Mayke Toscano/Secom

Mauro defende que membros de organizações criminosas sejam tratados como terroristas, alegando que esses grupos dominam pelo medo e utilizam violência extrema.
ANA JÁCOMO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O governador Mauro Mendes (União Brasil) rebateu a tese defendida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, de que integrantes de facções não deveriam ser classificados como terroristas. Embora não tenha citado nominalmente o magistrado, o chefe do Executivo classificou a resistência ao termo como uma "negação da realidade" e criticou a eficácia das atuais medidas federais de segurança. (Veja o vídeo no final da matéria).
A declaração de Gilmar Mendes ocorreu durante entrevista em Cuiabá na última sexta-feira (27), durante o II Seminário “A Legística e o Desempenho do Mandato”, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
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"Para mim, o maior conceito de terrorista que eu entendo, e que todos entendem, é quem pratica o terror, quem dissemina o medo, quem exerce o poder com a força, com o terror e com o medo. Falar que esses bandidos não fazem isso é palhaçada", afirmou o governador nessa segunda-feira (30).
Mauro criticou duramente a atual gestão do sistema, citando as atrocidades cometidas pelas organizações criminosas. "É desconhecer as centenas de imagens que rodam pelo Brasil nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, de cabeças que são cortadas, de corações que são arrancados, de adversários deles no crime que são queimados. Atrocidades", completou.
O governador também direcionou críticas ao governo do presidente Lula (PT), questionando a eficácia das recentes medidas federais. Ao ser indagado se o pacote antifacção seria inócuo, foi enfático: "Não mudou nada na prática. Se não mudou, não trouxe resultado, é inócuo".
Segundo ele, o domínio de facções sobre bairros e cidades inteiras é fruto da "incompetência do Estado brasileiro por não ter mecanismos legais para combater isso".
O embate ocorre em meio a uma pressão geopolítica, onde o governo dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump busca rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
No Brasil, parlamentares conservadores defendem projetos de lei (PL 2428/25 e PL 1732/25) com o mesmo objetivo. Contudo, juristas e o ministro Gilmar Mendes defendem que o foco deve permanecer na eficiência do sistema prisional e na asfixia financeira dos grupos.
No evento em Cuiabá, ao ser questionado se faccionados poderiam ser considerados terroristas, o ministro foi direto: "Acho que não. Tenho a impressão de que nós temos que trabalhar no sentido de controlar o sistema e evitar a necessidade dessa chamada faccionarização".
Veja o vídeo:














