dar as opções que ela tem para sair desse ciclo de violência", orientou.
Para romper essa dinâmica a longo prazo, a Procuradoria da Mulher tem investido em palestras de capacitação voltadas a estudantes de Mato Grosso. A ideia é permitir que jovens identifiquem comportamentos abusivos ainda nas fases iniciais das relações de amizade ou namoro.
"Quando a gente dá os exemplos, por exemplo, ah, mulheres que têm que se humilhar para conseguir um pacote de absorvente porque o homem fala que não, usa tecido, usa pano, usa toalha, a gente dá uns exemplos chocantes e ao mesmo tempo os exemplos práticos do dia a dia. É impossível você assistir uma aula dessa e não começar a despertar para entender que uma irmã, uma amiga, uma mãe, uma vizinha pode estar passando e você pode ser o ator ali para tirar ela daquela condição ou trazer a informação correta e como buscar ajuda nesses casos", concluiu.
Mulheres que precisem de orientação em Mato Grosso podem procurar a Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia Legislativa. O atendimento presencial ocorre de portas abertas na sede do Poder Legislativo estadual, ou pelo telefone de contato (65) 3313-6802.
Confira o vídeo:
Confira a entrevista completa:












