RepórterMT

A terapeuta sistêmica e professora Allyne Oliveira destaca a necessidade de acolhimento e escuta ativa para mães atípicas
ANA CRISTINA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
A rotina de cuidados de uma mãe atípica costuma ser marcada por uma jornada intensa de terapias, diagnósticos e a busca contínua pelo desenvolvimento dos filhos. No entanto, no meio de tantas obrigações, a saúde emocional e a voz dessas mulheres frequentemente acabam negligenciadas. Em entrevista ao RepórterMT, a terapeuta sistêmica familiar e professora de Língua Portuguesa Allyne Oliveira chamou a atenção para a necessidade de criar espaços de acolhimento e escuta ativa voltados para essas mães.
"Quando eu me descobri mãe atípica, a primeira coisa que eu identifiquei foi a falta de espaço, de um acolhimento, de escuta de fato", afirmou a terapeuta.
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A pressão enfrentada por mães de crianças com deficiência ou neurodivergências envolve uma verdadeira corrida contra o relógio para aproveitar momentos cruciais do crescimento infantil. Essa dinâmica, segundo a especialista, resulta em um esgotamento físico e mental.
"A gente fica tão envolvida com informação, a gente precisa correr contra o tempo para aproveitar as janelas de desenvolvimento do nosso filho, que você fica ali exausta e sem esse cuidado, sem esse olhar de alguém que fala: 'senta aqui, descansa um pouquinho'", ressaltou.
De acordo com Allyne, a ausência de canais para desabafar e compartilhar vivências gera um sofrimento silencioso.
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"Nessa dor de não ser ouvida começa uma angústia", enfatizou a terapeuta.
Unindo sua atuação como terapeuta sistêmica e professora de Língua Portuguesa, Allyne passou a atuar como uma "orientadora de histórias", incentivando as mães a reassumirem o protagonismo de suas trajetórias. Para ela, embora o autismo e a neurodivergência estejam em alta nos debates públicos e no mercado, o foco ainda está excessivamente nos especialistas, deixando de lado quem vivencia essa realidade no dia a dia.
"A gente ouve falar de autismo, os especialistas estão falando, o mercado tá bombando sobre esse assunto, mas e as mães? O que que elas têm para dizer? Então a gente precisa parar para escutar", concluiu.
Confira o trecho da entrevista:












