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Cuiabá, 19 de Julho de 2024
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03 de Outubro de 2017, 09h:57 - A | A

VARIEDADES / ESTUDO

Antitranspirantes não aumentam chance de câncer de mama

Tem circulado pelas redes sociais um texto que relaciona o uso de antitranspirantes ao aumento da chance de desenvolver câncer de mama

UOL



Segundo a mensagem, esse tipo de desodorante bloqueia as glândulas sudoríparas, provocando a doença. As informações são falsas.

Apesar de ser verdade que a maior incidência desse câncer seja na região de aplicação dos antitranspirantes, a preponderância da doença próxima à axila -chamada quadrante superior externo- já ocorria antes do aparecimento desses produtos, de acordo com o mastologista Renato Caganacci Neto, do A.C. Camargo Cancer Center.

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Já foram realizados estudos que analisam o efeito de tampar as glândulas sudoríparas e quais são consequências do uso de sair de alumínio e parabeno, componentes habituais em desodorantes. No entanto, os resultados mostraram que não há nenhuma relação com o aumento da incidência do câncer de mama.

Ainda segundo o especialista, fatores como idade e obesidade são mais importantes para elevar o risco da doença.

De acordo com ele, as pesquisas analisaram o efeito de tampar as glândulas sudoríparas e as consequências do uso de sais de alumínio e parabeno, componentes habituais de desodorantes antitranspirantes.

"Os dados científicos que temos mostram que não há essa relação de aumento de incidência de câncer de mama", diz. Ele afirma que outros fatores, como idade e obesidade, são mais importantes para aumentar os riscos de câncer.

Outra incoerência da mensagem é dizer que, ao bloquear a transpiração, o corpo deixa de eliminar toxinas que, acumuladas no corpo, provocariam mutações nas células e o câncer.

Segundo Cagnacci Neto, de forma geral, as toxinas saem do corpo não apenas pelo suor, mas também nas fezes e na urina.

De acordo com o médico, essas mensagens ajudam a espalhar informações erradas, como a relação entre câncer de mama e depilação com lâmina, para a qual também não há nenhum respaldo científico.

Antonio Frasson, mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein, conta que a polêmica pode ter ressurgido após a publicação em 2016 de um estudo que estabeleceu uma ligação em camundongos entre câncer de mama e sais de alumínio.

"Mas nenhum estudo epidemiológico realizado em seres humanos conseguiu estabelecer uma relação direta. Até esta data, apenas dois estudos com alto nível de evidência científica analisaram as consequências da aplicação regular de  antitranspirantes, não havendo comprovação que o seu uso tenha influência no aumento do risco de se desenvolver a doença", esclarece.

"A internet é uma excelente ferramenta na disseminação de informações e conhecimentos, mas ao mesmo tempo serve para propagar boatos e mitos sobre diversos temas. Câncer é um dos tópicos favoritos", opina Frasson.

Agências reguladoras como a brasileira Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e as norte-americanas FDA (Food and Drugs Administration), que controla alimentos e remédios, e National Cancer Institut já emitiram notas específicas.

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